Confiança da indústria brasileira cai ao menor nível desde a pandemia, aponta CNI
Índice registra 19º mês seguido abaixo da linha de confiança e reflete preocupação com cenário econômico e incertezas internacionais
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Gabriel Rosa/AEN
A confiança dos empresários da indústria brasileira voltou a recuar e atingiu, em julho, o menor patamar desde o período mais crítico da pandemia de covid-19. Dados divulgados nesta segunda-feira (13) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu de 46,7 para 44,4 pontos em relação a junho.
Com o resultado, o indicador permanece há 19 meses consecutivos abaixo dos 50 pontos, marca que separa a confiança do pessimismo. É a segunda maior sequência de resultados negativos da série histórica, atrás apenas do período da recessão econômica entre 2015 e 2016.
Segundo a CNI, o prolongado clima de desconfiança pode trazer impactos para a atividade industrial. Entre as consequências estão a redução da produção, o adiamento de investimentos e a diminuição do ritmo de contratações.
O gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, destaca que a manutenção desse cenário tende a afetar diretamente o desempenho das empresas. De acordo com ele, quanto mais longo o período de pessimismo, maiores são as chances de cortes de empregos, redução da produção e cancelamento de investimentos produtivos.
Os dois componentes que formam o Icei apresentaram queda em julho. O Índice de Condições Atuais passou para 41,6 pontos, indicando uma avaliação mais negativa do ambiente econômico em comparação aos últimos seis meses. Já o Índice de Expectativas caiu para 45,8 pontos, registrando o maior recuo desde novembro de 2022.
A CNI atribui parte da piora ao aumento das incertezas no cenário internacional, como a intensificação dos conflitos no Oriente Médio e a possibilidade de retomada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fatores que elevaram a cautela entre os empresários.
O levantamento ouviu 1.118 empresas de pequeno, médio e grande portes entre os dias 1º e 7 de julho.
