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Dívida pública federal supera R$ 9 trilhões em junho com alta na emissão de títulos atrelados à Selic

Estoque da dívida cresceu 2,66% no mês e chegou a R$ 9,03 trilhões; juros elevados impulsionaram a procura por títulos vinculados à taxa básica da economia

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Dívida pública federal supera R$ 9 trilhões em junho com alta na emissão de títulos atrelados à Selic Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A Dívida Pública Federal (DPF) voltou a crescer em junho e ultrapassou a marca de R$ 9 trilhões, impulsionada principalmente pela emissão de títulos atrelados à Taxa Selic. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Tesouro Nacional.

Segundo o levantamento, o estoque da dívida passou de R$ 8,798 trilhões em maio para R$ 9,033 trilhões em junho, uma alta de 2,66%.

Apesar do avanço, o valor permanece dentro das projeções do Plano Anual de Financiamento (PAF), que estima que a dívida encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

Emissão de títulos superou resgates

O crescimento da dívida foi influenciado pela emissão de novos títulos públicos em volume superior aos resgates realizados no período.

Em junho, o Tesouro Nacional emitiu R$ 149,49 bilhões em títulos da dívida interna, dos quais R$ 102,57 bilhões estavam vinculados à Taxa Selic.

No mesmo período, os resgates somaram apenas R$ 6,14 bilhões, já que o mês concentrou poucos vencimentos de papéis.

Além das novas emissões, o estoque da dívida também foi impactado pela incorporação de R$ 85,16 bilhões em juros.

Esse mecanismo contabiliza, mês a mês, os encargos incidentes sobre os títulos públicos e os incorpora ao estoque da dívida.

Selic elevada aumenta interesse dos investidores

De acordo com o Tesouro Nacional, o atual patamar da Taxa Selic, em 14,25% ao ano, tem elevado a procura por títulos indexados aos juros básicos da economia.

Esses papéis passaram a representar 49,32% de toda a Dívida Pública Federal em junho, ante 48,99% registrados no mês anterior.

No mesmo período, os títulos corrigidos pela inflação reduziram sua participação de 26,26% para 25,9%.

Já os títulos prefixados passaram de 21% para 21,04%, enquanto os papéis vinculados ao câmbio recuaram ligeiramente de 3,75% para 3,74%.

Dívida externa também avançou

A dívida pública externa apresentou crescimento de 2,12% em junho.

O estoque passou de R$ 340,49 bilhões para R$ 347,71 bilhões, movimento atribuído principalmente à valorização de 2,37% do dólar no período.

Reserva financeira atinge maior nível da série histórica

O chamado colchão da dívida pública, reserva financeira utilizada pelo governo para enfrentar períodos de instabilidade ou grandes concentrações de vencimentos, atingiu o maior nível desde o início da série histórica.

O volume passou de R$ 1,211 trilhão em maio para R$ 1,346 trilhão em junho.

Segundo o Tesouro Nacional, o aumento foi resultado das emissões superiores aos resgates realizados no mês.

Atualmente, essa reserva é suficiente para cobrir 8,33 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,86 trilhão em títulos federais.

Prazo médio da dívida recua

O prazo médio da Dívida Pública Federal caiu de 4,07 anos para 4,01 anos em junho.

Esse indicador representa o tempo médio necessário para o refinanciamento dos títulos emitidos pelo governo. Em geral, prazos mais longos são considerados um sinal de maior confiança dos investidores na capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros.

Instituições financeiras seguem como principais credoras

As instituições financeiras continuam sendo as maiores detentoras da dívida pública interna, com 31,76% do estoque.

Na sequência aparecem os fundos de pensão, com 22,52%, os fundos de investimento, com 22%, e os investidores estrangeiros, que respondem por 9,95% da dívida.

A participação dos não residentes caiu em relação a maio, quando representava 10,14% do total. Segundo o Tesouro Nacional, a redução ocorreu em meio ao aumento das tensões no mercado financeiro internacional, influenciado pelo conflito no Oriente Médio.

Por meio da emissão de títulos públicos, o governo federal capta recursos para financiar suas despesas e administrar a dívida pública, comprometendo-se a devolver os valores aos investidores acrescidos de remuneração, que pode estar vinculada à Selic, à inflação, ao câmbio ou a uma taxa prefixada.

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