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Diretora do Detran de Paranaguá é exonerada após ser citada em investigação da Polícia Federal

Ex-diretora foi alvo de busca e apreensão, mas ainda não há confirmação de envolvimento no esquema investigado pela Polícia Federal

Por Da Redação

Diretora do Detran de Paranaguá é exonerada após ser citada em investigação da Polícia Federal Créditos: PF

A exoneração da diretora-chefe do Departamento de Trânsito (Detran) de Paranaguá, no litoral do Paraná, trouxe novos desdobramentos a uma investigação da Polícia Federal que apura um esquema de tráfico internacional de drogas com atuação no Porto da cidade. Melissa Elias Karpe Martins foi desligada do cargo no dia 12 de março, conforme publicação em Diário Oficial, um dia após a deflagração da Operação Fundo Falso. A Operação foi dada em primeira mão pela RIC TV, afiliada da Record no Paraná.

A ex-diretora foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da investigação. Até o momento, não há confirmação de envolvimento direto dela com o grupo criminoso, e seu nome consta apenas como investigado no inquérito conduzido pela Polícia Federal.

A Operação Fundo Falso tem como foco desarticular uma organização criminosa suspeita de enviar cocaína para o exterior, principalmente para países da Europa, utilizando a estrutura logística do Porto de Paranaguá. Segundo as investigações, o grupo empregava diferentes estratégias para ocultar a droga em cargas lícitas, prática conhecida como “contaminação de contêineres”.

Entre os métodos identificados está o transporte terrestre da droga até o porto. Em um dos casos monitorados, dois veículos vindos de São Paulo chegaram à cidade transportando cerca de 100 quilos de cocaína. A carga foi posteriormente transferida para um caminhão, com destino ao embarque internacional.

Os investigadores também apontaram o uso de micro rastreadores acoplados às embalagens dos entorpecentes, permitindo o monitoramento da carga durante o trajeto. Outra estratégia envolvia mergulhadores, responsáveis por esconder a droga em partes submersas das embarcações, como áreas próximas ao sistema de refrigeração. Em algumas situações, mochilas com cocaína eram lançadas ao mar e recuperadas posteriormente para inserção nos navios.

Até o momento, ao menos seis pessoas foram presas durante a operação, que mira um grupo estimado em 19 integrantes. Entre os investigados estão indivíduos ligados à movimentação financeira do esquema e pessoas com conexões políticas, como ex-candidatos a vereador e um ex-assessor parlamentar.

Durante o andamento das investigações, um dos nomes apontados como intermediador do grupo, Marcelo Berna, foi encontrado morto em um apartamento no bairro Portão, em Curitiba. As circunstâncias da morte não foram detalhadas pelas autoridades no contexto da operação.

A Polícia Federal cumpriu 11 mandados de prisão preventiva, além de diversos mandados de busca e apreensão nas cidades de Curitiba, Paranaguá e São Paulo. As ações têm como objetivo interromper a atuação da organização criminosa e reunir provas que auxiliem na identificação de todos os envolvidos e possíveis ramificações do esquema.

A exoneração da então diretora ocorreu antes de qualquer eventual indiciamento formal, em meio ao avanço das investigações. Até o momento, o Detran não se manifestou oficialmente sobre o caso.

As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades federais.

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