Banco Digimais, de Edir Macedo, tem prejuízo de R$ 581 milhões
Banco controlado por Edir Macedo saiu de lucro de R$ 42,1 milhões para prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre, enquanto índice de Basileia ficou negativo em 4,62%
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O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, registrou prejuízo líquido de R$ 581,41 milhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados do sistema IF.data do Banco Central. No mesmo período de 2025, a instituição havia registrado lucro de R$ 42,1 milhões.
O resultado levou o índice de Basileia do banco a -4,62%, enquanto o mínimo regulatório exigido para a instituição é de 10,5%. O indicador mede a relação entre o patrimônio de referência do banco e os ativos ponderados pelo risco.
Com o índice abaixo do limite, a instituição fica em uma situação de insuficiência de capital e precisa adotar medidas para recompor os níveis exigidos pela regulação bancária.
Uma das alternativas em negociação é a venda do Digimais para o BTG Pactual, com participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Ativos chegam a R$ 9,8 bilhões
Os ativos do Digimais somavam R$ 9,85 bilhões no fim do primeiro semestre, queda de 1,6% em relação a junho de 2025.
Desse total, R$ 3,2 bilhões estavam em títulos e valores mobiliários, R$ 2,7 bilhões em outros ativos realizáveis, R$ 1,95 bilhão em aplicações interfinanceiras de liquidez e R$ 1,46 bilhão em operações de crédito.
Os passivos chegaram a aproximadamente R$ 9,5 bilhões, alta de 2% em relação ao mesmo período do ano passado. Os depósitos representavam cerca de R$ 8,7 bilhões das obrigações da instituição.
Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico e reproduzidas pelo Poder360, o Digimais não enfrenta falta de caixa. Edir Macedo teria condições de realizar aportes para reforçar a instituição, mas o controlador busca outras alternativas, entre elas a venda para o BTG Pactual.
Negociação com o BTG Pactual
Em abril, o BTG Pactual comunicou ao mercado que havia firmado um acordo de intenção de compra com o Digimais.
O objetivo era estabelecer um valor de referência para a aquisição da totalidade das ações do banco, em um processo competitivo que seria lançado posteriormente.
A operação depende de um empréstimo do FGC e de um leilão no modelo conhecido como stalking horse. Nesse formato, um comprador apresenta uma oferta inicial de referência, mas outros interessados podem apresentar propostas superiores.
Banco é investigado pela Polícia Federal
A situação financeira do Digimais também ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal.
Em junho, a instituição foi alvo da Operação Miragem, que apura suspeitas de fraudes relacionadas ao banco.
Segundo a PF, as investigações, com base também em relatórios do Banco Central, indicam que podem ter ocorrido manipulações de demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a situação financeira real da instituição e aparentar solvência perante os órgãos de controle.
A investigação também apura a realização de operações que poderiam ser irregulares.
As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Digimais não se manifestou
O Banco Digimais foi procurado pela reportagem do Poder360 para comentar o resultado financeiro e as informações relacionadas à situação da instituição, mas não se manifestou.
