Corbelia Abril

Deputado denuncia contrato de R$ 53 milhões em jardinagem no Sistema Fiep e cobra explicações

Marcelo Rangel afirma que gastos cresceram 287% em um ano e questiona concentração de serviços em uma única empresa; Fiep afirma que houve erro de lançamento

Por Gazeta do Paraná

Deputado denuncia contrato de R$ 53 milhões em jardinagem no Sistema Fiep e cobra explicações Créditos: Divulgação Fiep

Uma denúncia envolvendo contratos de jardinagem do Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) dominou parte do debate na Assembleia Legislativa do Paraná nesta terça-feira (10). O tema foi levado à tribuna pelo deputado Marcelo Rangel (PSD), que afirmou ter identificado um aumento expressivo nos valores destinados ao serviço e cobrou esclarecimentos da entidade.

Presidente da Comissão de Fiscalização da Assembleia, Rangel disse que inicialmente chegou a desconfiar da veracidade das informações recebidas, diante do volume de recursos envolvidos. “É triste e constrangedor para este deputado subir à tribuna para falar de uma denúncia, e uma denúncia que de tão exorbitante nós imaginamos que poderia ser algo considerado fake”, afirmou.

Segundo o parlamentar, contratos relacionados a serviços de jardinagem, corte de mato e manutenção de áreas verdes do Sistema Fiep teriam saltado de R$ 13,7 milhões para cerca de R$ 53 milhões entre 2024 e 2025. “Os gastos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná com serviços de jardinagem cresceram de forma tão acelerada que causa estranhamento. Entre 2024 e 2025 o crescimento foi exorbitante”, declarou.

De acordo com Rangel, os dados apontariam para um aumento de aproximadamente 287% no valor total contratado. Ele afirmou ainda que cerca de R$ 9,1 milhões já teriam sido executados nesse período. “Somando novas contratações e aditivos, o sistema Fiep conta com R$ 53 milhões em contratos vigentes para jardinagem”, disse o deputado.

Outro ponto levantado pelo parlamentar foi a concentração dos serviços em um único fornecedor. Segundo ele, embora existam 14 contratos ativos, todos teriam sido firmados com a mesma empresa. “Chama a atenção o fato de que, embora existam 14 contratos de jardinagem vigentes no sistema Fiep, todos são prestados pela mesma empresa”, afirmou.

A empresa citada pelo deputado é a Top Services Serviços e Sistemas S.A., com sede em São Paulo. Rangel afirmou que a companhia possui grande volume de processos judiciais. “A empresa responde a cerca de 30 mil processos judiciais, a maioria deles por problemas trabalhistas”, declarou.

O parlamentar disse que os valores ampliados e a concentração contratual levantam dúvidas sobre os critérios utilizados nas contratações e nos aditivos. “Diante dos valores significativamente ampliados, a medida levanta questionamentos sobre os critérios adotados nos processos de contratação e nos aditivos”, afirmou.

Durante o debate, o deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD) reconheceu a gravidade das informações apresentadas, mas defendeu cautela antes de qualquer conclusão. Segundo ele, é necessário garantir espaço para esclarecimentos da instituição. “Vossa Excelência sobe à tribuna e faz uma denúncia grave, muito grave. Eu conheço o Edson Vasconcelos, que preside a Fiep, e me surpreende que fatos iguais a esse possam estar ocorrendo naquela instituição”, afirmou Romanelli.

O parlamentar sugeriu que a Comissão de Fiscalização solicite formalmente informações à entidade para esclarecer os contratos. “Penso que Vossa Excelência deveria formular um pedido de informações via Comissão de Fiscalização, que tem força constitucional, para que a presidência da Fiep possa esclarecer os fatos”, disse.

Rangel concordou com a necessidade de esclarecimentos e afirmou que o objetivo é justamente obter respostas sobre a evolução dos gastos. “A Assembleia e os paranaenses precisam entender o porquê desse aumento de quase 300% de um ano para o outro, chegando a um contrato de R$ 53 milhões para jardinagem”, afirmou.

O deputado encerrou a fala questionando o tamanho da expansão dos contratos. “Será que o mato cresceu tanto assim para chegar a um valor tão exorbitante?”, declarou. Até o momento, a Federação das Indústrias do Paraná não se manifestou sobre as afirmações feitas em plenário.

 

Atualização (19h02)

Fiep atribui números a erro de lançamento 

A denúncia apresentada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) sobre contratos de jardinagem que somariam cerca de R$ 53 milhões no Sistema Fiep ganhou um novo capítulo após a divulgação de uma nota técnica da entidade. O documento afirma que o valor elevado registrado no Portal da Transparência decorre de uma inconsistência de classificação, e não de despesas exclusivamente relacionadas à manutenção de áreas verdes.

A polêmica começou depois que o deputado Marcelo Rangel (PSD) levou o tema à tribuna da Alep e afirmou que os contratos teriam saltado de R$ 13,7 milhões em 2024 para cerca de R$ 53 milhões em 2025, um aumento de aproximadamente 287%. O parlamentar também apontou que os serviços estariam concentrados em uma única empresa prestadora. 

Diante da repercussão, o Sistema Fiep divulgou uma nota técnica afirmando que parte dos contratos registrados como “jardinagem” na plataforma de transparência corresponde, na realidade, a serviços mais amplos de facilities, que incluem limpeza, conservação, apoio operacional e manutenção de infraestrutura.

 

Diferença entre registro e execução

Segundo o documento técnico da Fiep, os registros que aparecem como jardinagem no portal englobam atividades realizadas em mais de 50 unidades do sistema, envolvendo estruturas do Sesi, Senai e IEL espalhadas pelo Paraná.

De acordo com a análise interna apresentada pela entidade, os contratos firmados com a empresa Top Service Serviços e Sistemas S/A registram, para 2025, cerca de R$ 6,7 milhões relacionados à rubrica de jardinagem, mas o consumo efetivo dos serviços seria de aproximadamente R$ 3,33 milhões.

O valor é significativamente menor do que os R$ 53 milhões apontados no portal, número que, segundo a Fiep, reúne contratos de facilities classificados de forma incorreta.

Ainda conforme a entidade, cerca de 94,5% dos serviços correspondem a atividades contínuas, enquanto 5,5% são demandas pontuais.

 

Erro de classificação

Na nota técnica, o Sistema Fiep afirma que a inconsistência é “de natureza exclusivamente classificatória” e não envolve alteração de valores, contratos ou escopo dos serviços.

Segundo a instituição, a equipe técnica já iniciou a atualização das informações no Portal da Transparência para refletir corretamente a natureza das contratações.

“O Sistema Fiep identificou recentemente uma inconsistência de natureza exclusivamente classificatória no Portal da Transparência, na qual parte dos serviços de facilities foi registrada sob a rubrica de jardinagem”, afirma a nota.

A entidade também ressalta que não há irregularidades na execução ou nos valores dos contratos, que seguiriam parâmetros administrativos adotados historicamente pela instituição.

 

Debate político deve continuar

Mesmo com a explicação da Fiep, o tema deve continuar no radar da Assembleia Legislativa.

Durante o debate em plenário, o deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD) afirmou que a denúncia é grave e sugeriu que a Comissão de Fiscalização da Alep solicite oficialmente informações à entidade para esclarecer os números apresentados. 

Já Marcelo Rangel afirmou que pretende aprofundar a apuração sobre os contratos, argumentando que a Assembleia precisa compreender as razões para o crescimento expressivo nos valores registrados.

O parlamentar também questionou a concentração dos contratos em uma única empresa prestadora de serviços, ponto que, segundo ele, merece análise mais detalhada pelos órgãos de fiscalização.  

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp