Créditos: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Erika Hilton chama Congresso de ‘inimigo do povo’ e defende refundar o Brasil em ato do 1º de Maio
Deputada do Psol-SP aproveitou o Dia do Trabalhador para criticar a derrubada de vetos sobre a dosimetria de penas e cobrar celeridade na PEC que reduz a jornada de trabalho para 36 horas
A deputada Erika Hilton (Psol-SP) afirmou nesta sexta-feira (1º) que é necessário “refundar o Brasil” e renovar o Congresso Nacional. A declaração foi feita durante manifestação realizada na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, no Dia do Trabalhador.
O discurso ocorre após duas derrotas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em menos de 24 horas no Congresso. Erika criticou diretamente a derrubada do veto ao projeto de lei da dosimetria, que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Durante o ato, a deputada classificou o Congresso como “inimigo do povo” e afirmou que as eleições de 2026 serão decisivas.
“Nós temos uma outra missão, que é refundar o Brasil e limpar ele daquele Congresso inimigo do povo, elegendo deputados e senadores que valham a pena e que defendam os interesses da sociedade”, declarou.
Críticas à derrubada do veto
Erika afirmou que a decisão do Congresso representa, na avaliação dela, uma flexibilização das punições para crimes contra o Estado Democrático de Direito.
“O que o Congresso Nacional fez foi dizer que vale tudo. Vale golpe, vale atentar contra o Estado Democrático de Direito, vale banalizar a Constituição”, disse.
A parlamentar também criticou a possibilidade de redução de penas e afirmou que a população não apoia esse tipo de medida.
Segundo ela, “o brasileiro não tem vontade de atenuar a pena do bandido do Jair Bolsonaro”, ao comentar o impacto do projeto. Durante o discurso, também mencionou o cenário eleitoral e afirmou que o país deve reeleger Lula em 2026.
Atos do Dia do Trabalhador
As declarações ocorreram durante mobilizações realizadas por centrais sindicais em diferentes regiões do país. Os atos deste 1º de maio tiveram como pauta principal o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada sem corte salarial.
As manifestações começaram pela manhã em capitais e cidades do interior, como Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre, e reuniram trabalhadores, lideranças sindicais e políticos.
Erika afirmou que o Congresso precisa responder às demandas da população e alertou que, caso isso não ocorra, continuará sendo visto como um adversário da sociedade.
Defesa do fim da escala 6×1
A deputada defendeu a redução da jornada de trabalho e afirmou que o Brasil está atrasado nesse debate. Segundo ela, o modelo atual compromete a qualidade de vida dos trabalhadores.
Erika classificou a escala 6×1 como “perversa, cruel e desumana” e disse que o sistema retira tempo de descanso, convivência familiar e oportunidades.
A parlamentar também criticou argumentos de que a redução da jornada poderia impactar negativamente a economia.
“Quando o golpista do Michel Temer quis aprovar uma reforma trabalhista para tirar dignidade do trabalhador, ninguém falou em compensação”, afirmou. “Tudo que é para dar dignidade e direito é sempre essa conversa”, completou.
Ela ainda disse que setores da sociedade “manipulam os números” para gerar medo sobre possíveis efeitos econômicos da mudança.
Tramitação da proposta
A proposta de redução da jornada tramita na Câmara dos Deputados. Em abril, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou a admissibilidade de duas propostas sobre o tema.
A PEC 221 de 2019 prevê a redução gradual da jornada para 36 horas semanais ao longo de dez anos. Já a PEC 8 de 2025, de autoria de Erika Hilton, propõe jornada de até 36 horas distribuídas em quatro dias de trabalho, com três dias de descanso e o fim da escala 6×1.
Os textos seguem agora para análise em comissão especial, onde serão debatidos os impactos econômicos, sociais e a viabilidade das propostas antes de eventual votação em plenário.
