Delcy Rodríguez anuncia plano de defesa nacional da Venezuela com prazo de 100 dias
Presidente interina da Venezuela deu prazo de 100 dias para apresentação do projeto
Créditos: AFP
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira o início de uma reestruturação estratégica da segurança nacional e estabeleceu um prazo de 100 dias para elaborar e apresentar o “Plano de Defesa da Nação”. A iniciativa foi detalhada em evento militar onde Rodríguez foi reconhecida como comandante-chefe da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), consolidando sua liderança após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Rodríguez afirmou que o plano deve definir diretrizes claras para um novo sistema de defesa venezuelano com união entre civis, forças armadas e polícia. Citou o legado de Simón Bolívar e apelou ao “espírito de luta” dos venezuelanos para proteger a soberania do país.
Em discurso, a presidente interina anunciou também a criação de um gabinete nacional para defesa e segurança cibernética, vinculado ao Conselho de Vice-Presidentes, que será liderado pela ministra da Ciência e Tecnologia, Gabriela Jiménez. Rodríguez pediu a cientistas e especialistas em tecnologia que se unam ao Conselho Científico Militar para proteger o espaço cibernético nacional.
Rodríguez deixou “uma mensagem clara” contra o extremismo e suas “conexões internacionais”, dizendo que abriu espaço para diálogo político pacífico com quem ama a Venezuela, mas avisou que aqueles que buscam “prejudicar a paz” devem permanecer nos Estados Unidos, onde, segundo ela, ataques contra o país foram planejados. “Aqui haverá lei e justiça”, afirmou.
A presidente interina reiterou disposição ao diálogo e ao entendimento, mas negou aceitar novas agressões, enfatizando o respeito à Constituição. Ela voltou a pedir a libertação de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
A decisão de Rodríguez ocorre quase quatro semanas após uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura de Maduro e Flores e sua transferência para os EUA, onde enfrentam acusações federais de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Eles se declararam inocentes em tribunal em Nova York, com nova audiência marcada para 17 de março.
Enquanto isso, forças armadas e policiais venezuelanos reafirmaram lealdade ao governo interino, com ministros da Defesa e do Interior prestando apoio público a Rodríguez em cerimônia oficial em Caracas.
