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Das gavetas ao público: projeto “Margens de Si” ganha destaque em exposições pelo Estado

Exposição reúne obras inspiradas em experiências pessoais e propõe reflexões sobre identidade e sociedade

Por Valéria Mendes

Das gavetas ao público: projeto “Margens de Si” ganha destaque em exposições pelo Estado Créditos: Divulgação

A exposição “Margens de Si”, produzida pela artista cascavelense Gabriela Queiroz, reúne obras visuais que exploram sua personalidade e investigam o autorretrato por meio da arte contemporânea. As produções circulam pelo Paraná, incluindo apresentações de destaque no evento da Bienal Curitiba Arteweek, em 2026.

Após a divulgação do edital Profice, em 2022, Gabriela foi incentivada por Antonio Carlos Machado, então diretor do MAC – Museu de Arte de Cascavel, a escrever um projeto. Juntos, eles pesquisaram litografias antigas guardadas pela artista, produzidas entre 2005 e 2010, e selecionaram uma série de pinturas para compor a proposta.

Gabriela relata que o autorretrato sempre esteve presente em sua vida como uma forma de autoconhecimento, mas que ainda não havia percebido seu potencial artístico para dialogar com outras pessoas. O projeto foi selecionado entre dez propostas de Artes Visuais de todo o Estado. “Só depois da primeira exposição é que tive noção do que significa realizar uma mostra individual e de como é importante que as pessoas tenham acesso ao que é produzido. Só assim faz sentido, e a obra se mostra viva”, contou.

“Margens de Si” teve sua primeira edição entre 2024 e 2025, passando por Maringá, Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu e Toledo. A artista afirma que o projeto foi amadurecendo junto com seu próprio crescimento. Dos 20 aos 40 anos, suas experiências moldaram não apenas seu interior, mas também sua forma de expressão artística.

Ela também ressaltou a importância das leis de incentivo à cultura, que oferecem suporte e espaço para artistas independentes. “Os espaços expositivos nas cidades do interior, em geral, precisam de mais atenção e estrutura para que seja possível valorizar e dar uma visibilidade mais coerente e consistente aos trabalhos produzidos na região. Também é necessário que projetos maiores tenham espaço para chegar ao interior”, destaca.

Além da exposição, Gabriela realiza oficinas de gravura em Centros da Juventude, CCIs, Censes e outros locais que atendem grupos minorizados. Nas atividades, são utilizados materiais alternativos e acessíveis, promovendo uma rica troca de experiências e aprendizado. Cerca de 190 pessoas participaram das oficinas relacionadas ao projeto “Margens de Si”, além de mais de 800 visitantes nas ações de mediação cultural. A artista pretende ampliar cada vez mais o alcance dessas iniciativas.

A arte sempre esteve presente na vida da autora. Ao longo da trajetória, ela participou de cursos de dança, violão e teatro, experiências que inspiraram projetos atuais ligados à literatura e ao cinema no interior do Paraná. Sua primeira exposição ocorreu em 2006, com o grupo do projeto de extensão da Udesc, “Gravar, Gravando, Gravura”, coordenado pela professora Sandra Correia Favero. A participação na exposição “Contiguidades”, realizada no Museu Hassis, em Itajaí (SC), representou um dos primeiros passos para projetos mais amplos relacionados ao autorretrato. “Eu fiz uma obra especialmente para esse momento, que na época chamei de ‘Autorretrato’. Imprimi litografias em tecido de algodão cru e as deixei de molho em água sanitária por vários dias, de modo que ficassem bastante frágeis. Depois de secas, elas foram enroladas como pergaminhos e colocadas dentro da gaveta de uma mesa de cabeceira. A ideia era que, ao contato com o público, as imagens se esfarelassem, virassem pó. Eu estava falando sobre construção e desconstrução da identidade, mas também havia um viés político relacionado à servidão feminina”, destacou.

Atualmente, Gabriela trabalha em um novo projeto chamado “Carvão”, também viabilizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) no Paraná. A iniciativa prevê a produção de novas obras com mentoria da artista, professora e curadora Márcia Porto. O projeto busca investigar a relação entre indivíduo e sociedade, promovendo reflexões sobre questões sociais e ambientais.

Créditos: Valéria Mendes Acesse nosso canal no WhatsApp