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Curitiba convoca profissionais de saúde para vacina contra sarampo Créditos: Pedro Ribas/SMCS

Curitiba convoca profissionais de saúde para vacina contra sarampo

Recomendação da prefeitura antecede o aumento no fluxo de turistas dos EUA, México e Canadá

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba orientou os trabalhadores da área da saúde da capital paranaense a verificarem se possuem o esquema vacinal completo contra o sarampo. A recomendação ocorre diante da expectativa de aumento no fluxo de viajantes vindos dos Estados Unidos, México e Canadá, países que irão sediar a próxima Copa do Mundo e que concentram a maior parte dos casos da doença nas Américas.

Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde, escritório regional da Organização Mundial da Saúde, os três países respondem por mais de 70% dos registros de sarampo no continente. O Brasil, por outro lado, mantém o status de país livre da circulação endêmica da doença.

A secretária municipal da Saúde de Curitiba, Tatiane Filipak, afirmou que a mobilidade internacional gerada pela competição esportiva pode aumentar o risco de disseminação do vírus.

“Com a Copa do Mundo, deve haver uma intensa mobilidade internacional que pode favorecer a disseminação do sarampo, doença altamente transmissível. Nesse cenário, é importante que os trabalhadores da Saúde estejam imunizados quando começarem a receber esses viajantes”, alertou.

O sarampo é transmitido principalmente por via aérea e por gotículas respiratórias, o que facilita a propagação em locais com grande circulação de pessoas.

Esquema vacinal
Para os profissionais da saúde, o esquema vacinal atual prevê duas doses de vacina com componente contra o sarampo, aplicadas após um ano de idade. O imunizante está presente em vacinas como dupla viral (SR), tríplice viral (SCR, VTV ou MMR) e tetra viral (SCRV).

O diretor do Centro de Epidemiologia da secretaria, Alcides Oliveira, explicou que qualquer registro dessas vacinas na carteira de vacinação já representa uma dose de proteção contra a doença.

“Os trabalhadores da Saúde precisam verificar a carteira de vacinação e, caso não tenham o registro das duas doses, devem procurar uma unidade de saúde”, orientou.

Como se vacinar
Para receber a vacina, os profissionais precisam apresentar documento oficial com foto e comprovante de atuação na área da saúde, incluindo carteiras de conselhos profissionais.

No caso de trabalhadores da saúde com 60 anos ou mais, também é necessária a apresentação de autorização médica. Segundo a secretaria, como a vacina é produzida com vírus atenuado, é recomendada avaliação clínica prévia nessa faixa etária.

A prefeitura orienta ainda que os profissionais consultem a situação vacinal pelo aplicativo Saúde Já Curitiba ou por meio de carteiras antigas de vacinação em papel. Quem não localizar os registros poderá solicitar o chamado “resgate digital”, que permite incluir doses antigas no sistema eletrônico.

A Central Saúde Já Curitiba atende pelo telefone 3350-9000, de segunda a sexta-feira, das 7h às 22h, e aos sábados e domingos, das 8h às 20h.

Casos nas Américas
A preocupação das autoridades sanitárias ocorre após aumento expressivo nos casos de sarampo nas Américas. Em fevereiro, a Organização Pan-Americana da Saúde emitiu um alerta após o continente registrar crescimento de quase 32 vezes nos casos da doença entre 2024 e 2025.

Enquanto em 2024 foram registrados 466 casos, em 2025 o número saltou para 14.891 notificações, além de 29 mortes.

A maior concentração foi registrada na América do Norte. Somente em 2025, México, Canadá e Estados Unidos somaram mais de 14 mil casos da doença.

Já em 2026, considerando as primeiras 16 semanas epidemiológicas, entre janeiro e abril, o México registrou mais de 10 mil casos, enquanto os Estados Unidos contabilizaram 1.811 e o Canadá 944 notificações. Juntos, os três países representam cerca de 71% dos registros de sarampo no continente americano neste ano.

Vacinas que protegem contra o sarampo
• Vacina dupla viral (SR);
• Vacina tríplice viral (SCR, VTV ou MMR);
• Vacina tetra viral (SCRV).

Esquema vacinal vigente
• 15 meses a 29 anos: duas doses na vida após um ano de idade;
• 30 a 59 anos: uma dose na vida após um ano de idade;
• Trabalhadores da saúde: duas doses na vida após um ano de idade;
• Dose zero: dose extra para bebês de nove meses a menores de um ano que irão viajar para países-sede da Copa do Mundo.