RESULT

Curitiba articula com BNDES projeto para enterrar fiação elétrica

Prefeito Eduardo Pimentel iniciou tratativas em Brasília para buscar financiamento; projeto deve começar pela Avenida Visconde de Guarapuava, mas ainda enfrenta entraves regulatórios e custos elevados

Por Gazeta do Paraná

🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA
Curitiba articula com BNDES projeto para enterrar fiação elétrica Créditos: Prefeitura de Curitiba

O projeto para retirar postes e levar para o subsolo parte da rede elétrica de Curitiba voltou ao centro do debate nesta segunda-feira (17), durante sessão da Câmara Municipal. Vereadores da base e da oposição destacaram as articulações do prefeito Eduardo Pimentel para viabilizar a iniciativa, que envolve negociações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e depende também de questões regulatórias do setor elétrico.

Segundo o líder do governo na Câmara, Serginho do Posto, a administração municipal trabalha para que Curitiba avance no enterramento da fiação, começando por um projeto que deverá servir de modelo na Avenida Visconde de Guarapuava.

“Esse será um exemplo de Curitiba da possibilidade do enterramento de fiação. Portanto, é um passo muito grande para a cidade”, afirmou Serginho. 

O vereador ponderou, porém, que a iniciativa envolve cifras elevadas e não depende exclusivamente da Prefeitura. Segundo ele, existe um marco regulatório que precisa ser enfrentado, já que a distribuição de energia no município está sob concessão e submetida às regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“São obras vultuosas, do ponto de vista financeiro. Existe uma programação que terá que ser feita”, declarou.

 

BNDES entra na conversa

As tratativas para conseguir recursos também expuseram uma aproximação institucional entre a administração de Eduardo Pimentel e o governo federal.

Durante aparte ao discurso de Serginho, o vereador Ângelo Vanhoni destacou que Pimentel foi recebido em uma agenda que envolveu o BNDES e ressaltou a participação do governo federal nas negociações para financiar o projeto.

Segundo Vanhoni, os estudos para obtenção do financiamento estão sendo iniciados e a intenção é utilizar Curitiba como um primeiro modelo para levar a rede atualmente aérea ao subsolo. 

O próprio Serginho confirmou que Pimentel foi recebido pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e afirmou que as tratativas foram iniciadas. 

Apesar das declarações, não foram apresentados durante a sessão valores estimados para o financiamento, extensão da rede que seria enterrada ou prazo para início das intervenções.

 

Debate ganhou contorno político

Em pleno início da campanha eleitoral, o projeto também abriu espaço para uma discussão sobre a relação entre governos de diferentes campos políticos.

Vanhoni afirmou que existe certa “timidez” em reconhecer a relação de Curitiba com o governo federal e argumentou que repasses e financiamentos devem ocorrer independentemente da posição política das administrações municipais.

Para exemplificar, citou Ponta Grossa, administrada por um grupo político adversário ao PT e alinhado à candidatura de Sérgio Moro ao Governo do Paraná. Segundo o vereador, o município recebeu R$ 17 milhões do governo federal para pavimentação.

“Este é o procedimento da República, é assim que deve fazer. A gente não deve misturar as coisas”, afirmou. 

Serginho respondeu que quem assume a Presidência da República passa a representar o Estado brasileiro e disse considerar bem-vindo o auxílio das diferentes esferas de governo para Curitiba. 

Visconde de Guarapuava pode ser primeiro teste

A Avenida Visconde de Guarapuava aparece como ponto central da proposta. De acordo com Serginho, estudos anunciados pela Prefeitura para a via poderão transformá-la em uma espécie de demonstração da possibilidade de implantação da rede subterrânea em Curitiba. 

Curiosamente, a mesma avenida apareceu mais cedo na sessão por outro motivo. A vereadora Laís Leão apresentou uma sugestão ao Executivo para que o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) reveja a diretriz cicloviária prevista para a revitalização da Visconde de Guarapuava. Ela propõe que a ciclovia seja implantada em uma das laterais da avenida, em vez do canteiro central. 

Assim, o projeto de revitalização da avenida começa a reunir intervenções de grande porte envolvendo mobilidade, urbanismo e infraestrutura.

Por enquanto, entretanto, o enterramento da fiação ainda está na etapa de articulação e estudos. A sessão desta segunda-feira mostrou que existe movimentação política para viabilizá-lo, mas deixou abertas as principais perguntas: quanto custará; quanto o BNDES poderá financiar; qual será a extensão da primeira etapa; quando as obras poderão começar; e como Copel e Aneel participarão do projeto.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp