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CPMI do INSS revela depósitos de R$ 54,9 milhões em “Cidade da Corrupção” e aumenta pressão sobre políticos envolvidos

Fraude, depósitos sem explicação e suspeitas de roubo: CPMI do INSS avança sobre esquema que pode resultar em indenizações milionárias

Por Gazeta do Paraná

CPMI do INSS revela depósitos de R$ 54,9 milhões em “Cidade da Corrupção” e aumenta pressão sobre políticos envolvidos Créditos: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) intensificou seu trabalho de investigação ao apontar depositados no valor de R$ 54,9 milhões em um único mês na conta de um deputado estadual, em um caso que ganhou contornos de suspeita envolvendo movimentação financeira sem explicação coerente com rendimentos lícitos.  

Os dados foram obtidos após quebra de sigilo bancário autorizada pela própria CPMI, que investiga um amplo esquema de fraudes ligadas a descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas, por meio de associações e entidades que tinham acordos formais com o INSS.  

Depósitos suspeitos e foco regional

Segundo a comissão, a movimentação financeira sob análise ocorreu principalmente em junho de 2024 e está vinculada ao deputado estadual Édson Araújo, do Maranhão. O vice-presidente da CPMI, deputado federal Duarte Júnior, afirmou que os valores não encontram justificativa em rendimentos conhecidos ou em atividades empresariais declaradas pelo parlamentar. “Não há explicação plausível para um valor dessa magnitude”, disse o parlamentar à imprensa.  

O episódio ocorreu em um contexto político delicado na cidade de Turilândia (MA) — citada por integrantes da comissão como uma espécie de “cidade da corrupção” após a prisão preventiva do prefeito, da vice-prefeita e de quase toda a Câmara Municipal em dezembro passado, sob acusações de desvio de recursos públicos.  

Convocação e próximos passos

Diante das evidências, a CPMI já articulou a convocação de Édson Araújo para prestar esclarecimentos, com expectativa de oitiva no mês de fevereiro. A comissão quer entender a origem dos depósitos, a eventual conexão com o esquema de fraudes previdenciárias e se houve atuação de intermediários ou empresas para ocultar os fluxos de dinheiro.  

Contexto mais amplo: fraudes e frações bilionárias

O episódio dos depósitos integra um conjunto de investigações que vêm sendo desenvolvidas pela CPMI desde 2025. A comissão pesquisa um suposto esquema que teria utilizado associações — como a Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (Aasap) e outras — para movimentar centenas de milhões por meio de descontos sem autorização dos segurados.  

Em outras frentes, depoimentos já ouvidos apontam que dirigentes de entidades teriam ligações societárias com empresas que realizaram movimentações financeiras suspeitas na ordem de R$ 700 milhões, e a CPMI pretende aprofundar a análise dessas relações.  

Desdobramentos e repercussões políticas

A CPMI também tem sido palco de debates sobre a necessidade de responsabilização de operadores financeiros, intermediários e agentes políticos ligados ao esquema. Em outras etapas da investigação, a comissão aprovou pedidos de quebra de sigilo fiscal e convocação de empresários e autoridades, ampliando o foco para possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.  

Parlamentares integrantes da CPMI destacam que as investigações visam não apenas identificar irregularidades financeiras, mas também restaurar a confiança dos beneficiários do INSS, que podem ter sofrido prejuízos significativos devido a cobranças e descontos indevidos.  

Créditos: Redação com agências Acesse nosso canal no WhatsApp