“Coração aberto”: Flávio pede desculpas a Michelle, nega desrespeito e tenta conter crise no bolsonarismo
Após vídeo da ex-primeira-dama acusando-o de humilhação e desrespeito, senador afirma que nunca ofendeu Michelle Bolsonaro, diz que convite ao diálogo segue de pé e pede foco na derrota do PT
Por Gazeta do Paraná
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O senador Flávio Bolsonaro reagiu na noite desta quarta-feira às declarações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e tentou conter a crise que se instalou no núcleo do bolsonarismo.
Em uma longa manifestação nas redes sociais, Flávio negou ter desrespeitado a esposa de seu pai, pediu desculpas caso tenha sido interpretado dessa forma e afirmou que o momento exige “maturidade, serenidade e unidade”.
“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, escreveu o senador.
A manifestação ocorre horas depois de Michelle publicar vídeos em que afirmou ter sido “maltratada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo enteado, além de acusá-lo de agir de maneira coordenada com os irmãos contra ela.
“Jamais faria isso”
Na publicação, Flávio procurou defender sua trajetória pessoal e política.
“Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, escreveu.
A declaração é uma resposta direta às acusações feitas por Michelle, que relatou ter recebido uma ligação ríspida do senador e ouvido dele que ela deveria se afastar das decisões do Partido Liberal.
Missão dada por Bolsonaro
Outro ponto importante da resposta de Flávio é a tentativa de afastar qualquer ideia de disputa pelo legado político de Jair Bolsonaro.
“Estou cumprindo uma missão designada por Jair Messias Bolsonaro. Todas as minhas decisões sempre são tomadas com o respaldo dele. Sempre!”, afirmou.
A frase rebate indiretamente a narrativa apresentada por Michelle de que determinadas decisões partidárias estariam contrariando a vontade do ex-presidente.
Nos vídeos publicados pela ex-primeira-dama, ela chegou a afirmar que ignorar a candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado seria um “ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro”.
Convite à reconciliação
Embora tenha negado os ataques, Flávio confirmou que tentou se aproximar de Michelle.
Segundo ele, pediu à senadora Damares Alves que organizasse uma reunião com lideranças conservadoras femininas e manifestou interesse em contar com a presença da ex-primeira-dama.
O senador afirmou ainda que ligou pessoalmente para Michelle nesta quarta-feira, mas não obteve retorno.
“Hoje pela manhã, eu mesmo fiz questão de ligar para Michelle e convidá-la, pessoalmente. Fiz mais um gesto não correspondido. Não atendeu. Deixei mensagem. Também não retornou.”
Apesar disso, o parlamentar disse que o convite permanece de pé.
“O convite segue de pé e o coração segue aberto.”
Apelo pela unidade
Na parte final do texto, Flávio procurou minimizar as divergências e afirmou que diferenças de estratégia não significam diferenças de princípios.
“É natural que, em determinados momentos, pessoas comprometidas com o mesmo propósito enxerguem caminhos diferentes para chegar ao melhor resultado. Isso acontece nas famílias, nas empresas e também na vida pública.”
Em seguida, fez um apelo à reunificação do campo conservador.
“O Brasil precisa se livrar de Lula e do PT. Precisamos ter foco nisso.”
Crise exposta
A resposta de Flávio não encerra a crise. Pelo contrário, confirma que o racha entre Michelle Bolsonaro e parte do núcleo político da família deixou os bastidores e se tornou público.
De um lado, a ex-primeira-dama fala em “apunhalada”, “desrespeito” e “traição”. Do outro, o senador pede desculpas, nega qualquer ofensa e faz um apelo à unidade.
Pela primeira vez desde que Jair Bolsonaro deixou a Presidência da República, a disputa por espaço, influência e pelos rumos do bolsonarismo se desenrola diante do público, revelando fissuras que podem ter consequências diretas para a direita brasileira e para as eleições de 2026.
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