Copel amplia hidrelétricas e acerta na geração, mas consumidores ainda cobram melhorias na distribuição
Investimento de R$ 5 bilhões ampliará em 33% a capacidade de geração da Copel, mas consumidores ainda cobram soluções para quedas de energia
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Geraldo Bubniak/AEN
Após anos acumulando críticas de consumidores, produtores rurais e lideranças políticas por falhas no fornecimento de energia elétrica em diversas regiões do Paraná, a Copel anunciou nesta semana um investimento bilionário que, desta vez, recebeu reconhecimento até de setores tradicionalmente críticos à companhia. A estatal privatizada deu início às obras de ampliação das usinas hidrelétricas de Segredo e Foz do Areia, em um projeto de R$ 5 bilhões que promete aumentar em 33% a capacidade de geração de energia da empresa.
O anúncio marca o maior ciclo de expansão da área de geração da Copel nas últimas décadas e representa uma iniciativa estratégica para reforçar a segurança energética do Paraná e do Brasil. As obras devem ser concluídas até 2030 e elevarão a capacidade instalada da companhia dos atuais 6,2 gigawatts para 8,3 gigawatts.
A iniciativa surge em um momento em que a empresa enfrenta uma situação curiosa. Enquanto amplia sua capacidade de produzir energia, continuam frequentes as reclamações sobre a qualidade da energia que chega aos consumidores paranaenses.
Nos últimos anos, moradores de áreas urbanas e rurais têm relatado interrupções prolongadas, demora no restabelecimento do serviço após temporais e dificuldades para atendimento em algumas regiões. Entidades ligadas ao agronegócio, setor altamente dependente de energia elétrica, também têm manifestado preocupação com quedas no fornecimento, especialmente em áreas de produção intensiva.
O contraste entre os investimentos em geração e as cobranças por melhorias na distribuição tem sido alvo de debates. Afinal, produzir mais energia não resolve, por si só, os problemas enfrentados pelos consumidores quando há falhas na rede que leva essa energia até residências, propriedades rurais e empresas.
Ainda assim, o projeto anunciado nesta semana é considerado um passo importante. Na Usina de Segredo, localizada em Reserva do Iguaçu, serão investidos R$ 3,6 bilhões para dobrar a capacidade instalada, passando dos atuais 1.260 megawatts para 2.526 MW. O empreendimento utilizará túneis construídos na década de 1980 durante a implantação da barragem, evitando novas intervenções ambientais significativas.
Já em Foz do Areia, no município de Pinhão, a ampliação custará R$ 1,3 bilhão e elevará a potência da usina de 1.676 MW para 2.536 MW. O projeto aproveitará espaços previstos desde a construção original da hidrelétrica, reduzindo custos e impactos ambientais.
Segundo a Copel, as duas usinas receberão duas novas turbinas cada. A empresa destaca que a ampliação contribuirá para atender momentos de pico de demanda e aumentar a estabilidade do sistema elétrico nacional.
Durante o lançamento das obras, o governador Ratinho Junior afirmou que o investimento garantirá energia limpa e renovável para as próximas gerações. O presidente da Copel, Daniel Slaviero, destacou que os projetos fortalecerão o sistema elétrico brasileiro e valorizarão a engenharia paranaense.
De fato, trata-se de um investimento relevante e que aproveita estruturas já existentes, minimizando impactos ambientais e ampliando a produção de energia sem a necessidade de novos reservatórios. É um movimento que demonstra planejamento de longo prazo e que pode consolidar a posição do Paraná como um dos principais polos de geração hidrelétrica do país.
Mas, para muitos consumidores, a expectativa é que a mesma disposição para investir na expansão da geração também seja acompanhada por ações capazes de resolver problemas mais imediatos. Afinal, de pouco adianta produzir mais energia se parte dos paranaenses continua enfrentando dificuldades para receber um serviço considerado adequado no dia a dia.
A ampliação das usinas pode representar uma boa notícia para o futuro energético do Estado. O desafio da Copel agora é fazer com que esse avanço chegue também à ponta da rede, onde estão os consumidores que seguem cobrando menos promessas e mais qualidade no fornecimento de energia.
