Conselho de Ética admite denúncias contra Eder Borges e debate expõe crise de polarização na Câmara de Curitiba
Reunião desta segunda-feira (22) foi marcada por pedidos de suspeição, críticas ao uso político das redes sociais e pela continuidade de duas representações contra o vereador
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Rodrigo Fonseca/CMC
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba decidiu, nesta segunda-feira (22), dar prosseguimento a duas representações por quebra de decoro parlamentar contra o vereador Eder Borges, em uma sessão marcada por embates processuais, discussões sobre possíveis nulidades e discursos que extrapolaram o caso concreto para abordar a crescente radicalização política no Legislativo curitibano.
Antes mesmo de analisar as representações, os integrantes do colegiado precisaram deliberar sobre novos pedidos de suspeição apresentados pela defesa de Eder Borges contra os vereadores Laís Leão, Pierre Petruzziello e Professor Euler. A alegação era de que os parlamentares já teriam manifestado posicionamentos anteriores capazes de comprometer a imparcialidade do julgamento.
Dos três pedidos, apenas o de Pierre Petruzziello foi acolhido. O vereador, inclusive, reconheceu durante a reunião o desconforto de ser obrigado pelo regimento a votar sobre a própria suspeição.
“Eu nunca vi isso na minha vida”, afirmou, classificando a regra como uma “barbaridade” e defendendo que o regimento da Câmara seja revisto.
Já os pedidos de afastamento de Laís Leão e Professor Euler foram rejeitados pela maioria dos membros do conselho.
Ao justificar seu voto, Laís Leão voltou a afirmar que as sucessivas arguições de suspeição apresentadas pela defesa de Eder Borges lhe pareciam uma tentativa de atrasar os trabalhos do colegiado.
“Me parece uma tentativa de obstrução do conselho”, declarou a vereadora.
Debate sobre polarização
O momento mais marcante da reunião ocorreu durante a manifestação do Professor Euler. Embora tenha considerado inadequada a conduta atribuída a Eder Borges, o parlamentar defendeu que uma eventual punição poderia produzir o efeito contrário ao desejado, ampliando o engajamento político do vereador nas redes sociais.
“O voto não é racional, mas emocional”, afirmou.
Segundo ele, parlamentares de diferentes espectros ideológicos têm transformado o plenário em um palco de provocações e performances destinadas a gerar repercussão digital.
“Fazer sinal de arminha e outras provocações não é política. É criar artifícios para propositadamente gerar cortes e ativar o algoritmo das redes sociais”, disse.
Em um discurso de quase 20 minutos, o vereador ainda sustentou que a radicalização política é um fenômeno presente tanto na direita quanto na esquerda e afirmou que a busca por curtidas e visibilidade tem se sobreposto ao debate de ideias e à resolução dos problemas concretos da população.
Duas denúncias seguem e uma é arquivada
Ao final da sessão, o Conselho de Ética admitiu as representações de números 410/2026 e 435/2026, ambas em face de Eder Borges, que seguirão para instrução e análise de mérito.
Por outro lado, a representação protocolada pelo próprio vereador contra parlamentares de oposição acabou arquivada após um empate em três votos a três. Sem maioria para a admissibilidade, o processo foi encerrado ainda nesta fase inicial.
Na prática, o resultado representa uma derrota política para Eder Borges, que seguirá respondendo a duas representações no Conselho de Ética, enquanto sua tentativa de levar adversários ao mesmo colegiado não prosperou.
Escolha da relatoria gera novo impasse
A reunião ainda foi marcada por uma discussão sobre a escolha do relator do processo.
Inicialmente, o conselho realizou um sorteio para definir a relatoria, mas alguns vereadores questionaram a legalidade do procedimento, argumentando que o regimento interno prevê eleição e não sorteio. Diante da possibilidade de futura nulidade, o procedimento foi anulado e uma nova escolha foi realizada.
Ao final, a vereadora Laís Leão foi eleita relatora do processo e o vereador Jasson Goulart assumiu a vice-relatoria.
Com a definição da relatoria, o processo entra agora em uma nova fase, na qual deverão ser produzidos pareceres e analisado o mérito das acusações envolvendo o vereador Eder Borges. O episódio, contudo, já deixou uma marca política: a percepção, expressa por mais de um integrante do colegiado, de que a Câmara de Curitiba enfrenta uma crise de convivência institucional em meio ao avanço da polarização e da política de enfrentamento permanente.
Créditos: Redação
