Créditos: Waldemir Barreto/Agência Senado
MP do Frete avança no Congresso com mudanças aprovadas por comissão mista
Texto também reforça fiscalização do frete mínimo, prevê pagamento antecipado ao transportador autônomo e segue para votação na Câmara e no Senado
A comissão mista do Congresso Nacional responsável por analisar a Medida Provisória 1.343/2026 aprovou nesta terça-feira (17) o relatório do deputado federal Zé Trovão (PL-SC). Entre as principais mudanças incluídas no texto está a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas empregados no transporte rodoviário de cargas de longa distância.
Como recebeu alterações, a medida provisória foi transformada em um Projeto de Lei de Conversão (PLV) e agora seguirá para votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
A MP foi editada pelo governo federal em março com o objetivo de fortalecer a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.
Uma das principais medidas torna obrigatório o registro de todas as operações de transporte por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), sistema que reúne informações sobre contratante, transportador, origem e destino da carga e valor do frete.
Pela proposta, o sistema deverá impedir a emissão do código quando o valor contratado estiver abaixo do piso mínimo definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Piso nacional e renovação da frota
Além da criação do piso salarial de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância, o parecer amplia as atribuições do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas).
O programa poderá financiar ações voltadas à renovação e modernização da frota, implantação de pontos de parada e descanso, qualificação profissional, inovação tecnológica, segurança viária e melhoria das condições de trabalho dos motoristas.
O texto também cria a Política Nacional Permanente de Renovação da Frota de Veículos de Transporte Rodoviário de Cargas, vinculada ao Procargas.
Outra medida prevê prioridade para transportadores autônomos e cooperativas de transporte no acesso a financiamentos, incentivos e programas públicos destinados ao setor.
Frete deverá ter pagamento antecipado
O relatório estabelece ainda novas regras para o pagamento dos fretes realizados por transportadores autônomos.
Pela proposta, pelo menos 70% do valor contratado deverá ser pago no momento da contratação do serviço. O restante deverá ser quitado em até três dias úteis após a entrega da carga.
O parecer também amplia as informações obrigatórias registradas no Ciot, incluindo a forma e o prazo de pagamento do frete.
Regras para cálculo do piso mínimo
Outra alteração determina que a ANTT publique semestralmente as planilhas e memórias de cálculo utilizadas para definir os valores do piso mínimo do frete rodoviário.
A proposta também detalha a metodologia que deverá ser utilizada pela agência reguladora para atualizar os valores praticados no setor.
A comissão responsável pela análise da medida foi instalada em junho e é presidida pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT). O deputado Zé Trovão atuou como relator da matéria, enquanto o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) exerceu a função de relator-revisor.
