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Gafisa entra na mira da CVM; CEO e outros quatro executivos viram alvo de investigação Créditos: Divulgação

Gafisa entra na mira da CVM; CEO e outros quatro executivos viram alvo de investigação

Autarquia abriu processo sancionador contra cinco executivos da Gafisa por investigações relacionadas a grupamentos de ações; caso segue sob sigilo e ainda será julgado

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo sancionador contra cinco atuais e ex-executivos da Gafisa para apurar possíveis irregularidades envolvendo a administração da construtora. A área técnica do órgão está processando o atual CEO (Luiz Fernando Garzi Ortiz), o diretor de relações com investidores (Aldo di Leta) e três ex-executivos (Felipe Coelho, Guilherme Benevides e Edmar Prado Lopes Neto) da construtora, que teve Nelson Tanure como acionista de referência nos últimos anos.

Segundo informações divulgadas pelo colunista Rennan Setti, de O Globo, o processo teve origem em quatro investigações abertas pela área técnica da CVM ao longo de 2025. O julgamento ainda não tem data para ocorrer.

Os detalhes das acusações ainda não foram divulgados porque o procedimento corre sob sigilo. A principal linha de investigação envolve os grupamentos de ações promovidos pela Gafisa entre 2022 e 2025, incluindo uma assembleia realizada em agosto de 2022 que aprovou o agrupamento das ações na proporção de nove para uma.

O processo sancionador é o instrumento utilizado pela CVM para investigar possíveis infrações à legislação do mercado de capitais. Nessa etapa, os investigados apresentam defesa e, ao final do julgamento, podem ser absolvidos ou sofrer penalidades, como multas, inabilitação para exercer cargos em companhias abertas e outras sanções previstas em lei.

Gafisa também enfrenta outro caso envolvendo Nelson Tanure

O novo processo da CVM amplia a lista de investigações envolvendo a Gafisa. Em outro caso, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou o investidor Nelson Tanure por suposto uso de informação privilegiada em operações envolvendo ações da construtora.

A denúncia, apresentada à 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, ainda será analisada pela Justiça, que decidirá se abre ou não uma ação penal.

Segundo o MPF, Tanure, que foi acionista relevante da Gafisa, teria obtido vantagens financeiras durante a aquisição da incorporadora Upcon, concluída em 2019.

De acordo com a investigação, antes da conclusão do negócio, o empresário teria investido mais de R$ 100 milhões na Upcon por meio da compra de títulos emitidos pela empresa. Com isso, o capital social da incorporadora teria saltado de R$ 10 milhões para R$ 160,8 milhões.

Como a aquisição foi paga com ações da Gafisa, o aumento do capital da Upcon teria elevado a quantidade de papéis recebidos pelo controlador da empresa. Segundo o MPF, essas ações acabaram sendo posteriormente transferidas a Tanure com desconto, configurando vantagem obtida por meio de informação privilegiada.

O Ministério Público afirma ainda que a Gafisa pagou um valor acima do real pela Upcon e que a operação foi estruturada de forma complexa para dificultar a identificação das irregularidades.

Investigação pode prescrever

O MPF destacou que os fatos investigados ocorreram em 2019 e alertou que eventual responsabilização criminal pode prescrever em fevereiro de 2026. Por isso, pediu prioridade na análise do caso pela Justiça.

A denúncia teve origem em uma representação apresentada pela gestora Esh Capital, acionista minoritária da Gafisa.

Além desse processo, outras duas operações envolvendo Tanure continuam sob investigação. Uma delas analisa investimentos da construtora no fundo imobiliário Brazil Realty, investigado pela CVM por supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A outra apura a compra da Wotan Realty, que, segundo o MPF, teria ligação com o empresário sem que essa relação fosse informada ao mercado.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Nelson Tanure pediu que o caso seja enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando conexão com investigações envolvendo o Banco Master que tramitam na Corte.

Em nota, os advogados afirmaram que a denúncia é precipitada e sustentaram que a CVM nunca apontou irregularidades na operação. Também destacaram que a Polícia Federal não encontrou indícios de crime e que a aquisição da Upcon foi aprovada pela maioria dos acionistas da Gafisa após divulgação de fatos relevantes ao mercado.

A Gafisa informou que não é parte da ação judicial, que a atual administração não possui relação com os fatos investigados e que o caso se refere a operações realizadas em 2020. A companhia também afirmou que desconhece procedimentos envolvendo seus acionistas e reiterou o compromisso com a transparência e o cumprimento das normas do mercado de capitais.

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