Cientistas monitoram formação de 'Super El Niño' e alertam para impactos no Paraná
Fenômeno climático deve ganhar força na primavera e no verão e pode provocar aumento das chuvas e maior frequência de tempestades severas no estado até o início de 2027
Créditos: Assessoria
O El Niño, fenômeno climático que influencia o comportamento do clima em diferentes regiões do planeta, começou a atuar em junho no Oceano Pacífico Equatorial e vem se intensificando. Diante desse cenário, cientistas passaram a monitorar a possibilidade de formação de um chamado “Super El Niño”, que pode estar entre os eventos mais intensos já registrados.
De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o fenômeno deve provocar aumento do volume de chuvas no Paraná e elevar a frequência de episódios de tempo severo até o primeiro trimestre de 2027. Entre os principais riscos estão tempestades fortes, chuvas intensas, alagamentos, inundações e enxurradas.
As regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul do Paraná estão entre as áreas que devem registrar os maiores volumes de chuva durante a primavera e o verão. O Simepar também alerta para uma maior frequência de eventos extremos associados às condições atmosféricas.
A expectativa é de que o El Niño alcance intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027. Segundo o Simepar, há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir essa categoria, caracterizada por temperaturas da superfície do mar pelo menos 2°C acima da média climatológica. O período de maior intensidade deve ocorrer especialmente entre outubro e dezembro.
Os efeitos do fenômeno já podem ser observados no Paraná. Segundo os meteorologistas do Simepar, das 45 estações meteorológicas do estado com mais de cinco anos de operação, apenas quatro registraram, em julho de 2026, volume de chuva abaixo da média histórica para o mês: Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba, todas no Leste paranaense.
O estado também vem enfrentando uma sequência de eventos meteorológicos severos, com registros de tornados, vendavais e queda intensa de granizo, que provocaram estragos em diferentes regiões.
Apesar da influência do El Niño sobre os padrões de temperatura e precipitação, o Simepar ressalta que o fenômeno não determina sozinho quando e onde ocorrerão os eventos extremos. A ocorrência de chuvas intensas e tempestades depende também da atuação de sistemas meteorológicos específicos, como frentes frias, áreas de baixa pressão e sistemas semiestacionários.
Por isso, o órgão reforça a importância do acompanhamento diário das previsões do tempo e de suas atualizações, principalmente durante períodos de maior instabilidade.
O que é o El Niño
O El Niño é a componente oceânica do fenômeno conhecido como El Niño-Oscilação Sul, o ENOS. Ele ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que a média climatológica, provocando alterações na circulação atmosférica.
Essas mudanças podem afetar os padrões de temperatura e chuva em várias partes do mundo por meses e, em alguns casos, por períodos mais prolongados.
Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam que o El Niño se fortaleceu no último mês. A temperatura da superfície do mar na principal região de monitoramento já está 1,4°C acima da média.
Além do aquecimento do oceano, também foram observadas alterações na circulação dos ventos na atmosfera, reforçando os sinais de intensificação do fenômeno.
No Paraná, a influência do El Niño deve permanecer até o primeiro trimestre de 2027. Com a possibilidade de um evento de intensidade muito forte, a orientação é manter atenção às atualizações meteorológicas, principalmente diante da previsão de maior frequência de tempestades severas durante a primavera e o verão.
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