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Ensino técnico avança no Paraná e atinge 34% das matrículas do ensino médio em 2026

Dados do Censo Escolar e da Secretaria da Educação apontam expansão da modalidade profissional na rede estadual; novo curso de Inteligência Artificial é aposta para alinhar currículo ao mercado

Ensino técnico avança no Paraná e atinge 34% das matrículas do ensino médio em 2026 Créditos: Lucas Fermin/SEED

O Paraná mantém a expansão da educação profissional na rede estadual e aparece entre os destaques do País, segundo dados do Censo Escolar 2025. O Estado tem a quarta maior proporção nacional de matrículas em cursos profissionalizantes integrados ao ensino médio.

De acordo com o levantamento, 32,9% dos estudantes do ensino médio da rede estadual estão matriculados na modalidade profissional. O índice supera a média nacional, que é de 20,1%, e é o maior da região Sul.

O Censo Escolar é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, vinculado ao Ministério da Educação. A pesquisa reúne dados de cerca de 46 milhões de matrículas em 178,8 mil escolas públicas e privadas do País. Os resultados foram divulgados no fim de fevereiro.

Percentual cresce em 2026

Além dos dados consolidados de 2025, números mais recentes da Secretaria de Estado da Educação do Paraná indicam avanço em 2026. O percentual de alunos matriculados em cursos de educação profissional chegou a 34,63% do total do ensino médio, o que representa aproximadamente 123 mil estudantes.

Atualmente, 804 colégios estaduais ofertam educação profissional, incluindo 31 colégios agrícolas.

Segundo o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a ampliação acompanha as características econômicas de cada região do Estado.

“Em todo o Estado existem vocações econômicas que precisam de mão de obra muito qualificada, seja em tecnologia de dados, no agronegócio, no turismo. Por isso, procuramos sempre criar e atualizar cursos pensando em como preparar os estudantes paranaenses para o mercado, esse é o espírito da educação profissional”, afirmou.

Inserção no mercado de trabalho

O chefe do Departamento de Educação Profissional da Seed-PR, Anderson Canizella, disse que a modalidade tem impacto direto na empregabilidade dos jovens.

Ele afirmou que dados acompanhados pela secretaria indicam que alunos que concluem a formação técnica podem alcançar ganhos salariais significativos no início da carreira.

Canizella destacou que a política estadual prioriza cursos alinhados aos arranjos produtivos locais. Segundo ele, os estudantes podem iniciar a trajetória profissional ainda durante a formação escolar, a partir dos 14 anos, conciliando aprendizado e prática.

“O aumento da procura por cursos de educação profissional na rede estadual é um reflexo desse trabalho, em que associamos a questão pedagógica, com matrizes atualizadas, com a questão do investimento em laboratórios que possam atender as necessidades dos alunos por meio de parcerias com o Sistema S, o Senai e o Senac”, afirmou.

Atualmente, mais de 90% dos alunos que procuram a educação profissional conseguem vaga em algum curso ofertado pela rede estadual. Algumas formações mais recentes, especialmente na área tecnológica, apresentam maior concorrência.

Investimentos e foco regional

A atualização das matrizes curriculares busca manter o conteúdo alinhado às transformações do mercado de trabalho. Regiões como Londrina e Maringá, que concentram empresas de tecnologia, demandam profissionais qualificados na área.

Nos 31 colégios agrícolas, o Estado investe em laboratórios e equipamentos como tratores, drones e colheitadeiras, acompanhando as demandas do agronegócio.

Curso técnico em Inteligência Artificial

Em 2026, o Paraná passou a ofertar o curso técnico em Inteligência Artificial e Dados na rede estadual. A formação está disponível em 32 colégios e atende cerca de 2 mil alunos.

Das vagas ofertadas, 900 foram viabilizadas por meio de parceria com o Sistema S, com 22 turmas pelo Senac e três pelo Senai. O curso é presencial, com aulas práticas em laboratórios de informática.

Integrada ao ensino médio, a formação permite que o estudante conclua simultaneamente a etapa regular e o curso técnico ao longo dos três anos, sem prejuízo ao cumprimento da Base Nacional Comum Curricular.

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