Cenipa divulga hoje relatório final sobre queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas
Documento reúne conclusões da investigação técnica sobre o acidente ocorrido em Vinhedo; apresentação será feita primeiro às famílias das vítimas e depois em coletiva de imprensa
Créditos: Cenipa
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulga nesta quinta-feira (23) o relatório final da investigação sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo. O acidente, registrado em 9 de agosto de 2024, provocou a morte das 62 pessoas que estavam a bordo da aeronave.
Antes da divulgação pública, o órgão fará uma apresentação reservada aos familiares das vítimas. Em seguida, às 17h, investigadores concederão uma entrevista coletiva em Brasília para detalhar as conclusões da investigação.
Relatório reúne análises técnicas
O documento apresenta o resultado da investigação conduzida pelo Cenipa para identificar os fatores que contribuíram para o acidente e propor recomendações voltadas à segurança da aviação.
Durante os trabalhos, os investigadores realizaram diversas perícias e análises técnicas para reconstruir toda a dinâmica do voo.
Entre os procedimentos realizados estão:
- análise das duas caixas-pretas, que registram as conversas na cabine e os dados de voo;
- reconstrução completa do trajeto da aeronave e das ações dos pilotos;
- exames nos motores e nos sistemas de degelo e proteção contra estol;
- avaliação das condições meteorológicas registradas no dia do acidente;
- entrevistas com pilotos, mecânicos, despachantes e familiares dos tripulantes;
- análise de mais de 15 mil voos realizados por aeronaves do mesmo modelo;
- testes em simuladores e um voo experimental com outro ATR 72-500;
Segundo o Cenipa, também foram examinados componentes eletrônicos da aeronave, incluindo equipamentos responsáveis pelo funcionamento de sistemas de bordo e até as lâmpadas dos painéis de instrumentos, para identificar quais estavam acionadas nos momentos que antecederam a queda.
Documento passou por revisão internacional
Antes da divulgação, o relatório foi submetido ao procedimento de revisão previsto pelos protocolos internacionais para investigações aeronáuticas.
O documento foi analisado pelo Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la Sécurité de l'Aviation Civile (BEA), da França, responsável pelo projeto e fabricação do ATR 72-500, e pelo Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, ligado ao desenvolvimento dos motores da aeronave.
Investigação técnica não aponta culpados
O Cenipa reforça que a investigação possui caráter exclusivamente preventivo.
O relatório busca identificar os fatores que contribuíram para o acidente e apresentar recomendações para evitar ocorrências semelhantes, sem atribuir responsabilidades civis ou criminais.
A definição de eventuais responsabilidades cabe às autoridades responsáveis pela investigação criminal.
Polícia Federal também apura o caso
Paralelamente aos trabalhos do Cenipa, a Polícia Federal conduz um inquérito para apurar se houve prática de crimes relacionados ao acidente.
No fim de junho, representantes das famílias tiveram acesso à transcrição das conversas gravadas na cabine da aeronave, documento produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) e incorporado ao inquérito.
As gravações eram aguardadas por familiares e investigadores porque poderiam esclarecer os momentos finais do voo, incluindo possíveis discussões entre os pilotos sobre o funcionamento do sistema de degelo, uma das hipóteses analisadas durante a investigação.
A expectativa é de que a Polícia Federal conclua o inquérito em breve e encaminhe o caso ao Ministério Público Federal (MPF), que poderá avaliar eventuais responsabilizações.
Acidente partiu de Cascavel
O avião envolvido na tragédia era um ATR 72-500, matrícula PS-VPB, que operava um voo entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).
A aeronave caiu no quintal de uma residência em um condomínio de Vinhedo. As 58 pessoas passageiras e os quatro tripulantes morreram. Nenhum morador da casa atingida ficou ferido.
A tragédia é considerada o acidente mais grave da aviação brasileira desde o desastre com o voo da TAM, ocorrido em 2007.
