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Gestão privada, atendimento 100% SUS: Veja o que muda no Hospital de Retaguarda Allan Brame Pinho

Município busca reduzir custos de R$ 3 milhões mensais com concessão de 10 anos. Proposta prevê ampliação da unidade, novos serviços pelo "Opera Paraná" e manutenção integral do atendimento gratuito via regulação estadual

Gestão privada, atendimento 100% SUS: Veja o que muda no Hospital de Retaguarda Allan Brame Pinho Créditos: Divulgação

A Prefeitura de Cascavel lançou um novo edital para conceder à iniciativa privada a gestão do Hospital de Retaguarda Allan Brame Pinho, em uma tentativa de reduzir os custos mensais da unidade, hoje estimados em cerca de R$ 3 milhões, pagos integralmente pelo município. A sessão pública da licitação está marcada para o dia 14 de maio de 2026, às 9h, em formato eletrônico, e a empresa vencedora só deverá assumir a gestão após a conclusão das obras em andamento no hospital, previstas para os próximos meses.

A proposta prevê a concessão onerosa do hospital por um período de 10 anos, permitindo que uma empresa assuma toda a administração da unidade, incluindo gestão financeira, contratação de equipes e organização dos serviços hospitalares. Em contrapartida, o contrato estabelece o pagamento de uma outorga mensal mínima de R$ 65 mil, que deverá ser reinvestida na própria estrutura do hospital. Ao longo do período, o valor total estimado chega a R$ 7,8 milhões.

Além das exigências estruturais, o edital também estabelece critérios técnicos rigorosos para a escolha da empresa, com pontuação baseada na experiência prévia em gestão hospitalar, número mínimo de leitos administrados e capacidade operacional comprovada. A seleção não será definida apenas pelo maior valor de outorga, mas por uma combinação entre técnica e preço. Segundo a Secretaria de Saúde, o modelo busca garantir a contratação de uma instituição com alto nível de especialização. A empresa também poderá firmar contratos com o Governo do Estado para ampliar o financiamento da unidade, especialmente por meio de programas complementares ao SUS. A expectativa da prefeitura é que, com esse modelo, o hospital passe a ter maior sustentabilidade financeira ao longo dos anos, reduzindo a dependência exclusiva dos recursos municipais e ampliando a capacidade de atendimento regional.

Segundo o secretário, o modelo também prevê metas obrigatórias de investimento, que deverão ser cumpridas pela empresa vencedora ao longo do contrato. Esses aportes incluem melhorias estruturais, aquisição de equipamentos e modernização da unidade, podendo ser realizados de forma mensal ou concentrados em obras maiores, desde que aprovados pelo município.

Atendimento seguirá pelo SUS

Apesar da mudança na gestão, a Prefeitura afirma que não haverá alteração no modelo de atendimento, que continuará sendo integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Vai continuar 100% SUS”, reforçou Haidar.

O hospital seguirá inserido na lógica da regulação estadual, o que garante o atendimento a pacientes de diferentes municípios da região, conforme a disponibilidade de vagas e a necessidade assistencial.

De acordo com o secretário, a principal mudança não será percebida de forma imediata pela população, mas sim ao longo do tempo, com melhorias na estrutura e na organização dos serviços.

“Para a população, não há um impacto significativo imediato. A população ganha em investimentos na estrutura do hospital”, afirmou.

Ampliação e nova tentativa de concessão

O novo edital foi publicado após uma primeira tentativa frustrada de concessão, que não atraiu interessados.

“Essa licitação já foi lançada uma vez e deu deserta”, disse Haidar.

Para tornar o projeto mais atrativo, a Prefeitura promoveu mudanças no modelo, principalmente com a ampliação da estrutura do hospital e a inclusão de um centro cirúrgico.

A unidade deve passar de 60 para 95 leitos, com a criação de novas enfermarias e ampliação da capacidade de atendimento. Também estão previstas melhorias internas e readequações físicas.

“A gente vai entregar um hospital com 95 leitos totais, um hospital mais robusto”, afirmou.

A implantação do centro cirúrgico é considerada estratégica, pois permite que a unidade acesse programas como o Opera Paraná, que complementa os valores pagos pelo SUS e aumenta a capacidade de geração de receita.

“Agora a gente entende a importância do centro cirúrgico para gerar receitas para o hospital”, explicou o secretário.

Gestão privada e justificativa

Com a concessão, a empresa vencedora assumirá integralmente a gestão do hospital, incluindo contratações, compras e organização dos serviços. A Prefeitura argumenta que o setor privado possui maior capacidade de negociação e eficiência operacional.

“A gente não tem o poder de compra de uma empresa que gerencia vários hospitais”, afirmou Haidar.

Ele também destacou limitações do modelo atual, especialmente em relação ao Consamu, que participa da gestão da unidade.

“A expertise do Consamu é o atendimento de urgência e emergência”, disse.

Segundo o secretário, a mudança busca garantir maior eficiência, redução de custos e melhoria na qualidade do atendimento.

Funcionários sem garantia

Um dos pontos mais sensíveis da concessão envolve a situação dos trabalhadores. De acordo com o secretário, não há garantia de que os atuais funcionários permanecerão após a mudança de gestão.

Os profissionais atualmente vinculados ao Consamu poderão ser remanejados ou ter seus contratos reavaliados, a depender do modelo adotado pela empresa vencedora.

O Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Cascavel (Sindesauvel) informou que acompanha o processo de concessão do hospital. Em nota, a entidade destacou que, independentemente da empresa vencedora, deverão ser respeitados os direitos trabalhistas dos profissionais contratados.

Segundo o sindicato, a futura concessionária deverá observar o instrumento coletivo da categoria, que regulamenta as condições de trabalho dos empregados do setor.

Novos serviços e exigências

O contrato prevê a implantação de serviços específicos, com financiamento do município, como um ambulatório de trauma e a manutenção de plantões com anestesistas para garantir a realização de cirurgias.

Além disso, a empresa terá metas obrigatórias de investimento ao longo dos anos. Após um período inicial de adaptação, será exigida, por exemplo, a implantação de uma sala de tomografia e melhorias estruturais contínuas.

O valor da outorga, que pode superar o mínimo previsto conforme a proposta vencedora, deverá ser integralmente aplicado na modernização do hospital.

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