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Capoeira inclusiva: conheça o método que transformou o esporte em terapia para crianças com deficiência em Cascavel

Formado em pedagogia e pós-graduado em neuropsicopedagogia, mestre Naldo Fernandes relata que o seu despertar foi quando, em uma de suas aulas, encontrou um aluno com autismo que mudou totalmente seu rumo na profissão

Por Valéria Mendes

Capoeira inclusiva: conheça o método que transformou o esporte em terapia para crianças com deficiência em Cascavel Créditos: toda disciplina

 Capoeira: cultura brasileira que mistura história, ritmo e dança. Pensando em ampliar o acesso à arte, o mestre Naldo Fernandes, abriu um projeto, em 2022, chamado “Capoeira Inclusiva”, que visa ensinar crianças e adolescentes com deficiências físicas e cognitivas. Essa atitude transformou a luta em terapia e fez com que os alunos tivessem não só evoluções na mobilidade física, mas também no convívio social.

 Formado em pedagogia e pós-graduado em neuropsicopedagogia, o professor relata que o seu despertar foi quando, em uma de suas aulas, encontrou um aluno com autismo e percebeu sua determinação. Essa experiência mudou totalmente seu rumo na profissão. A partir daí, se questionou sobre a falta de projetos dentro da capoeira para crianças e adolescentes dentro do espectro. Assim começou uma jornada de estudos aprofundados em neurodesenvolvimento, psicomotricidade e neurociência.

 Desses estudos, nasceu o Método Capoeira Neuropsicopedagógica com foco no desenvolvimento global infantil. O projeto conseguiu espaço no Centro Esportivo Ciro Nardi, onde ocorriam aulas gratuitas. O mestre conheceu crianças fora do espectro autista com diferentes condições, como Síndrome de Down e também pacientes com deficiência motora. Por questões financeiras e de locomoção, o projeto se tornou itinerante. Não havia um local fixo, por isso as terapias continuaram conforme oportunidades de espaço apareciam.

 Com o tempo, a atividade conectou histórias e construiu amizades. Naldo ressaltou que as mães foram parte fundamental, ajudando a tomar decisões e sendo rede de apoio umas com as outras, o que resultava em momentos divertidos entre as famílias, como as tardes do cachorro quente ou festas em datas comemorativas. 

 Os resultados das aulas de capoeira logo apareceram em um aluno com dificuldade motora, Benício, de 7 anos, que possui a Síndrome de Fanconi, distúrbio raro nos túbulos proximais dos rins que causa a perda excessiva de substâncias essenciais, (como glicose, fosfatos, aminoácidos e bicarbonato — na urina) e por conta de complicações renais, nasceu sem a ossificação dos ossos do quadril. No início, o menino realizava as atividades no colo do professor e com o tempo foi se sentindo seguro para ir ao tatame. Depois de oito meses, aconteceu a primeira apresentação pública de capoeira, em uma praça no centro de Cascavel. Benício se apresentava segurando as mãos do mestre, mas em um momento, ele se soltou e realizou um movimento giratório com equilíbrio em um só apoio. Hoje a criança joga bola, anda de bicicleta e vive com autonomia graças às séries de tratamentos e profissionais dedicados. 

“Por isso, afirmo com convicção que a capoeira é um poderoso recurso terapêutico. Se clínicas investirem nessa área, poderão alcançar excelentes resultados, pois, além de atuar diretamente na psicomotricidade, a capoeira também envolve elementos da musicoterapia e contribui indiretamente com outras áreas”, afirmou o mestre. 

                                 

 Hoje em dia, Mestre Naldo está trabalhando em uma clínica em Balneário Camboriú. Ainda com o propósito de levar a capoeira até as crianças com deficiência, está estudando Terapia Ocupacional e aperfeiçoando cada vez mais o método. 

 Ieda Prado, mãe do Benício, também tem uma filha com TEA (Transtorno do Espectro Autista), Alícia, de 10 anos, que obteve melhoras nos sintomas do espectro, como em sua socialização e noção de espaço. Ainda ressaltou a importância do tratamento em prol da qualidade de vida das crianças: “As crianças depois que passaram pela capoeira se apaixonaram pelo esporte. Foi o primeiro esporte que Benício fez. Hoje em dia, eles fazem outras atividades, como natação e judô. A capoeira foi um estímulo”.

 O grupo continua unido, realizando encontros e servindo como uma rede de apoio. Os resultados do Método Capoeira Neuropsicopedagógica permanecem no dia a dia das crianças, como um ponta pé para novas atividades. 

 

                                   

 

Créditos: Valéria Mendes Acesse nosso canal no WhatsApp