“Café com Pinga”: cantora paranaense aposta no rap caipira para contar histórias do Brasil
Entre a roça e a metrópole, cantora paranaense apresenta álbum que aproxima dois gêneros marcados pela tradição de contar histórias
Créditos: Divulgação
Na próxima quinta-feira (18), a cantora paranaense Luli lança nas plataformas digitais o álbum “Café com Pinga”, trabalho composto por oito faixas autorais que exploram o chamado rap caipira. O projeto vai além da mistura de estilos musicais aparentemente distantes: aproxima universos diferentes e, muitas vezes, incomunicáveis. A proposta da artista é reunir gerações e linguagens distintas em torno da mesma caixa de som.
“O que esses dois gêneros têm em comum é que contam histórias, com começo, meio e fim. Falam sobre temas profundos. Há muitas modas de viola que abordam desigualdade social, êxodo rural e mecanização, além das tradicionais histórias de amor. O rap também faz isso. Existe uma semelhança na forma de narrar essas histórias”, explica a artista sobre a origem do trabalho.
O desafio de unir o rap à música caipira pode parecer improvável, mas surge de forma natural para Luli. O caminho criativo do álbum reflete a própria trajetória da cantora, de 28 anos, marcada por diferentes experiências culturais e musicais.
“Eu sempre quis aproximar todas as versões de mim mesma em uma coisa só. Às vezes sinto que transito por diferentes bolhas e ilhas de comunicação, e queria entender qual era o fio que ligava tudo isso. E esse fio é contar histórias”, afirma.
Nascida em uma família de lavradores e pequenos agricultores, Luli cresceu na comunidade de Poço Azul, no interior de Barbosa Ferraz, município com cerca de 11 mil habitantes na região Centro-Ocidental do Paraná. Seus pais continuam vivendo no sítio da família e trabalham com a produção de laticínios.
A trilha sonora de sua infância foi marcada pela viola caipira e pelo sertanejo, gêneros predominantes no ambiente rural. Sua formação musical também foi influenciada por estilos ligados à cultura popular brasileira, como forró, xote, vanerão gaúcho e marchinhas.
Na adolescência, a artista teve os primeiros contatos com o rap por meio de parentes e das descobertas feitas na internet. Mais tarde, ao ingressar no curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ampliou ainda mais suas referências culturais e musicais.
Foi no ambiente universitário que Luli se aproximou do movimento estudantil e das discussões sobre valorização da cultura negra, fortemente representada na cena do rap urbano. A artista passou pelas batalhas de rima realizadas em praças e ruas, construindo sua identidade como MC.
Hoje radicada em São Paulo, a cantora apresenta em “Café com Pinga” uma síntese dessa trajetória.
“Inconscientemente, eu sempre quis juntar a Luana de Barbosa Ferraz com a Luli de Londrina e que agora também é de São Paulo”, resume.
O álbum é resultado de um projeto aprovado pela Lei Aldir Blanc em 2025 e conta com apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura.
Este é o segundo trabalho de estúdio da artista. Em 2021, ela lançou o single “Disparo”. Já em 2024, apresentou o álbum “Pede Agô”, com dez faixas que abordam temas como racismo, gênero, desigualdade social e religião.
Serviço
Lançamento do álbum “Café com Pinga”
Data: 18 de junho de 2026
Onde ouvir: Plataformas digitais de música
Foto: Divulgação
