Créditos: Claudio Neves/Portos do Paraná
Guerra fecha Estreito de Ormuz: Veja a nova rota do governo para salvar a safra brasileira
Diante do bloqueio do Estreito de Ormuz pelo conflito entre Israel/EUA e Irã, o Ministério da Agricultura oficializou nesta quinta (26) um corredor logístico via Turquia
O setor agropecuário brasileiro poderá manter o fluxo de exportações para o Oriente Médio e a Ásia Central por meio de uma rota alternativa via Turquia. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (26) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, após acordo que viabiliza um novo corredor logístico diante do fechamento do Estreito de Ormuz, afetado pela guerra no Oriente Médio.
A medida tem como objetivo evitar prejuízos ao escoamento da produção brasileira, especialmente para mercados estratégicos dessas regiões.
Com o novo arranjo, a estrutura portuária da Turquia passa a operar como ponto central para redistribuição das cargas. Dessa forma, os produtos brasileiros podem seguir viagem sem a necessidade de atravessar o Golfo Pérsico, área diretamente impactada pelo conflito.
Embora já fosse utilizada por parte dos exportadores, a rota ganhou relevância com o agravamento da crise e a interrupção de uma das principais vias marítimas do mundo.
Na prática, o acordo amplia a flexibilidade logística do setor. As cargas poderão cruzar o território turco ou permanecer armazenadas temporariamente até o embarque ao destino final.
Segundo o Ministério da Agricultura, a iniciativa busca garantir maior previsibilidade ao comércio exterior brasileiro em um cenário de instabilidade nas rotas internacionais.
Em nota, a pasta destacou que a estratégia reforça a atuação do governo federal para assegurar a continuidade das exportações agropecuárias, mesmo diante das restrições impostas pelo conflito.
Regras sanitárias exigem adaptação
A ampliação do uso da rota pela Turquia também trouxe exigências adicionais. O país passou a adotar regras sanitárias mais rigorosas, especialmente para produtos de origem animal sujeitos a controle veterinário.
Para viabilizar o trânsito das mercadorias, o governo brasileiro negociou a criação de um Certificado Veterinário Sanitário específico. O documento permite tanto a passagem quanto o armazenamento temporário das cargas em território turco antes do envio final.
De acordo com o ministério, a medida garante o cumprimento das exigências sanitárias locais e evita interrupções no comércio internacional.
Estreito de Ormuz tem impacto estratégico
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do planeta, responsável por conectar o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. A região é estratégica para o transporte global de petróleo e também de produtos agropecuários.
O bloqueio da passagem tem impacto direto no comércio internacional e acende um alerta no agronegócio brasileiro, não apenas pelas exportações, mas também pela dependência de insumos importados.
Dependência de fertilizantes preocupa
O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na produção agrícola, sendo que entre 20% e 30% do comércio global desses insumos passa pela região afetada pelo conflito.
A interrupção da rota eleva o risco de desabastecimento e pressiona os custos de produção, o que pode comprometer a produtividade nas próximas safras.
Segundo o Ministério da Agricultura, a criação da rota alternativa é uma resposta estratégica para mitigar esses impactos e preservar a competitividade do agronegócio brasileiro.
“A medida confere mais segurança e previsibilidade aos exportadores brasileiros em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do Ministério da Agricultura para manter o comércio agropecuário brasileiro em funcionamento”, destacou a pasta em nota.
