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Sanepar: confira a lista de depósitos de R$5mil feitos na conta do PSD

Conversa citam Claudio Stabile, ex-presidente da Sanepar e tesoureiro da campanha de Ratinho Junior, como articulador da arrecadação

Sanepar: confira a lista de depósitos de R$5mil feitos na conta do PSD Créditos: Geraldo Bubniak/AEN

Gravações de áudio obtidas por nossa reportagem indicam a existência de um suposto esquema de arrecadação de recursos para o PSD (Partido Social Democrático) envolvendo funcionários da Sanepar. As conversas sugerem que empregados da companhia teriam sido coagidos a realizar depósitos financeiros ao partido, inclusive com o uso de nomes de terceiros, os chamados “laranjas”.

Os diálogos são atribuídos a Diego, identificado como coordenador da Sanepar, e Wellington Bedeu, ex-funcionário da Sanepar. 

Depósitos de R$ 5 mil e vínculo com o PPR

De acordo com os áudios, os repasses teriam ocorrido logo após o pagamento do Programa de Participação nos Resultados (PPR) da Sanepar - benefício este, que pode variar entre R$ 18 mil e R$ 20 mil por empregado, conforme metas atingidas. Segundo relatos, cerca de R$ 5 mil desse valor deveriam, obrigatoriamente, ser repassados ao partido por funcionários que ocupavam cargos de coordenação ou gestão.

Em um dos trechos, Diego afirma que os depósitos poderiam ser facilmente identificados pela quantidade de valores idênticos enviados à conta partidária. “É só colocar no processo para eles verificarem o tanto de depósito de R$ 5 mil que caiu na conta do partido”, diz.

Conversas indicam ainda que os pagamentos não deveriam ser identificados nominalmente, o que, segundo os interlocutores, teria levado ao uso de terceiros para efetuar os depósitos.

Lista da corrupção na Sanepar

A Gazeta do Paraná teve acesso exclusivo a duas listas internas de movimentações financeiras atribuídas a pessoas ligadas ao partido PSD, referentes aos anos de 2022 e 2023.

A lista de 2022, concentra um volume elevado e atípico de depósitos no valor exato de R$ 5.000, realizados principalmente entre os meses de junho, julho, agosto e setembro, um período eleitoral. A repetição dos valores e a concentração temporal chamam atenção e levantam questionamentos sobre a origem dos recursos e o padrão das contribuições.

Já a lista de 2023 aponta a continuidade de repasses ao partido, também em grande quantidade, porém com uma diferença relevante: diversos lançamentos não trazem a identificação do depositante, sendo registrados com a indicação de “resgate automático”. O que significa esse tipo de operação? Trata-se de depósitos sem identificação formal do doador? A origem desses registros é um dos pontos que passam a ser questionados a partir da análise dos documentos.

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Papel atribuído ao ex-presidente da Sanepar

Nos áudios, o ex-presidente da Sanepar, agora atual diretor-presidente da Fomento Paraná, Claudio Stabile, é citado como o principal articulador do esquema. Segundo os relatos, ele teria autorizado e coordenado a arrecadação junto a diretores, gerentes-gerais (GGs) e coordenadores da companhia.

Claudio Stabile foi tesoureiro da campanha do governador Ratinho Junior nas eleições de 2022, ano em que o chefe do Executivo estadual foi reeleito pelo PSD. As conversas sugerem que a arrecadação teria ocorrido após o término do processo eleitoral, já no ano seguinte.

“Acabou a eleição, veio o PPR, depositou o PPR e já tinha que depositar o valor”, relata Diego em um dos trechos, indicando que o pagamento do benefício teria sido usado como base para a cobrança.

Convites, eventos e restrições

As conversas também fazem referência a eventos presenciais associados ao partido, incluindo jantares e almoços organizados em datas próximas aos repasses financeiros. Embora os interlocutores demonstrem incerteza quanto ao calendário exato das atividades, ambos confirmam que os encontros ocorreram e reuniram funcionários da companhia.

Em um dos trechos, Diego relata lembrar da presença de coordenadores regionais, citando especificamente um representante de Umuarama, além de mencionar que teria visto registros fotográficos do evento. Segundo ele, as imagens mostrariam a participação do deputado federal Reinhold Stephanes, vice-líder do PSD na Câmara dos Deputados à época.

A presença de um parlamentar em evento mencionado nas conversas reforça a percepção de que os encontros tinham caráter político-partidário, e não apenas institucional ou administrativo. Nos áudios, também há menção de que apenas filiados ao partido poderiam participar livremente, enquanto outros funcionários eram obrigados a adquirir convites, mesmo sem comparecer.

Esses relatos ampliam os indícios de que os valores repassados, em especial os depósitos padronizados de R$ 5 mil, estariam associados à compra compulsória de convites para eventos do partido, prática que, se confirmada, pode caracterizar financiamento irregular e coação de servidores.

Espaço aberto

A Gazeta do Paraná tenta contato com a Sanepar e o com o partido PSD para manifestação sobre o conteúdo das gravações e aguarda posicionamento oficial.

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