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Alep reage a episódio no Conselho de Ética e restringe acesso às reuniões após atitude de vereador de Curitiba

Deputados de diferentes correntes criticam atuação de Guilherme Kilter e presidente da Casa anuncia medidas para evitar novos episódios

Por Gazeta do Paraná

Alep reage a episódio no Conselho de Ética e restringe acesso às reuniões após atitude de vereador de Curitiba Créditos: Reprodução


O fim da sessão desta terça-feira (10) na Assembleia Legislativa do Paraná foi marcado por um raro momento de convergência entre parlamentares de diferentes correntes políticas. Deputados reagiram ao episódio ocorrido no dia anterior durante reunião do Conselho de Ética, que envolveu o vereador de Curitiba Guilherme Kilter e provocou críticas generalizadas dentro do plenário.

O assunto foi levado à tribuna pelo deputado Luiz Cláudio Romanelli, que afirmou que a deputada Márcia Huçulak foi desrespeitada durante o episódio e classificou a situação como um caso de violência de gênero. Ao mencionar a presença do vereador na reunião, Romanelli criticou o comportamento que, segundo ele, teve como objetivo gerar repercussão nas redes sociais. “Esse cidadão veio aqui com um telefone celular para dizer que os deputados e deputadas não estavam cumprindo o seu papel nessa Casa de Leis”, afirmou. Para o deputado, o episódio representou uma tentativa de exploração política do ambiente institucional. “Não pode alguém vir aqui unicamente para fazer política eleitoreira e lacrar na internet”, declarou.

A deputada Márcia Huçulak também se manifestou e relatou ter se sentido ofendida com o episódio ocorrido na comissão. Segundo ela, o comportamento do vereador extrapolou os limites do debate político. “Eu me senti aviltada”, afirmou. A parlamentar disse ainda que a situação foi constrangedora e atingiu sua atuação na comissão. “Foi humilhante o que aconteceu ontem na comissão de ética”, declarou.

A reação também partiu da oposição. O líder da bancada, deputado Arilson Chiorato, sugeriu que a Assembleia adote providências institucionais contra o vereador. “Nós temos que ter postura aqui. Eu quero propor que a Assembleia represente na Câmara Municipal o vereador de Curitiba”, afirmou. Para ele, a atitude representou desrespeito à instituição. “Aqui é preservação da instituição, do legado que essa Casa representa para o Estado do Paraná”, disse.

O deputado Renato Freitas, que também esteve presente na reunião do Conselho de Ética, afirmou que foi alvo de provocações durante o episódio e classificou a situação como absurda. “Eu achei um absurdo um jovem se jogando na minha frente e dizendo repetidas vezes ‘me bata, me bata’”, afirmou. Para o parlamentar, o comportamento teria sido uma tentativa de provocar conflito dentro da Casa. “Pessoas que são incapazes de discutir política vêm aqui cavar uma falta para ganhar um pênalti”, declarou.

Mesmo parlamentares que costumam divergir politicamente também criticaram o episódio. O deputado Ricardo Arruda afirmou que o comportamento estaria relacionado à busca por visibilidade nas redes sociais. “Esse vereador já veio aqui outras vezes fazer videozinho para ganhar curtida na internet”, disse.

Outro deputado que se manifestou foi Denian Couto, que atualmente é adversário político de Renato Freitas no Conselho de Ética. Couto criticou uma publicação do vereador nas redes sociais e afirmou que a informação divulgada é falsa. “Há uma fake news escrita no post do vereador quando ele diz que o deputado Renato Freitas escapa do Conselho de Ética”, afirmou. Segundo o parlamentar, o processo disciplinar continua tramitando normalmente. “Isso não é verdade. O deputado está sendo processado dentro daquilo que disciplina o nosso regimento”, declarou.

Diante da repercussão do episódio, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, anunciou que a Mesa Executiva da Casa irá analisar o caso e discutir medidas institucionais. Ele informou que uma providência imediata já foi tomada para evitar novos episódios semelhantes. “Já determinei à Casa Militar que nas próximas reuniões do Conselho de Ética só está autorizada a entrada dos deputados e dos assessores”, afirmou.

Curi disse ainda que a decisão busca preservar o funcionamento da Assembleia e evitar que o espaço institucional seja utilizado para disputas políticas nas redes sociais. “Essa Casa tem obrigação de reagir a agressividades como essa”, declarou.

O episódio acabou gerando uma convergência incomum entre parlamentares de esquerda, centro e direita, que se uniram em defesa do funcionamento institucional da Assembleia Legislativa e do respeito às prerrogativas do parlamento.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp