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Áudios: Cláudio Stabile chantageou Ratinho para se manter no cargo

Novos áudios vazados revelam cobranças por gastos de campanha, relatos de chantagem envolvendo o governador Ratinho Junior e ameaças diretas ao ex-secretário de Saúde Beto Preto, ampliando a crise na Sanepar

Por Gazeta do Paraná

Áudios: Cláudio Stabile chantageou Ratinho para se manter no cargo Créditos: Ratinho e Cláudio Stabile

A divulgação de novos áudios ligados ao escândalo da Companhia de Saneamento do Paraná trouxe à superfície não apenas disputas internas, mas ameaças explícitas e cobranças diretas envolvendo o governador Ratinho Junior e o secretário de Saúde Beto Preto. Nas gravações, o tom é de ruptura e acerto de contas. “É tudo farinha do mesmo saco, vou chutar o pau da barraca, eles que me aguardem”, diz uma das vozes logo no início, ao anunciar que não pretende mais manter silêncio.

O conteúdo foi tornado público pelo deputado estadual Arilson Chiorato, que afirma ter recebido o material recentemente. Ao apresentar o áudio, ele contextualiza a crise acumulada na estatal: a falta de água, o aumento de reclamações e uma sequência de escândalos.

No centro dessa narrativa aparece Cláudio Stabile, ex-presidente da Sanepar, apontado como o dirigente que teria confrontado diretamente o Palácio Iguaçu. Em um dos trechos mais sensíveis, uma voz relata bastidores do governo: “Ouvi falar no gabinete que o governador ameaçou tirar o Cláudio e que o Cláudio chantageou o governador. Eu ouvi isso lá dentro, tá?”. A fala segue com uma suposição que amplia a gravidade do episódio: “Diz que o Cláudio chantageou o governador pra continuar no cargo. Deve ser com a história dos dinheiros das empreiteiras, né?”.

A pergunta que se impõe, diante desse relato, permanece sem resposta oficial: o que Cláudio Stabile saberia sobre Ratinho Junior para se sentir em condições de ameaçá-lo? Fontes ouvidas pela Gazeta do Paraná afirmam que a relação entre ambos pode ter raízes anteriores ao atual governo, ainda no período em que Carlos Massa Ratinho Junior era deputado estadual. À época, Stabile ocupava um cargo de confiança na Assembleia Legislativa, onde – segundo fontes - transitava pelos gabinetes de Ratinho e Guto Silva (também deputado na época). Segundo essas fontes, a convivência naquele ambiente político pode explicar o grau de intimidade revelado nas ameaças - hipótese que, até agora, não foi esclarecida publicamente. Funcionários da Assembleia indicam que o caso pode ter relação com rachadinhas que ocorriam dentro da casa legislativa.

Os áudios também escancaram cobranças por apoio financeiro em campanhas eleitorais. Em tom de frustração, um dos interlocutores afirma ter arcado com despesas do próprio bolso sem receber retorno político. “Se quisesse ter me ajudado, já tinha… o Bedeu. Aquele Tiago também, gastei na campanha daquele cara lá na outra passada, quarenta e sete mil e quarenta e nove do meu bolso, cara. Era pra mim ter colocado de assessor dele aí um tempo”, diz, antes de anunciar a ruptura: “Eu vou chutar o pau da barraca, eu vou falar que não precisa mais não”. Bedeu já havia sido mencionado em áudios anteriores, detalhados em matérias da Gazeta do Paraná. Já Tiago, pode se referir a Tiago Amaral, que até ser eleito prefeito de Londrina - nas últimas eleições - era deputado estadual.

É nesse contexto de ressentimento que surgem as ameaças direcionadas a Beto Preto. Em um dos trechos mais contundentes, a voz afirma: “Eles me aguardem, que até o Beto Preto vai rodar. Eu vou ferrar até com a vida do Beto Preto, que eu tenho prova aqui pra derrubar”. A gravação não detalha o teor dessas supostas provas, mas o recado é claro: a crise extrapola a Sanepar e alcança outras áreas estratégicas do governo.

 

Nos bastidores políticos, há quem associe essas ameaças a contratos firmados na área da saúde, envolvendo hospitais e prestadores de serviço em diversas regiões do Paraná durante a gestão de Beto Preto. Não há, até o momento, documentos públicos que confirmem essa ligação. Ainda assim, o fato de o nome do ex-secretário surgir de forma direta e ameaçadora nos áudios amplia a dimensão do escândalo.

Ao final da divulgação, Chiorato cobra explicações públicas do governador e anuncia que pretende acionar órgãos de controle. “A gente vai tomar providências cabíveis e caminhar pra Polícia Federal, Tribunal de Contas, Ministério Público Eleitoral e outros”, afirma. E conclui com um apelo direto: “Ratinho, sai da toca, venha a público. Conta pra gente que raio que tá havendo na Sanepar”.

 

Entre falas truncadas, ameaças explícitas e cobranças por lealdades políticas, os áudios revelam um cenário em que antigos aliados afirmam deter informações sensíveis e se dizem dispostos a usá-las como arma. As perguntas centrais seguem abertas: que fatos sustentam essas ameaças, quem mais os conhece e por que tudo isso emerge agora? Enquanto essas respostas não vêm, o que os chantagistas dizem - e insinuam saber - permanece como um dos pontos mais obscuros e inquietantes da crise que envolve a Sanepar e o núcleo do governo paranaense.

Escute os áudios abaixo!

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp