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Alfredo Gaspar oferece DNA à PGR após acusação e campanha de Flávio Bolsonaro tenta conter desgaste eleitoral

Vice da chapa presidencial protocolou representação pedindo exame genético para rebater denúncia de suposto estupro de vulnerável; acusadores mantêm versão e dizem que provas foram entregues à Polícia Federal

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Alfredo Gaspar oferece DNA à PGR após acusação e campanha de Flávio Bolsonaro tenta conter desgaste eleitoral Créditos: Divulgação

A campanha do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou nesta quinta-feira (6) uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para disponibilizar material genético do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido um dia antes como candidato a vice-presidente da chapa. A medida busca rebater uma acusação de suposto estupro de vulnerável e demonstrar, segundo a defesa, a inocência do parlamentar.

Além do protocolo na PGR, a equipe da campanha convocou uma coletiva de imprensa para tratar do caso. A iniciativa faz parte da estratégia do Partido Liberal (PL) para evitar que a denúncia provoque desgaste político durante a disputa eleitoral.

Segundo os advogados da campanha, Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, o exame de DNA poderá afastar qualquer dúvida sobre a acusação. No documento enviado à PGR, a defesa afirma que Alfredo Gaspar está à disposição para uma nova coleta de material genético, caso seja considerada necessária.

"Caso a PGR entenda que é necessária nova coleta de material genético, está à disposição para assim proceder. Basta marcar dia, hora e local. O que não se pode é esperar mais. É imperioso que o confronto genético ocorra o mais rápido possível", diz trecho da representação.

Entenda a acusação

A denúncia foi apresentada em março deste ano pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), durante os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS.

Na ocasião, Alfredo Gaspar era relator da comissão e havia apresentado um relatório que pedia o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parecer acabou rejeitado.

Segundo os parlamentares, Gaspar teria estuprado uma adolescente de 13 anos há cerca de oito anos. A jovem teria engravidado e dado à luz uma criança que atualmente teria oito anos. Eles afirmam ainda que a avó da criança foi registrada como mãe do bebê para ocultar a identidade da adolescente.

Lindbergh e Soraya também alegam que encaminharam à Polícia Federal conversas, documentos e outras informações que apontariam uma tentativa de compra de silêncio da suposta vítima. Segundo eles, um intermediário teria realizado um pagamento de R$ 70 mil e negociado outros R$ 400 mil para impedir a divulgação do caso.

Os parlamentares solicitaram à PF investigação sob sigilo, preservação das provas, identificação do suposto intermediário, apuração dos pagamentos e inclusão da vítima e de testemunhas em programa de proteção.

Até o momento, as supostas provas permanecem sob sigilo e não foram divulgadas publicamente.

Defesa afirma que denúncia é baseada em caso envolvendo primo

Alfredo Gaspar nega as acusações e sustenta que houve confusão entre sua história e a de um primo, Maurício César Brêda Filho.

Segundo a defesa, o caso citado pelos acusadores diz respeito a um relacionamento mantido pelo primo com uma mulher adulta em Alagoas. Dessa relação nasceu uma filha, cuja paternidade foi posteriormente confirmada por exame de DNA realizado em 2014.

A equipe do deputado também apresentou um vídeo gravado pela própria filha reconhecida, Lourilene Pereira da Silva, no qual ela afirma nunca ter sido vítima de estupro e declara não conhecer Alfredo Gaspar.

"Ressalto que não sou fruto de estupro algum, nem conheço pessoalmente o Alfredo Gaspar. É muito triste comparar, por eles serem primos e terem o mesmo sobrenome, uma história descabida", afirma ela no vídeo divulgado pela defesa.

Soraya Thronicke contestou essa versão nas redes sociais. Segundo a senadora, o material apresentado trata de um caso diferente daquele que motivou a denúncia encaminhada à Polícia Federal.

Campanha cita ausência de inquérito

Na representação apresentada à Procuradoria-Geral da República, a defesa argumenta que Lindbergh Farias e Soraya Thronicke fizeram a acusação sem apresentar provas públicas.

Os advogados afirmam que toda a narrativa se baseia em informações recebidas de terceiros e em capturas de tela cuja origem e autenticidade, segundo eles, não foram comprovadas.

Outro argumento utilizado é que a PGR não instaurou inquérito contra Alfredo Gaspar, limitando-se à abertura de um procedimento preliminar. Para a campanha, essa decisão demonstraria que não foram identificados elementos suficientes para a abertura de uma investigação criminal.

Apesar disso, a defesa sustenta que a denúncia provocou uma "mancha permanente sobre a honra" do deputado e afirma que o exame de DNA poderá esclarecer definitivamente os fatos.

Durante a entrevista concedida nesta quinta-feira, Alfredo Gaspar voltou a defender a realização imediata do teste.

"Estou implorando: façam um DNA. Estou aqui com meu DNA disponibilizado. Me ajudem", declarou.

Questionado sobre a possibilidade de um acordo com Lindbergh Farias caso o parlamentar retirasse a acusação, Gaspar respondeu que não pretende aceitar qualquer negociação.

PL diz confiar na inocência

O coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o caso não será explorado nas peças de propaganda eleitoral da chapa.

Segundo ele, a campanha possui "absoluta convicção" da inocência de Alfredo Gaspar e acredita que a denúncia não deverá provocar impactos eleitorais.

Nos bastidores, porém, integrantes do partido relataram que o PL realizou diversas verificações antes de confirmar o nome do deputado como candidato a vice-presidente, justamente para avaliar os possíveis efeitos políticos da acusação.

Enquanto isso, a investigação segue em fase preliminar nos órgãos competentes. Até o momento, não há denúncia criminal aceita pela Justiça nem decisão judicial sobre o mérito das acusações.

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