Alep corre para liberar R$ 10 milhões a empresas de Rio Bonito do Iguaçu
Líder do governo cobra aprovação imediata e alerta que emendas ou pedidos de vista podem atrasar socorro por semanas; oposição sinaliza apoio diante do impacto econômico no município
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Roberto Dziura/AEN
A Assembleia Legislativa do Paraná entrou em regime de urgência para tentar aprovar já nesta terça-feira (14) o projeto que autoriza a liberação de R$ 10 milhões em subvenção econômica para empresas de Rio Bonito do Iguaçu, município atingido por calamidade pública após desastre recente. A movimentação escancarou, em plenário, uma articulação política incomum: pressão da base para votação imediata e sinalização de apoio da oposição.
O alerta partiu do líder do governo, deputado Hussein Bakri, que foi direto ao ponto ao pedir que o projeto não sofra qualquer interferência durante a tramitação. “O que pode atrapalhar é o seguinte: todo mundo tem direito a fazer emenda? Tem. Todo mundo tem direito a pedir vistas? Tem. Mas se fizer, não vota em menos de três semanas e nós vamos sofrer”, afirmou, em tom de urgência.
Bakri deixou claro que o objetivo do Executivo é garantir que o recurso chegue rapidamente às empresas atingidas, sem passar por mudanças no texto. O projeto prevê repasse direto a micro, pequenas e médias empresas dos setores de comércio, serviços e indústria, numa tentativa de reativar a economia local.
“Amanhã nós pretendemos aprovar […] um recurso do Fundo de Calamidades para atender as empresas de Rio Bonito do Iguaçu, diretamente no caixa”, disse o deputado, ao destacar que a proposta busca dar fôlego imediato aos empresários.
A pressa tem explicação. Segundo o próprio líder do governo, o calendário também joga contra. “Semana que vem nós temos o feriado que vai atrapalhar um pouco esse evento”, afirmou, ao justificar a necessidade de votação imediata.
Economia pressionada e fuga de renda
O impacto econômico da calamidade foi reforçado pelo deputado Professor Lemos (PT), que, apesar de ser da oposição, endossou o apelo do governo e indicou apoio à aprovação rápida da proposta.
“Esse projeto aqui precisamos aprovar, porque ele vai somar-se àquilo que já foi feito […] é para que as empresas possam retomar a sua vida normal, para ofertar de novo os empregos à população”, afirmou.
Lemos foi além ao descrever o cenário vivido pelo município após o desastre. “A população está indo comprar nos municípios vizinhos e não fica renda […] então precisa ser socorrida”, disse, apontando o risco de esvaziamento econômico prolongado.
O deputado também resgatou a atuação anterior da própria Assembleia diante da tragédia. “Quando o tornado chegou em Rio Bonito […] a Assembleia Legislativa já estava lá no outro dia bem cedo […] e aprovamos leis importantes para ajudar a reconstrução”, lembrou.
Pressão política e controle do texto
Apesar do clima de convergência, a fala de Bakri evidencia uma linha clara traçada pelo governo: o projeto precisa ser aprovado como está. Ao pedir que parlamentares não apresentem emendas ou solicitem vistas, o líder governista, na prática, tenta blindar o texto de qualquer alteração.
O movimento não é trivial. Em condições normais, esses instrumentos fazem parte do debate legislativo e permitem ajustes, questionamentos e negociações. Ao desestimular seu uso, o governo aposta no argumento da urgência para acelerar a tramitação e manter o controle sobre a distribuição dos recursos.
Teste de alinhamento na Alep
A votação prevista para esta terça-feira deve funcionar como um teste de coesão política dentro da Assembleia. De um lado, a base governista pressiona por agilidade e tenta evitar qualquer atraso. De outro, a oposição, mesmo com espaço para tensionar o debate, opta por não criar obstáculos diante da gravidade da situação.
O episódio revela um raro momento de alinhamento entre governo e oposição, impulsionado pela necessidade de resposta rápida a uma crise local. Ainda assim, o discurso de urgência também expõe o quanto o Executivo depende do ritmo político da Casa para transformar promessa em recurso efetivo.
Créditos: Redação
