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Relatório alerta para El Niño e aponta falhas na Defesa Civil de cidades do PR Créditos: Gilson Abreu/AEN

Relatório alerta para El Niño e aponta falhas na Defesa Civil de cidades do PR

Levantamento do Ministério Público de Contas (MPC-PR) revela que desastres afetaram 4,5 milhões de pessoas; apenas 30% dos municípios têm estrutura mínima de proteção contra o clima

Os impactos provocados por eventos climáticos extremos geraram prejuízos estimados em R$ 32 bilhões no Paraná entre 2015 e 2025. No período, foram registradas 5.923 ocorrências relacionadas a fenômenos como estiagens, tempestades, vendavais e tornados, afetando cerca de 4,5 milhões de pessoas em 397 dos 399 municípios paranaenses.

Os dados fazem parte do 3º Relatório de Estruturas de Proteção e Defesa Civil do Paraná, divulgado nesta terça-feira (2) pelo Ministério Público de Contas do Paraná (MPC-PR), órgão que atua junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR).

A divulgação ocorre no mesmo dia em que a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou para a possibilidade de um forte episódio de El Niño em 2026, com reflexos previstos a partir do segundo semestre deste ano.

O levantamento integra uma série de três relatórios que somam quase mil páginas e analisam a capacidade de resposta dos municípios paranaenses diante de desastres naturais. Segundo o procurador-geral do MPC-PR, Gabriel Guy Léger, coordenador do estudo, o trabalho busca reforçar a importância da defesa civil como política pública permanente.

De acordo com ele, o objetivo é incentivar os municípios a fortalecerem suas estruturas locais de proteção e defesa civil, aprimorar a gestão de informações, elaborar planos de contingência e ampliar as ações preventivas voltadas à população.

O estudo é considerado o primeiro levantamento estadual a analisar individualmente a situação dos 399 municípios paranaenses. Para isso, foram utilizados dados fornecidos pela Coordenadoria Estadual da Defesa Civil do Paraná (Cedec-PR), reconhecida nacionalmente pela atuação na área.

Estrutura municipal preocupa

As informações mais recentes, repassadas pela Defesa Civil Estadual em abril deste ano, apontam fragilidades na estrutura de proteção e defesa civil dos municípios.

Segundo o relatório, apenas 121 cidades, o equivalente a 30,3% do total, possuem a estrutura mínima considerada completa, com coordenador municipal, diretor operacional e secretário de defesa civil formalmente designados.

Outros 159 municípios, cerca de 39,8% do total, contam apenas com coordenador municipal nomeado, sem a indicação dos demais cargos avaliados pelo estudo.

No panorama geral, 278 municípios ainda não possuem as três funções preenchidas simultaneamente. Além disso, duas cidades não tinham nenhum servidor oficialmente designado para atuar na área de defesa civil.

Mais de 2 mil áreas de risco mapeadas

O relatório também mostra que o Paraná possui 2.052 áreas de atenção identificadas pela Defesa Civil Estadual.

Desse total, 873 áreas estão sujeitas a inundações e alagamentos, com potencial de afetar aproximadamente 78 mil residências e 473 mil pessoas.

Outras 645 áreas apresentam risco relacionado a enxurradas e eventos hidrológicos intensos, envolvendo cerca de 30 mil residências e 253 mil moradores.

Já 534 áreas estão associadas a deslizamentos de terra, com impacto potencial sobre aproximadamente 13 mil imóveis e 138 mil pessoas.

O levantamento ainda identificou 390 registros de ocorrências em áreas classificadas como críticas em 112 municípios paranaenses. Entre elas, estão 67 áreas de inundação, 69 áreas de deslizamento e 254 áreas de alagamento.

Os dados reforçam o cenário de vulnerabilidade climática do Paraná, considerado uma das regiões com maior incidência de eventos severos no país e apontado por especialistas como integrante de um dos principais corredores de tornados do planeta.

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