Abaixo-assinado contra binário mobiliza moradores e coloca Praça do Country no centro da discussão em Cascavel
Moradores resgatam mobilização iniciada em 2020, citam decisão judicial e colocam Praça do Country no centro de abaixo-assinado contra o binário retomado pela prefeitura em 2026
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Prefeitura de Cascavel
Um abaixo-assinado online contra o projeto do binário Manaus/Belém, em Cascavel, tem mobilizado moradores e ambientalistas e colocado a Praça do Country no centro da discussão. A petição pede a revisão da proposta e alerta para impactos ambientais e urbanísticos em uma das áreas mais arborizadas da região.
O texto da mobilização sustenta que a abertura do binário pode resultar na supressão de áreas verdes ligadas ao entorno da praça, com risco de desmatamento, perda de cobertura vegetal consolidada e impactos sobre nascentes próximas, consideradas relevantes para o equilíbrio hídrico local.
Movimento resgata histórico de 2020
O abaixo-assinado também traz um histórico da resistência ao projeto. Moradores e comerciantes das proximidades das ruas Manaus, Pedro Américo e Rio Grande do Norte, nos bairros Country, Cancelli e Canadá, afirmam que a mobilização não é recente.
Segundo o documento, em 2020 foi entregue à prefeitura um abaixo-assinado com mais de 1.500 assinaturas. Na mesma época, uma notícia de fato foi aberta junto ao Ministério Público.
Ainda de acordo com os organizadores, em 16 de setembro de 2020 houve recomendação judicial para que a administração realizasse estudo prévio de impacto ambiental e relatório de impacto ambiental, com base no artigo 225 da Constituição Federal. À época, afirmam os moradores, o município teria indicado que o projeto não seria executado, o que teria interrompido o avanço da discussão.
Retomada em 2026 reacende mobilização
O novo abaixo-assinado surge após a retomada do projeto em 2026. Os organizadores afirmam que a divulgação recente do binário nas mídias reativou a mobilização popular.
O documento sustenta que a obra pode atingir áreas de preservação permanente próximas a nascentes, além de implicar desapropriações, canalizações de cursos d’água, construção de galerias pluviais e alterações viárias profundas, como alargamento de ruas e construção de pontes.
Outro ponto levantado é o custo da intervenção. Para os moradores, a discussão deveria considerar alternativas que conciliem mobilidade e preservação ambiental.
Praça do Country vira símbolo do embate
A centralidade da Praça do Country transformou o debate em algo mais amplo do que mobilidade urbana. Para os organizadores, a área representa um patrimônio ambiental e de convivência, cuja descaracterização poderia causar perda permanente para a cidade.
O texto menciona ainda a atuação de moradores e comerciantes ligados ao projeto comunitário “Vizinhos Solidários”, que defendem a abertura de diálogo com o poder público. A proposta, segundo o abaixo-assinado, é discutir soluções que conciliem segurança, planejamento urbano e preservação ambiental.
Licitação prevê projeto de mais de R$ 1,1 milhão
Apesar da mobilização, o processo administrativo segue em andamento. Documentos oficiais mostram que o Instituto de Planejamento de Cascavel abriu concorrência eletrônica para contratar o projeto executivo do binário, com orçamento estimado em R$ 1.152.013,99. O edital prevê elaboração em metodologia BIM e a interligação das avenidas Manaus e Belém com outras vias estruturais da cidade.
A sessão pública está prevista para março e, nesta fase, a contratação refere-se ao projeto executivo — etapa anterior à execução da obra.
Créditos: Redação
