Trump diz que não pretende receber Flávio Bolsonaro, mas autoriza permanência nos EUA
Presidente americano afirma que senador pode ficar no país pelo tempo que quiser, mas descarta encontro; declaração ocorre após governo dos EUA sinalizar que não pretende apoiar contestação à vitória de Lula
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (31) que não tem planos de se encontrar com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil após ser derrotado nas eleições presidenciais. Apesar de descartar uma reunião, o republicano declarou que o parlamentar pode permanecer em território americano pelo tempo que desejar.
A declaração foi dada a jornalistas no clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, durante as comemorações de Halloween. Questionado sobre a possibilidade de receber Flávio, Trump respondeu que não havia encontro previsto, mas voltou a afirmar que considera injusto o tratamento dispensado ao senador brasileiro.
“Não tenho planos de me encontrar com ele, mas acho que foi tratado muito mal. Muito mal. Então ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser”, declarou o presidente americano.
Ao ser perguntado se havia conversado com Flávio Bolsonaro, Trump não confirmou qualquer contato direto. Em vez disso, repetiu que o brasileiro poderia permanecer nos Estados Unidos e voltou a questionar o processo eleitoral brasileiro.
“Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha”, afirmou.
A declaração ocorre em meio às tentativas de Flávio Bolsonaro de contestar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no último domingo (25). Após deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos, o senador divulgou uma carta na qual se apresentou inicialmente como o verdadeiro presidente eleito do país. Posteriormente, o documento foi alterado, substituindo a expressão por uma referência à condição de líder brasileiro.
As alegações de fraude eleitoral feitas pelo senador não foram acompanhadas de provas.
Casa Branca evita endosso
A decisão de Trump de não marcar um encontro com Flávio ocorre após informações de que o governo americano não pretende reconhecer o senador como representante legítimo do Brasil nem apoiar sua tentativa de contestar o resultado das urnas.
Na sexta-feira (30), a agência Reuters informou, com base em relatos de uma autoridade americana e de outra pessoa familiarizada com o assunto, que Trump não tinha planos de respaldar as ambições políticas do brasileiro.
As fontes ressaltaram que a posição poderia mudar, mas indicaram que a Casa Branca buscava evitar uma nova crise diplomática com o governo Lula.
Na quarta-feira (28), Trump já havia declarado que não pretendia se envolver na iniciativa do senador. Questionado sobre a carta em que Flávio reivindicava a Presidência, afirmou que os Estados Unidos haviam autorizado sua entrada, mas não tomariam parte na disputa.
O presidente americano tem questionado publicamente a condução da eleição brasileira, embora não tenha apresentado provas de irregularidades. Ao mesmo tempo, afirmou que mantém uma boa relação com Lula e que não havia apoiado formalmente nenhum dos candidatos durante a campanha.
A postura estabelece uma diferença entre permitir a permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos e oferecer reconhecimento político às suas reivindicações.
Entrada autorizada
Flávio Bolsonaro chegou a Miami na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil por uma rota que passou pela Argentina. A viagem ocorreu após uma decisão judicial que determinou a entrega de seu passaporte no âmbito de uma investigação conduzida pela Polícia Federal.
Segundo informações publicadas pela Reuters, autoridades americanas discutiram os procedimentos legais para permitir a entrada do senador e de sua família. A autorização foi concedida por meio de um mecanismo migratório temporário conhecido como parole humanitária.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou neste sábado que o governo dos Estados Unidos não participou diretamente da organização da viagem.
“Não facilitamos nada”, declarou Rubio, ao ser questionado sobre a saída do senador brasileiro.
De acordo com o secretário, Flávio já possuía visto e Trump decidiu autorizar sua entrada no país. A afirmação contrasta com relatos publicados anteriormente pela Reuters sobre a participação de aliados do presidente americano nos preparativos da viagem.
A autorização migratória, contudo, não representa concessão automática de asilo político nem garante permanência indefinida. O prazo e as condições de estadia dependem das regras migratórias americanas e das decisões das autoridades competentes.
Relação com Lula
A posição de Trump também ocorre em um momento de tentativa de reorganização das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Apesar das críticas do presidente americano à eleição brasileira, Washington não anunciou o reconhecimento de Flávio Bolsonaro como vencedor nem apresentou medidas formais para questionar o resultado.
Segundo a Reuters, integrantes do governo americano avaliam que o apoio explícito à reivindicação do senador poderia provocar uma nova crise com Brasília.
O governo brasileiro, por sua vez, mantém o reconhecimento do resultado eleitoral que garantiu a reeleição de Lula.
A relação entre os dois países atravessou períodos de tensão nos últimos anos, especialmente em razão de disputas comerciais e divergências sobre decisões do Judiciário brasileiro. A possibilidade de retomar negociações econômicas e preservar os canais diplomáticos é um dos fatores considerados na atual conjuntura.
A presença de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos acrescenta um novo elemento a essa relação, sobretudo porque o senador continua contestando publicamente o resultado da eleição.
Sem reunião prevista
A declaração de sábado é a manifestação mais direta de Trump sobre a possibilidade de receber pessoalmente o senador brasileiro desde sua chegada aos Estados Unidos.
Embora tenha reiterado críticas à eleição e autorizado a entrada de Flávio, o presidente americano não anunciou qualquer iniciativa diplomática em favor da contestação eleitoral apresentada pelo parlamentar.
A ausência de um encontro previsto também não significa rompimento político entre Trump e a família Bolsonaro, com quem mantém relações há anos. Indica, neste momento, que a Casa Branca não pretende transformar a permanência do senador em uma agenda presidencial oficial.
Para Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil após a derrota eleitoral e passou a reivindicar legitimidade política a partir do exterior, a declaração estabelece um limite ao apoio publicamente oferecido pelo governo americano.
Trump garante que o senador pode permanecer nos Estados Unidos, mas não confirma contato direto, não agenda reunião e não reconhece sua reivindicação de liderança sobre o Brasil.
Matérias relacionadas
Vídeo mostra violência no Centro de Pato Branco e moradores cobram mais policiamento
Quase 30 mil famílias aguardavam Bolsa Família no Paraná enquanto programa movimenta R$ 438 milhões por mês
Canabidiol ainda é privilégio de quem pode pagar? Lei Pétala avança no Paraná, mas famílias enfrentam barreiras para obter tratamento
Pacientes que cruzam fronteiras para usar o SUS desafiam financiamento da saúde em Foz do Iguaçu
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.