Sandro Alex promete manter legado de Ratinho Junior, mas TCE aponta problemas em contratos
Candidato do PSD apresenta gestão atual como referência para seu projeto ao Governo do Paraná, enquanto auditorias e decisões do TCE-PR apontam questionamentos sobre contratos, preços e execução de obras estaduais
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O candidato do PSD ao Governo do Paraná, Sandro Alex, defende que sua candidatura representa a continuidade da gestão do governador Ratinho Junior. Ao mesmo tempo, contratos e obras realizados durante a atual administração foram alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).
Em publicação de 18 de setembro, Sandro Alex afirmou que defende “a garantia da continuidade de Ratinho Junior”. Na mesma declaração, citou a Ponte de Guaratuba e obras rodoviárias como exemplos do trabalho realizado pelo grupo político. A declaração foi publicada no site da campanha.
Os questionamentos do TCE-PR envolvem situações diferentes e não significam, por si só, que houve superfaturamento em toda a gestão. Em alguns casos, o Tribunal apontou possíveis sobrepreços ou pagamentos acima do devido. Em outros, houve correções durante a execução ou recomendações aos órgãos responsáveis.
Ponte de Guaratuba tem R$ 14,8 milhões sob questionamento
A Ponte de Guaratuba é um dos principais exemplos. Auditoria da 5ª Inspetoria de Controle Externo do TCE-PR identificou sete achados relacionados à execução do contrato da obra.
A equipe técnica apontou um possível valor de R$ 14,84 milhões em pagamentos acima do que considerava devido. Os apontamentos envolvem serviços como apoio náutico, alteamento de linha de transmissão, aterro estaqueado, alargamento da ponte, contenções e demolições.
O caso tramita no processo 41084/26 e envolve o contrato 162/2022, firmado entre o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) e o Consórcio Nova Ponte. O contrato tem como objeto a construção da ponte e seus acessos entre Matinhos e Guaratuba.
Em documentos apresentados ao TCE-PR, o DER-PR contestou os apontamentos e afirmou que houve um erro operacional no envio inicial de documentos técnicos. O órgão também defendeu a regularidade dos aditivos. O consórcio responsável pela obra contestou os questionamentos.
O processo ainda está em tramitação. Portanto, os valores apontados pela auditoria não representam uma condenação definitiva nem significam que o Estado tenha sido condenado a devolver os R$ 14,84 milhões.
A própria Gazeta do Paraná mostrou em julho que o TCE-PR poderia determinar uma revisão financeira do contrato da Ponte de Guaratuba após a conclusão da obra.
Outros contratos também foram questionados
Os apontamentos do TCE-PR não se restringem à Ponte de Guaratuba.
Na Ceasa de Foz do Iguaçu, uma fiscalização identificou inicialmente R$ 37.326,33 em possível superfaturamento na contratação de reparos estruturais do Pavilhão C. O caso envolveu uma duplicidade na aplicação de custos indiretos.
Em 2022, o TCE-PR reconheceu sobrepreço e subcontratação ilegal no processo e determinou a restituição de R$ 46.296,33, valor relacionado aos dois problemas apontados. O caso ainda previa possibilidade de recurso.
Outro exemplo está na PRC-466, entre Guarapuava e Palmeirinha. O TCE-PR apontou sobrepreço na escavação e pagamentos por serviços que não teriam sido executados. Durante a execução do contrato 87/2024, o DER-PR corrigiu os problemas apontados, com uma economia informada de R$ 580.074,04.
Na contratação para a unidade escolar Jardim dos Pássaros, em Araucária, o Acórdão 1657/2026 apontou sobrepreço relacionado à climatização e aos custos indiretos. O processo foi julgado parcialmente procedente e resultou em recomendações, sem aplicação de sanção.
São situações diferentes e com resultados processuais distintos. Por isso, os casos não podem ser tratados como se fossem um único episódio de superfaturamento.
Licitações rodoviárias tiveram sobrepreço apontado pelo TCE
Em 2024, o TCE-PR suspendeu duas licitações do DER-PR destinadas à conservação de rodovias. Os editais somavam aproximadamente R$ 5,5 bilhões.
Entre os problemas identificados estava a utilização de preços de insumos asfálticos acima dos valores de referência da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A fiscalização estimou inicialmente um possível sobrepreço de R$ 308,1 milhões.
O valor não corresponde a dinheiro comprovadamente pago de forma indevida. Tratava-se de uma estimativa de sobrepreço nos orçamentos dos editais.
Durante a análise, os cálculos foram revisados após manifestações do DER-PR. Mesmo com os critérios tributários apresentados pelo órgão, a equipe técnica apontou que permanecia uma sobre-estimativa, embora em valor menor.
O caso mostra a diferença entre uma estimativa de sobrepreço em uma licitação e um dano efetivamente comprovado aos cofres públicos.
Planilha registra obras paralisadas
Outro ponto relacionado à gestão estadual é a existência de obras classificadas como paralisadas em uma planilha da Secretaria das Cidades com referência em maio de 2026.
A relação incluía, entre outras, a sede do Batalhão de Polícia de Fronteira, em Marechal Cândido Rondon; a sede do Corpo de Bombeiros, em Pato Branco; o Conselho Tutelar de Guarapuava; o Centro de Socioeducação; unidades de ajuda humanitária; intervenções na sede administrativa do DER; a Ciretran de Cambará e a Delegacia de Delitos de Trânsito de Curitiba.
Também apareciam intervenções no Hospital Regional do Litoral e no Núcleo de Entomologia de Porto Rico.
A lista, porém, tem uma limitação importante: ela retrata a situação registrada em maio e não permite afirmar que todas as obras continuavam paralisadas em outubro.
Em junho, o governo estadual reconheceu que a relação estava desatualizada e informou que faria uma revisão técnica. A administração atribuiu parte das paralisações ao descumprimento de obrigações por empresas contratadas.
A Secretaria de Estado da Saúde também informou que algumas das intervenções citadas, como as do Hospital Regional do Litoral e do Núcleo de Entomologia, já haviam sido concluídas.
O que está em debate
Sandro Alex deixou o cargo de secretário de Estado da Infraestrutura e Logística em abril de 2026 e passou a disputar o Governo do Paraná pelo PSD. O decreto de exoneração registra que a saída ocorreu a pedido, a partir de 3 de abril.
Durante a campanha, ele passou a apresentar sua candidatura como continuidade da gestão Ratinho Junior e citou obras de infraestrutura como parte desse legado.
Os documentos do TCE-PR acrescentam outro elemento ao debate: a necessidade de avaliar como foram executados contratos, aditivos e obras durante a gestão.
No caso da Ponte de Guaratuba, por exemplo, a obra é apresentada pela campanha como símbolo de entrega, mas o contrato continua sob análise do Tribunal de Contas por questionamentos financeiros.
Os processos ainda têm manifestações e recursos em andamento. Portanto, os apontamentos dos órgãos de controle devem ser tratados como parte da fiscalização dos contratos, e não como condenações definitivas.
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