Relatório da PF aponta indícios de investimento de Jaques Wagner no Banco Master e cita supostas vantagens
Documento da Polícia Federal, tornado público pelo STF, aponta indícios de investimentos do senador Jaques Wagner no Banco Master e apura supostas vantagens econômicas ligadas a ex-sócios da instituição; parlamentar nega irregularidades
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Um relatório da Polícia Federal (PF) encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) realizou investimentos no Banco Master e teria recebido vantagens econômicas ligadas a ex-sócios da instituição financeira. O documento, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça na quinta-feira (30), integra as investigações da Operação Compliance Zero.
Segundo a PF, o nome do senador aparece em uma lista de clientes do Banco Master com aplicação em Certificado de Depósito Bancário (CDB). As mensagens analisadas pelos investigadores indicam um investimento de R$ 167.298, que teria alcançado R$ 194.897,19 após atualização.
O relatório é classificado pela Polícia Federal como preliminar e baseado em indícios, sem conclusão definitiva sobre eventual prática de crimes.
Investigação apura supostas vantagens
Além do investimento financeiro, a investigação aponta que Jaques Wagner pode ter recebido benefícios do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, incluindo uso de aeronaves, ingressos para eventos e um apartamento de luxo.
De acordo com a PF, essas vantagens estariam relacionadas à atuação do senador em temas de interesse do banco no Congresso Nacional. Os investigadores afirmam que parte dos benefícios teria sido repassada por meio de empresas, fundos de investimento e pessoas ligadas aos investigados.
O relatório também investiga se Wagner atuou na tramitação de projetos legislativos que poderiam favorecer a instituição financeira.
Senador nega irregularidades
Nesta sexta-feira (31), Jaques Wagner afirmou estar tranquilo em relação às investigações e disse ter certeza de que conseguirá comprovar sua inocência.
Em entrevista à Rádio Baiana FM, o senador declarou que o inquérito ainda está em andamento e afirmou estar concentrado na campanha eleitoral.
"O inquérito evidentemente demora um tempo. Agora, estou de olho na eleição. Temos dois meses para ela acontecer, e sábado vai ser a nossa convenção com a presença do Lula", disse.
O parlamentar também comentou que deixou a liderança do governo no Senado após ser alvo da operação da Polícia Federal.
"Deixei a liderança para não contaminar, para não perturbar", afirmou.
Segundo Wagner, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve apoio ao senador após o avanço das investigações.
Operação Compliance Zero
As apurações fazem parte da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master.
A investigação começou na Justiça Federal de Brasília em novembro de 2025 e passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal em dezembro do mesmo ano devido ao foro por prerrogativa de função de autoridades investigadas.
O inquérito está atualmente sob relatoria do ministro André Mendonça.
Ao longo das dez fases da operação, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens contra executivos do banco e outros investigados. Entre os alvos estiveram o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o próprio Jaques Wagner.
Investigações continuam
A Polícia Federal segue apurando se houve pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos em troca de favorecimento ao Banco Master.
Até o momento, o relatório tornado público pelo STF reúne elementos considerados preliminares pela investigação. O caso permanece em tramitação no Supremo Tribunal Federal, e as apurações continuam para verificar a eventual responsabilidade dos investigados.
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