Quase 40% das competências profissionais devem mudar até 2030, aponta Fórum Econômico Mundial
Transformações no mercado reforçam a importância da formação contínua; para Zaki Akel Sobrinho, do Conselho do CIEE/PR, estágio e aprendizagem ajudam a aproximar conhecimento e prática
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Concluir uma graduação já não significa encerrar a preparação para o mercado de trabalho. Com o avanço da inteligência artificial e as mudanças nos modelos de negócio, profissionais enfrentam a necessidade de atualizar conhecimentos e desenvolver habilidades ao longo de toda a carreira.
O tamanho desse desafio aparece no Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial. Segundo o levantamento, os empregadores estimam que, em média, 39% das competências atuais dos trabalhadores serão transformadas ou ficarão desatualizadas entre 2025 e 2030. A pesquisa reúne a perspectiva de mais de mil empregadores, que representam mais de 14 milhões de trabalhadores em 55 economias.
O percentual se refere à mudança nas habilidades utilizadas no trabalho, e não à proporção de profissionais que perderão o emprego. O relatório também aponta que 63% dos empregadores consultados consideram as lacunas de competências uma barreira importante à transformação dos negócios.
Para o professor e ex-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Zaki Akel Sobrinho, integrante do Conselho do Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE/PR), esse cenário exige uma revisão da maneira como a formação profissional é compreendida.
“Quando tecnologias, modelos de negócio e profissões mudam em velocidade crescente, concluir uma formação não pode significar estar formado para sempre”, afirma, em artigo divulgado pela instituição.
Aprender passa a fazer parte da carreira
Akel defende o chamado lifelong learning, ou aprendizagem ao longo da vida. Nessa perspectiva, a formação deixa de ser uma etapa concentrada antes da entrada no mercado e passa a acompanhar a trajetória profissional.
O desafio, segundo ele, vai além do domínio de ferramentas digitais. Embora conhecimentos em inteligência artificial, análise de dados e cibersegurança ganhem espaço, o desenvolvimento profissional também depende de capacidades humanas, como criatividade, flexibilidade, resiliência e liderança.
“O profissional do futuro será aquele que conseguirá trabalhar com as novas tecnologias sem abrir mão das competências humanas que permitem interpretar problemas, tomar decisões e criar soluções”, avalia.
Para o professor, as instituições de ensino precisam construir modelos mais flexíveis e conectados aos problemas da sociedade, capazes de preparar os estudantes para continuar aprendendo depois da conclusão de um curso.
Estágio e aprendizagem aproximam teoria e prática
Nesse processo, Akel destaca o papel dos programas de estágio e aprendizagem profissional. A avaliação é que essas experiências permitem aos jovens aplicar conhecimentos, enfrentar situações reais e desenvolver habilidades de convivência e resolução de problemas.
Mais do que uma porta de entrada para o emprego, esses programas podem ajudar o estudante a compreender como uma organização funciona e a identificar conhecimentos que ainda precisa desenvolver.
O artigo também atribui responsabilidade compartilhada a instituições de ensino, empresas e agentes de integração. Para Akel, aproximar formação acadêmica e experiência profissional exige a participação desses diferentes setores.
Professor titular aposentado da UFPR, onde foi reitor entre 2008 e 2016, Zaki Akel Sobrinho é doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) e atua nas áreas de educação, inovação e marketing.
Com informações do CIEE/PR e do Fórum Econômico Mundial.
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