CRM-PR repudia denúncias de intolerância envolvendo estudantes de Medicina em Cascavel
CRM-PR informou que acompanha denúncias envolvendo estudantes de Medicina e adotará providências cabíveis após repercussão de vídeos e mensagens
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O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) manifestou repúdio a denúncias envolvendo manifestações de intolerância atribuídas a estudantes de Medicina em Cascavel e Maringá. O órgão informou que vai acompanhar a apuração dos casos e adotar as providências cabíveis dentro de suas atribuições.
A repercussão começou após a circulação de vídeos e mensagens em redes sociais e grupos de WhatsApp de estudantes de Medicina. Entre os conteúdos compartilhados estão declarações de cunho político, ofensas, comentários discriminatórios e referências a violência contra pessoas que possuem posicionamentos diferentes.
Em Cascavel, um dos vídeos que circulou nas redes sociais mostra uma jovem do curso de Medicina da FAG, fazendo ataques direcionados a eleitores e ironizando dificuldades enfrentadas por usuários da saúde pública.
No registro, ela menciona a falta de medicamentos e tratamentos e afirma que pessoas teriam de passar fome, além de fazer referências à ausência de dipirona e quimioterapia. Em outro trecho, utiliza ofensas contra eleitores e faz menções ao número 13, associado ao Partido dos Trabalhadores.
A jovem também afirma que passaria o Ano-Novo na Europa enquanto pessoas pobres estariam no lixão, relacionando a viagem ao fato de o pai trabalhar.
O vídeo foi encaminhado como denúncia e passou a circular nas redes sociais, provocando forte repercussão sobre a conduta da estudante.
"Quero vocês passem fome... que vocês querem dipirona, não vai ter... quimioterapia também não vai ter. Então vão se f... seus otários... vota 13, vota 13 pra ver o que acontece com vocês. Não tem nada, 13 não tem nada, vai faltar tudo... tudo, tudo, tudo... vão se f... otários de merda.”
"Eu vou passar o Ano-Novo na Europa e os pobres vão passar o Ano-Novo no lixão. Vou passar o Ano-Novo na Europa, pois meu pai trabalha.
Mensagens em grupo de Medicina também circulam
Além do vídeo, prints de conversas atribuídas a um grupo de WhatsApp de estudantes de Medicina de uma instituição privada de Cascavel também ganharam repercussão.
Entre as mensagens compartilhadas está uma declaração na qual um participante afirma que gostaria de apoiar pessoas que saíssem da prisão para roubar casas e estuprar eleitores do PT. Na mesma mensagem, o autor afirma que forneceria os endereços.
Outros trechos fazem referências a estudantes e familiares por causa de posicionamentos políticos. Também aparecem comentários envolvendo mulheres, pessoas negras, sistema prisional e serviços públicos.
Os registros mostram ainda reações de outros integrantes do grupo, incluindo emojis de risadas e comentários irônicos.
O conteúdo foi divulgado publicamente e gerou questionamentos sobre os limites de manifestações políticas em ambientes acadêmicos e sobre a conduta esperada de estudantes que estão em formação para atuar na área da saúde.
CRM-PR cita princípios da formação médica
Em manifestação sobre as denúncias, o CRM-PR afirmou que atitudes de intolerância e discriminação são incompatíveis com os princípios previstos no Código de Ética do Estudante de Medicina.
Segundo o Conselho, a formação médica exige que o estudante esteja a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, sem discriminação de qualquer natureza.
O órgão também destacou que a escolha pela Medicina envolve compromissos humanísticos e humanitários relacionados ao bem-estar físico, mental e social das pessoas e da coletividade.
Diante das denúncias, o CRM-PR informou que adotará as providências cabíveis dentro de suas atribuições institucionais e acompanhará o andamento dos casos. A entidade também defendeu que os fatos sejam apurados de forma rigorosa e transparente pelas instâncias responsáveis.
FAG diz que publicações ocorreram fora da instituição
O Centro Universitário FAG, instituição que oferece o curso de Medicina em Cascavel, também se manifestou sobre o conteúdo que circula nas redes sociais.
Em comunicado, a instituição afirmou estar ciente das manifestações atribuídas a estudantes do curso. A FAG destacou que as publicações ocorreram fora das dependências da universidade.
Segundo o Centro Universitário, o caso está sendo analisado pelas instâncias éticas competentes, seguindo as normas institucionais, com imparcialidade e garantia do direito de manifestação às pessoas envolvidas.
A instituição afirmou ainda que lamenta e repudia o teor das declarações.
“O respeito à dignidade humana, a responsabilidade e o compromisso com o outro são princípios inegociáveis da formação universitária e orientam a atuação institucional”, informou a FAG.
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