Quadrilha é investigada por vender medicamentos falsificados contra o câncer a hospitais de 7 estados
Operação cumpre 21 mandados, determina bloqueio de R$ 15 milhões e suspensão de 7 empresas; segundo a investigação, um dos remédios sem princípio ativo chegou a ser administrado em um paciente
Uma organização criminosa suspeita de comercializar medicamentos falsificados para tratamento de câncer é alvo de uma operação do Gaeco e da Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira (5). A segunda fase da Operação Laziosi cumpre 3 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em 6 municípios paulistas.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados, além da suspensão das atividades de 7 empresas. As apurações apontam que o grupo vendia medicamentos sem o princípio ativo necessário ao tratamento oncológico para hospitais de pelo menos 7 estados brasileiros.
O caso ganhou gravidade após a confirmação de que uma das unidades falsificadas foi administrada em um paciente com câncer em um hospital do interior de São Paulo.
MEDICAMENTO NÃO TINHA PRINCÍPIO ATIVO
As investigações começaram em 2024, depois que o fabricante de um imunoterápico de alto custo identificou a comercialização de uma unidade falsificada para um hospital da capital paulista.
O produto havia sido fornecido por uma distribuidora de Araraquara. Análises realizadas pelo laboratório fabricante constataram que o medicamento não continha o princípio ativo necessário ao tratamento. A falsificação também foi confirmada por perícia oficial.
A apuração identificou uma rede de empresas interligadas, algumas sem estrutura física nos endereços registrados. Entre janeiro e novembro de 2024, uma das distribuidoras emitiu notas fiscais que ultrapassaram R$ 1,5 milhão em vendas do imunoterápico para compradores de pelo menos 7 estados.
MEDICAMENTO FALSO FOI APLICADO EM PACIENTE
Mesmo após a primeira fase da Operação Laziosi, realizada em novembro de 2024, a distribuidora voltou a comercializar medicamentos sob suspeita.
Em abril de 2025, 9 unidades de outro medicamento contra o câncer foram vendidas a um hospital do interior paulista. O laboratório responsável pelo registro confirmou que os produtos eram falsificados.
Segundo informações do hospital, uma das unidades chegou a ser administrada em um paciente. As outras 8 foram recolhidas pela distribuidora e substituídas por medicamentos de um lote que coincidia com uma carga roubada em Minas Gerais.
A nova fase da operação busca interromper a comercialização dos produtos, identificar os envolvidos e recuperar valores relacionados às atividades investigadas. O material apreendido será analisado para aprofundar as apurações sobre a atuação do grupo e possíveis crimes de lavagem de dinheiro.
CASO YASMIN
A investigação em São Paulo remete ao caso de Yasmin Aparecida Campos de Amorim, de Cascavel, no Oeste do Paraná. A menina teve o tratamento contra o câncer prejudicado após uma fraude na aquisição do medicamento Danyelza, utilizado no combate ao neuroblastoma.
Em 2024, aproximadamente R$ 2,4 milhões destinados à compra do remédio foram desviados. A empresa responsável pela aquisição não entregou a medicação conforme o previsto, apesar de o pagamento ter sido autorizado pela Justiça.
A falta do medicamento provocou um atraso de cerca de 3 meses no tratamento da criança. Para garantir a continuidade do atendimento, o Governo do Paraná precisou realizar uma nova compra.
Em janeiro de 2026, 2 empresários foram condenados por estelionato em decisão de primeira instância, contestada pelas defesas.
Os dois casos envolvem suspeitas de irregularidades na cadeia de fornecimento de medicamentos de alto custo destinados a pacientes com câncer. As investigações seguem em andamento.
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