Prefeitura de Curitiba injeta mais R$ 40 milhões no subsídio do transporte coletivo
Novo aporte é o terceiro reforço de R$ 40 milhões em três meses e eleva para R$ 121,7 milhões o valor adicional destinado ao sistema desde junho
A Prefeitura de Curitiba destinou mais R$ 40 milhões ao subsídio do transporte coletivo nesta segunda-feira (5), em mais um reforço para cobrir a diferença entre o custo de operação do sistema e a tarifa paga pelos passageiros. O novo aporte é o terceiro de R$ 40 milhões realizado em três meses e eleva para R$ 121,7 milhões o volume de recursos adicionais direcionados ao Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC) desde o fim de junho.
O dinheiro foi liberado por meio dos decretos 1.622/2026 e 1.623/2026, publicados no Diário Oficial do Município. Segundo a publicação, os recursos têm origem no superávit financeiro de 2025, ou seja, na sobra de recursos livres apurada no balanço do ano passado.
A operação ocorre em duas etapas. O primeiro decreto abre crédito suplementar de R$ 40 milhões com recursos ordinários livres e o direciona para uma dotação dos Encargos Gerais do Município. Em seguida, o segundo decreto anula a mesma dotação e transfere o valor para a ação de aporte ao FUC.
Com o novo repasse, os reforços feitos ao sistema desde junho chegam a R$ 121,657 milhões. Antes do aporte de outubro, já haviam sido destinados R$ 1,65 milhão em junho, R$ 40 milhões em agosto e outros R$ 40 milhões em setembro.
O valor dos novos aportes chama atenção porque a Lei Orçamentária de 2026 previa R$ 150 milhões para o subsídio do transporte coletivo durante todo o ano. Conforme os dados apresentados no levantamento, essa previsão já havia sido integralmente empenhada, liquidada e paga em junho.
Com os reforços realizados ao longo do ano, a dotação destinada ao aporte tarifário chega a aproximadamente R$ 271,7 milhões, valor 81% superior ao previsto originalmente no orçamento.
Reserva de contingência
Parte importante dos recursos utilizados nos aportes anteriores saiu da Reserva de Contingência do município, destinada a situações de risco fiscal e despesas imprevistas.
Em agosto, R$ 31,5 milhões foram retirados dessa reserva. Em setembro, outros R$ 24 milhões tiveram a mesma origem. Ao todo, R$ 55,5 milhões da reserva foram utilizados para reforçar o subsídio do transporte coletivo.
A Reserva de Contingência havia sido fixada em R$ 62,728 milhões para 2026. Com os dois saques, cerca de 88% do valor previsto para o ano foi utilizado, restando aproximadamente R$ 7,2 milhões.
O cenário reduz a margem disponível para enfrentar eventuais despesas imprevistas até o fim do exercício. O novo aporte de outubro, no entanto, não saiu da reserva, mas do superávit financeiro registrado no exercício anterior.
Pressão sobre o sistema
O aumento dos aportes ocorre em um momento de pressão sobre as contas do transporte coletivo. A tarifa convencional em Curitiba permanece em R$ 6 desde março de 2023. A Prefeitura confirmou a manutenção desse valor para 2026.
A diferença entre o valor pago pelo usuário e o custo efetivo do serviço é coberta pelo município por meio do subsídio. A URBS mantém publicadas as resoluções que definem mensalmente os custos por quilômetro e a tarifa técnica utilizada na remuneração das empresas concessionárias.
Dados de cálculo tarifário citados no levantamento apontam que o município precisou repassar R$ 36,7 milhões ao sistema em julho e R$ 39,7 milhões em agosto, valores próximos dos aportes extraordinários de R$ 40 milhões realizados nos últimos meses.
A sequência de reforços ocorre enquanto Curitiba conduz uma nova licitação para a concessão do serviço de transporte coletivo. A concorrência 1/2026 prevê a concessão comum para a prestação do transporte público coletivo por ônibus no município, e documentos do processo estão disponíveis no portal da URBS.
O novo aporte, portanto, mantém o sistema de transporte coletivo dependente de complementações orçamentárias para garantir o equilíbrio entre os custos de operação e o valor da passagem. A Prefeitura ainda terá de administrar os recursos disponíveis para os últimos meses de 2026, período em que a necessidade de novos repasses poderá pressionar novamente o orçamento municipal.
Foto: Divulgação
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