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Paraná seleciona 35 urnas para auditoria neste sábado; entenda como funciona

Equipamentos serão submetidos a testes de integridade, biometria e autenticidade dos sistemas; procedimentos são públicos e não interferem na votação

Ana Zimermann · · 6 min de leitura
Justiça Eleitoral realiza testes de integridade para conferir se os votos registrados nas urnas eletrônicas correspondem aos resultados apresentados pelos equipamentos.
Justiça Eleitoral realiza testes de integridade para conferir se os votos registrados nas urnas eletrônicas correspondem aos resultados apresentados pelos equipamentos. — Crédito: TRE-PR/Divulgação (arquivo)

A Justiça Eleitoral realizou, neste sábado (24), a escolha e o sorteio das 35 urnas eletrônicas que passarão por auditoria no segundo turno das eleições de 2026 no Paraná. A cerimônia, organizada pela Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica (CAVE) do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), ocorreu no auditório da sede do Tribunal, em Curitiba, com acesso ao público e transmissão ao vivo pela internet. A fiscalização tem como objetivo verificar se os equipamentos registram e contabilizam corretamente os votos e se os sistemas instalados correspondem às versões oficiais autorizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O procedimento é realizado em todas as eleições e envolve representantes da Justiça Eleitoral, partidos políticos, entidades fiscalizadoras e auditores independentes. As urnas destinadas aos testes de integridade são retiradas das seções de origem e substituídas por outros equipamentos, sem prejuízo à votação dos eleitores.

Como são escolhidas as urnas que passarão pela auditoria?

A seleção ocorre na véspera da eleição, durante uma cerimônia pública. Os partidos políticos e as entidades fiscalizadoras habilitadas podem indicar quais seções eleitorais desejam submeter à auditoria, informando também a modalidade de teste pretendida. As indicações são apresentadas em envelopes lacrados e identificados. Caso o número de equipamentos indicados seja inferior ao total previsto, a Justiça Eleitoral realiza um sorteio para completar a seleção. Isso significa que nem todas as urnas são necessariamente escolhidas por sorteio: parte delas pode ser indicada diretamente por instituições autorizadas a fiscalizar o processo eleitoral. No Paraná, serão selecionadas 35 urnas.

O que acontece com a urna depois do sorteio?

Os equipamentos selecionados para os testes de integridade já estão preparados e lacrados para a eleição, assim como as demais urnas que serão utilizadas no domingo. Depois da escolha, eles são recolhidos e encaminhados aos locais de auditoria, sob procedimentos de segurança e fiscalização. Nas respectivas seções eleitorais, são instaladas urnas substitutas, que permitirão o funcionamento normal da votação. Paralelamente, voluntários preenchem cédulas de papel com votos em candidatos que disputam a eleição. Essas cédulas são armazenadas em urnas de lona lacradas e servirão de referência para a conferência dos resultados eletrônicos.

Teste de integridade: como a Justiça Eleitoral confere os votos?

O Teste de Integridade é uma votação simulada, realizada em ambiente controlado e aberto à fiscalização. No domingo (25), entre 8h e 17h, os votos registrados previamente nas cédulas de papel serão digitados nas 25 urnas selecionadas para essa modalidade. O procedimento reproduz o funcionamento de uma seção eleitoral, mas com uma diferença fundamental: os votos utilizados no teste já são conhecidos e podem ser conferidos posteriormente. Ao final da simulação, cada equipamento emite um Boletim de Urna (BU), documento que apresenta a quantidade de votos registrados para cada candidato. Os resultados impressos são então comparados com a contagem das cédulas de papel. Se o equipamento funcionar corretamente, os dois resultados deverão ser idênticos. Qualquer divergência exigirá apuração técnica. No Paraná, o teste será realizado na Escola Judiciária Eleitoral do Paraná (EJE-PR), na Rua João Parolin, 224, no bairro Prado Velho, em Curitiba.

Teste com biometria: a digital do eleitor pode alterar o voto?

Outra modalidade de auditoria busca verificar o funcionamento das urnas quando o desbloqueio ocorre por identificação biométrica. Duas urnas serão submetidas a esse procedimento na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), também em Curitiba. Depois de registrar o voto na eleição oficial, eleitores das seções participantes poderão ser convidados a colaborar voluntariamente com o teste. A participação consiste em utilizar a impressão digital para liberar uma urna de auditoria, instalada em ambiente separado. Em seguida, servidores digitam os votos previamente registrados em cédulas de papel. O objetivo é demonstrar que a identificação biométrica, utilizada para habilitar o equipamento, não interfere no registro ou na contagem dos votos. A participação do eleitor na auditoria não revela em quem ele votou na eleição oficial, pois os votos utilizados na simulação são previamente definidos.

Teste de autenticidade: como saber se o programa da urna é o oficial?

A terceira modalidade de fiscalização verifica se os programas instalados nas urnas correspondem aos sistemas oficiais preparados e assinados digitalmente pelo TSE. No Paraná, oito equipamentos passarão por esse procedimento. Diferentemente do Teste de Integridade, a verificação de autenticidade ocorre na própria seção eleitoral, antes do início da votação. O juiz eleitoral, acompanhado por representantes das entidades fiscalizadoras e integrantes da mesa receptora, realiza procedimentos técnicos para conferir as assinaturas e os resumos digitais dos programas instalados. Esses dados permitem comparar o conteúdo do equipamento com as versões oficialmente autorizadas pela Justiça Eleitoral. Após a conclusão da verificação, a urna permanece na seção para receber os votos normalmente.

Os votos utilizados nos testes entram no resultado da eleição?

Não. Os votos digitados durante os testes de integridade são exclusivamente simulados e não integram a apuração oficial. As urnas destinadas a essas auditorias são substituídas nas seções de origem, de modo que os eleitores continuam votando normalmente. Já as urnas submetidas ao Teste de Autenticidade permanecem nos respectivos locais de votação, pois o procedimento não envolve a inserção de votos simulados. A distinção é importante: a auditoria não reconta votos reais dos eleitores, mas verifica, por procedimentos independentes, a confiabilidade do registro, da contagem e dos sistemas utilizados.

Os testes são acompanhados por auditores independentes?

Sim. A auditoria de integridade é realizada em ambiente fiscalizado, com registros em vídeo, participação de entidades autorizadas e acompanhamento técnico independente. Segundo o TSE, o procedimento é utilizado desde 2002. A Justiça Eleitoral informa que, ao longo desse período, não foram registradas divergências entre os votos inseridos nas urnas durante os testes e os resultados apresentados pelos equipamentos. Os relatórios individuais e o relatório consolidado conclusivo das auditorias deverão ser disponibilizados nos canais oficiais da Justiça Eleitoral em até 30 dias após o segundo turno. A fiscalização integra um conjunto mais amplo de mecanismos de verificação do sistema eletrônico de votação, que também inclui a assinatura digital dos programas, a emissão da zerésima antes da votação e a publicação dos boletins de urna após o encerramento do pleito.

Por que algumas urnas ficam fora do sorteio no Paraná?

O TRE-PR informou que, em reunião realizada em 11 de setembro com partidos políticos e entidades fiscalizadoras, foram estabelecidas restrições logísticas à seleção de equipamentos para auditoria. A decisão considerou especialmente a dificuldade de recolher e transportar determinadas urnas até Curitiba em tempo hábil. Entre as exclusões anunciadas estão seções localizadas em ilhas, comunidades indígenas, centros de detenção provisória, colégios adventistas e locais de votação situados a mais de 100 quilômetros da sede do respectivo cartório eleitoral. Também foram excluídas as seções de Guaraqueçaba, em razão das condições de acesso, e dos municípios de Chopinzinho e São João, onde estão previstos plebiscitos neste domingo. A comissão decidiu ainda não estabelecer uma distribuição regional obrigatória das urnas sorteadas. Essas restrições dizem respeito à seleção dos equipamentos para os procedimentos de auditoria, não à realização da votação nesses locais.

 

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