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“O Paraná não tem dono”: Sergio Moro promete novo ciclo no Estado

Eleito no primeiro turno, Sergio Moro promete novo ciclo de desenvolvimento, combate a desvios, segurança e eficiência no governo, além de afirmar que pretende atuar para derrotar Lula na eleição nacional

Gabriel Porta · · 9 min de leitura
Moro vence eleição e promete governo “honesto e eficiente”
Moro vence eleição e promete governo “honesto e eficiente” — Crédito: Nariman Bark

Sergio Moro (PL) afirmou, após ser eleito governador do Paraná no primeiro turno, que pretende iniciar um novo ciclo de desenvolvimento no Estado, com foco em eficiência administrativa, segurança, liberdade política e crescimento econômico. Em seu primeiro discurso e entrevista como governador eleito, Moro prometeu um governo “honesto e eficiente”, disse que será “intolerante” com qualquer tipo de desvio e afirmou que pretende reduzir a estrutura administrativa para diminuir custos e priorizar investimentos no cidadão.

Ao longo do discurso, Moro afirmou que a vitória representa uma mudança no cenário político estadual e defendeu a ideia de que o poder de decisão pertence aos eleitores.

“As urnas provaram que quem decide, que o Paraná não tem dono. Só quem manda no Paraná é a população paranaense. Para todos os paranaenses, uma terra de lei e uma terra de justiça, mas especialmente o lugar que a gente possa prosperar juntos”, declarou.

Moro agradeceu aos eleitores paranaenses e afirmou que a vitória ocorreu apesar do que classificou como uma campanha marcada por ataques e pelo uso da máquina pública contra seu grupo político. Segundo ele, sua administração não permitirá que a estrutura do governo seja utilizada para fins eleitorais.

“Eu nunca vou permitir que a máquina pública seja utilizada para a finalidade política. Nós precisamos ter liberdade política no estado do Paraná”, afirmou.

Governo técnico e redução de secretarias

Entre as primeiras sinalizações para a futura administração, Moro afirmou que pretende montar um governo de perfil técnico e reduzir o número de secretarias do Estado. Segundo ele, a mudança terá como objetivo diminuir os custos da máquina pública e reduzir despesas com burocracia.

“Nós vamos colocar nas secretarias do Estado, que aliás vamos reduzir, como eu prometi, para reduzir custos, para gastar mais com o cidadão da ponta e diminuir gasto com a burocracia, mas vamos colocar pessoas habilitadas tecnicamente”, afirmou.

Moro disse que a opção por um governo técnico foi favorecida pela aliança política limitada construída durante a campanha. Segundo ele, uma frente ampla com diferentes partidos poderia exigir a distribuição de espaços de poder.

“Nós tivemos a oportunidade de fazer uma proposta política de um governo técnico e nós vamos seguir essa promessa até o último momento”, declarou.

Desenvolvimento econômico

Entre as prioridades apresentadas por Moro está a superação dos chamados “pontos de estrangulamento econômico” do Paraná. O governador eleito afirmou que, apesar dos avanços obtidos pelo Estado, há espaço para ampliar a capacidade de crescimento.

A escolha do empresário Edson Vasconcelos como vice-governador também foi associada por Moro a essa agenda. Segundo ele, a experiência de Vasconcelos no setor privado permite conhecer os gargalos que afetam a economia estadual.

Moro disse que pretende trabalhar para colocar o Paraná em um novo patamar de desenvolvimento e estabeleceu uma ambição de longo prazo para a economia estadual.

“Não é terceiro lugar no PIB que nós queremos. Nós queremos que o Paraná um dia seja o estado mais rico e próspero dessa federação chamada Brasil”, afirmou.

O discurso, no entanto, não detalhou quais medidas econômicas serão adotadas para alcançar esse objetivo. A fala aponta para uma agenda voltada à expansão da economia e à superação de gargalos, enquanto os programas e ações concretas deverão ser apresentados posteriormente.

Segurança e combate a desvios

A segurança pública também apareceu entre as prioridades mencionadas pelo governador eleito. Moro afirmou que pretende transformar o Paraná em um Estado seguro para as famílias.

A proposta foi apresentada junto à promessa de combater irregularidades na administração pública. Segundo ele, o futuro governo deverá atuar com “absoluta honestidade” e iniciar uma nova fase na gestão estadual.

“Vamos ser intolerantes contra qualquer espécie de desvio”, disse.

Moro também associou o discurso de combate à corrupção à trajetória construída durante a Operação Lava Jato.

Relação com prefeitos

Moro afirmou que pretende manter uma relação institucional com os prefeitos paranaenses independentemente de alianças políticas. Para ele, a prioridade do governo deverá ser o atendimento à população de cada município.

“Não existirá da minha parte nenhuma iniciativa contra quem não me apoiou. Nós vamos construir parcerias com todos os prefeitos, porque nós nos importamos com o cidadão da ponta”, afirmou.

O governador eleito também disse que dará continuidade a obras e projetos iniciados pela atual administração e rejeitou a possibilidade de uma paralisação de iniciativas do governo Ratinho Junior.

“Nós, como eu disse, desde o início dessa campanha, vamos dar continuidade às obras e aos projetos do atual governo”, declarou.

Moro também disse que respeitará o trabalho de governos anteriores, citando os ex-governadores Álvaro Dias e Jaime Lerner.

“O Paraná é um livro escrito a várias mãos, e o governador apenas conduz as páginas, mas quem escreve é a população”, afirmou.

Transição com Ratinho Junior

A relação com o atual governador também foi abordada por Moro. O governador eleito afirmou que pretende construir uma transição sem ruptura administrativa e disse que uma equipe deverá ser definida nos próximos dias para iniciar as conversas com o governo estadual.

“Vamos buscar conversar com o governador Ratinho Júnior para fazer essa transição da maneira mais suave, para que não haja aí qualquer espécie de ruptura administrativa ou descontinuidade”, afirmou.

Moro disse ainda que nunca teve um problema pessoal com Ratinho Junior e afirmou que os dois deverão trabalhar juntos durante o processo de mudança de governo.

“Vamos olhar para a frente e vamos construir nosso Paraná juntos”, declarou.

Segundo Moro, os ânimos da campanha eleitoral ficaram para trás e as declarações feitas durante a disputa devem ser compreendidas dentro daquele contexto.

Relação com a Assembleia

O governador eleito também destacou a composição da próxima Assembleia Legislativa como um fator que poderá facilitar a implementação de seu programa de governo.

Moro afirmou que seu grupo terá 14 deputados estaduais, enquanto o Novo terá três parlamentares. Com os representantes do Podemos, segundo ele, será formado um grupo expressivo no Legislativo.

“Vamos ter aí um grupo expressivo na Assembleia Legislativa para fazer as transformações que o Paraná precisa”, afirmou.

Moro também citou o PL, o Novo e o Podemos ao agradecer os resultados obtidos pelos partidos durante a eleição e defendeu uma atuação conjunta entre o Executivo e as instituições estaduais.

“Queremos que também nossas instituições, junto com o governo executivo, trabalhem para a prosperidade do Paraná”, declarou.

Articulação em Brasília

Moro também afirmou que pretende estreitar a articulação entre o governo estadual e a bancada paranaense no Congresso Nacional. Segundo ele, o Paraná terá três senadores alinhados ao governo estadual, o que deverá facilitar a defesa de pautas de interesse do Estado.

O governador eleito citou Felipe Barros, Deltan Dallagnol e Felipe Cunha e afirmou que pretende manter contato direto com os parlamentares quando temas relevantes para o Paraná estiverem em discussão em Brasília.

Segundo Moro, a atuação da bancada não deverá se limitar à busca por recursos, mas também à defesa de leis e projetos considerados importantes para o Estado.

O governador eleito citou como exemplo a reforma tributária e afirmou que, durante sua passagem pelo Senado, houve falta de articulação do governo estadual em determinadas pautas de interesse do Paraná.

Reforma do Judiciário

Entre as bandeiras que pretende defender em Brasília, Moro também mencionou uma reforma do Judiciário. Segundo ele, a medida seria necessária para fortalecer a representação política e enfrentar o que classificou como excessos dos tribunais superiores.

Moro fez uma distinção entre o Judiciário paranaense, que afirmou respeitar, e a atuação das cortes superiores em Brasília.

“Eu não critico aqui os juízes do Paraná. Fui juiz por 22 anos. Tenho orgulho e tenho muitos amigos no Judiciário paranaense, que honram a profissão. Mas nós temos visto, sim, excessos em Brasília, nos tribunais superiores”, afirmou.

“Fortaleza Paraná”

Ao defender a saída do Senado para assumir o governo estadual, Moro afirmou que pretende dedicar os próximos anos à construção de um legado no Paraná.

O governador eleito disse que sua saída não deixará o Estado sem representação em Brasília, destacando a eleição dos novos senadores paranaenses.

“Eu quero cuidar do Paraná, eu quero fazer um legado para o Paraná. Eu quero provar que a gente pode ter um governo honesto e um governo eficiente”, afirmou.

Moro também recuperou a expressão “Fortaleza Paraná”, utilizada durante a campanha, para defender a ideia de um Estado mais protegido e com maior autonomia política.

O Oeste no governo

Durante o discurso, Moro fez uma menção específica ao Oeste do Paraná ao agradecer Edson Vasconcelos, que classificou como um “gigante de Cascavel”. O governador eleito afirmou que a região, que segundo ele frequentemente reclama de falta de atenção, estará representada em sua administração.

“Muitas vezes reclama uma região negligenciada, que o Oeste do Paraná estará representado, assim como todas as regiões”, disse.

A declaração indica a intenção de ampliar a participação regional na estrutura do próximo governo, embora Moro não tenha apresentado quais áreas ou projetos serão destinados especificamente ao Oeste.

Oposição a Lula

O discurso de Moro também manteve forte tom nacional. O governador eleito afirmou que pretende atuar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o projeto político do PT.

Moro disse que os resultados das urnas no Paraná representam, na avaliação dele, uma mensagem de oposição ao governo federal e destacou a votação recebida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no Estado.

“Nós vamos trabalhar, inclusive na eleição nacional, para derrotar o Lula e aposentá-lo definitivamente”, afirmou.

O governador eleito também disse que pretende atuar na disputa nacional caso seja necessário um segundo turno.

Vitória no primeiro turno

Moro foi eleito governador do Paraná com 3.127.911 votos, o equivalente a 50,10% dos votos válidos, segundo os dados consolidados com 100% das 27.142 seções totalizadas. Ao todo, 6.829.615 eleitores compareceram às urnas, enquanto a abstenção foi de 1.771.009 eleitores.

Sandro Alex (PSD) terminou em segundo lugar, com 1.583.764 votos, ou 25,37%.

 

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