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Moro começa governo com 20 deputados no seu campo e terá de ampliar base na Alep

Partidos que integraram a coligação do governador eleito somam 20 das 54 cadeiras da Assembleia; maioria absoluta exige 28 votos e coloca negociação com outras legendas no centro do início do novo governo

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Alep
Alep — Crédito: Divulgação

A vitória de Sergio Moro (PL) no primeiro turno resolveu a disputa pelo Palácio Iguaçu neste domingo (4), mas abriu imediatamente uma segunda batalha política: a construção de uma maioria na Assembleia Legislativa do Paraná. A composição saída das urnas indica que o governador eleito terá um bloco inicial importante, porém ainda insuficiente para controlar sozinho as votações na Casa.

Moro disputou a eleição pela coligação Fortaleza Paraná, formada por PL, Novo e Podemos. Considerando os deputados estaduais eleitos por essas três legendas, o futuro governador começa com um campo político que reúne 20 das 54 cadeiras da Alep, equivalente a aproximadamente 37% do plenário.

A conta, entretanto, precisa ser vista como uma fotografia política da eleição, e não como garantia de fidelidade em todas as votações. Deputados mantêm atuação individual e as bancadas ainda terão de definir formalmente sua relação com o futuro governo. O dado mostra, sobretudo, o tamanho do grupo partidário que participou diretamente do projeto que levou Moro ao Palácio Iguaçu.

Oito votos separam Moro da maioria

Para alcançar a maioria absoluta da Assembleia, o novo governo precisará chegar a pelo menos 28 deputados. Partindo das 20 cadeiras conquistadas pelos partidos da coligação, faltariam oito votos.

Isso significa que uma das primeiras tarefas políticas de Moro depois da eleição será ampliar sua interlocução com legendas que estiveram fora de sua aliança eleitoral. A negociação será fundamental para projetos que dependem de maioria simples e ganha importância ainda maior nas propostas que exigem quórum qualificado.

A necessidade de composição não é incomum no presidencialismo de coalizão brasileiro, mas o desenho paranaense apresenta uma particularidade: uma parcela expressiva da nova Assembleia foi eleita justamente por partidos que estiveram no campo adversário durante a campanha ao governo.

PSD terá peso decisivo

O principal bloco fora da coligação de Moro é o PSD, partido do governador Ratinho Junior e do candidato derrotado Sandro Alex. A legenda conseguiu eleger uma bancada numerosa e chega à próxima legislatura em posição privilegiada nas negociações dentro da Assembleia.

Entre os eleitos pelo PSD estão nomes experientes na articulação do Legislativo, como Hussein Bakri, Ademar Traiano e Luiz Claudio Romanelli, além de Gugu Bueno e outros parlamentares que integraram a sustentação do atual governo.

Durante a campanha, PSD e PL estiveram em campos opostos. Isso impede que a bancada seja contabilizada neste momento como parte da situação. Depois da eleição, porém, a dinâmica muda: a posição de cada partido diante do governo Moro ainda será construída e poderá envolver desde apoio formal até acordos pontuais para determinadas votações.

PL terá bancada numerosa

Moro terá também uma vantagem que governadores nem sempre encontram ao assumir o cargo: uma bancada expressiva de seu próprio partido. Entre os deputados estaduais eleitos pelo PL estão Paulo Melo, Jessicão, Delegado Jacovós, Denian Couto, Delegada Tathiana Guzella, Flávia Francischini, Mauro Moraes e Matheus Vermelho, entre outros.

Novo e Podemos completam o núcleo partidário da coligação que venceu a eleição estadual. Bruno Secco, Luiz Fernando Guerra e Deivid Wisley foram eleitos pelo Novo, enquanto Do Carmo, Fabiana Parro e Lu Bonatto conquistaram cadeiras pelo Podemos.

Somados, os três partidos oferecem ao governador eleito uma estrutura inicial de sustentação considerável, mas que precisará ser ampliada.

Eleição acabou, negociação começa

O resultado das urnas, portanto, produziu dois movimentos simultâneos. Moro conquistou o Executivo em primeiro turno, encerrando a disputa pelo governo sem necessidade de nova votação, mas a eleição proporcional entregou uma Assembleia fragmentada e sem maioria automática para o novo governador.

A partir de agora, Republicanos, PP, MDB e principalmente o PSD passam a ocupar posição importante nessa equação. A adesão integral de qualquer uma dessas bancadas não pode ser presumida apenas pela proximidade ideológica ou por alianças nacionais: será necessário observar como cada legenda e cada parlamentar se posicionará na transição.

A primeira conta do novo governo, de qualquer forma, já está colocada: Moro parte de um campo de 20 deputados e precisa agregar pelo menos oito para alcançar a maioria absoluta das 54 cadeiras da Assembleia Legislativa.

A eleição definiu o governador. A dimensão efetiva da bancada governista começará a ser definida a partir desta segunda-feira.

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