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De Beto Richa a Márcio Pacheco: eleição deixa nomes conhecidos do Paraná sem mandato

Deputados federais e estaduais que chegaram às urnas exercendo mandato ficam sem cadeira a partir de 2027 após derrotas na reeleição ou nas disputas pela Câmara, Senado e Governo do Estado

Gazeta do Paraná · · 6 min de leitura
De Beto Richa a Márcio Pacheco: eleição deixa nomes conhecidos do Paraná sem mandato
— Crédito: Foto: Valdir Amaral

As eleições deste domingo (4) não definiram apenas quem ocupará as cadeiras do Paraná na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa a partir de 2027. As urnas também deixaram uma extensa relação de parlamentares que atualmente exercem mandato, mas não conseguiram garantir uma cadeira eletiva para a próxima legislatura.

A lista atravessa diferentes partidos e reúne nomes conhecidos da política paranaense. Estão entre eles o ex-governador e atual deputado federal Beto Richa, o deputado estadual Márcio Pacheco, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, além de Requião Filho, Sandro Alex e Dilceu Sperafico. Há derrotados entre os que tentaram a reeleição, os que buscaram trocar a Alep pela Câmara e aqueles que apostaram em cargos majoritários.

Os atuais mandatos seguem normalmente até o encerramento da legislatura. O resultado significa que esses parlamentares, salvo eventual alteração posterior decorrente da Justiça Eleitoral, não terão mandato eletivo a partir de 2027.

 

Beto Richa fica fora da Câmara

Entre os deputados federais que tentaram permanecer em Brasília está Beto Richa. Ex-governador do Paraná e atualmente deputado federal, ele buscou a reeleição, mas ficou fora da nova bancada paranaense.

Também não conseguiram garantir cadeira na próxima legislatura Tadeu Veneri, Welter, Luísa Canziani, Luiz Nishimori, Diego Garcia, Dilceu Sperafico, Luciano Ducci e Geraldo Mendes.

Alguns tiveram votações individuais expressivas, mas acabaram atingidos pela dinâmica do sistema proporcional, no qual o desempenho do partido ou da federação e a distribuição das vagas entre as legendas também interferem diretamente na composição final.

 

Pacheco tentou trocar Alep por Câmara

Na Assembleia Legislativa, um grupo decidiu abrir mão da tentativa de reeleição estadual para buscar uma das 30 vagas paranaenses na Câmara dos Deputados.

Entre eles está Márcio Pacheco, do Republicanos. Deputado estadual e nome conhecido da política de Cascavel e do Oeste, Pacheco recebeu mais de 37 mil votos para deputado federal, mas não conseguiu uma das cadeiras conquistadas pela legenda.

Também tentaram a mudança para Brasília e ficaram fora Luciana Rafagnin, Cloara Pinheiro, Cristina Silvestri, Gilson de Souza, Marcelo Rangel e Delegado Tito Barichello. Com a derrota na disputa federal, eles encerram os atuais mandatos estaduais sem cadeira assegurada para a próxima legislatura.

Outros deputados estaduais conseguiram fazer o caminho para Brasília e, portanto, não entram na relação dos que ficam sem mandato.

 

Veteranos ficam pelo caminho

Entre os derrotados estão algumas das trajetórias mais longas da política paranaense. Dilceu Sperafico chegou pela primeira vez à Câmara dos Deputados em 1995. Ao final da atual legislatura, terá acumulado sete mandatos como deputado federal, seis deles consecutivos entre 1995 e 2019, além do retorno ao Congresso em 2023. Aos 78 anos, Sperafico termina o atual mandato sem conseguir renovar a cadeira para 2027.

Beto Richa também iniciou sua trajetória parlamentar em 1995, quando assumiu uma cadeira de deputado estadual. Depois passou pela Vice-Prefeitura e pela Prefeitura de Curitiba, chegou ao Governo do Paraná, onde permaneceu por dois mandatos, e retornou a um cargo eletivo em 2023, como deputado federal. A derrota deste domingo interrompe novamente sua presença em cargos eletivos.

Outro veterano que deixa o Legislativo é Alexandre Curi. Deputado estadual desde 2003, ele acumulou seis mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa e chegou à presidência da Casa. Em 2026, abriu mão de tentar uma sétima eleição para a Alep para disputar o Senado. Com a derrota, encerra em 2027 uma sequência de 24 anos consecutivos como deputado estadual.

 

Sandro Alex deixa a Câmara

Sandro Alex também termina a eleição sem mandato para 2027, mas por um caminho diferente. Deputado federal titular, passou parte da atual legislatura licenciado para comandar a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística e reassumiu a cadeira na Câmara em abril deste ano.

Em vez de disputar novamente uma vaga de deputado federal, concorreu ao Governo do Paraná. A disputa pelo Palácio Iguaçu terminou com a eleição de Sergio Moro.

Sandro Alex permanece deputado federal até o fim da atual legislatura, mas não terá mandato eletivo na seguinte.

 

Requião Filho deixa a Assembleia

Situação semelhante ocorre com Requião Filho. Deputado estadual pelo PDT, ele decidiu não disputar novamente uma das 54 cadeiras da Assembleia e concorreu ao Governo do Paraná.

Sem vencer a eleição para o Executivo, Requião Filho encerra a atual passagem pela Alep ao final da legislatura. Seu colega de partido Goura, por outro lado, disputou novamente uma vaga de deputado estadual e conseguiu permanecer na Casa.

 

Curi tentou o Senado

Alexandre Curi também deixa a Assembleia depois de optar por uma candidatura majoritária. Presidente da Casa, ele disputou uma das duas vagas paranaenses ao Senado em vez de concorrer novamente a deputado estadual.

As cadeiras ficaram com Filipe Barros e Deltan Dallagnol. Com isso, Curi encerra seu atual mandato na Assembleia sem outro mandato eletivo para 2027.

A situação é diferente da de Filipe Barros. Atual deputado federal, ele deixará a Câmara, mas continuará no Congresso Nacional como senador.

 

Reeleição também teve derrotados na Alep

A renovação da Assembleia não ocorreu apenas entre os parlamentares que buscaram outros cargos. Deputados que disputaram diretamente a reeleição também ficaram fora da nova composição.

Entre os atuais integrantes da Alep que não aparecem na relação dos 54 eleitos estão Tercilio Turini, Fabio Oliveira, Jairo Tamura, Samuel Dantas, Dr. Leônidas, Evandro Araújo, Luis Corti, Secretária Márcia, Marli Paulino e Cantora Mara Lima.

O grupo se soma aos estaduais derrotados na tentativa de chegar à Câmara e aos parlamentares que disputaram cargos majoritários, ampliando a mudança na composição da Assembleia para a legislatura que começa em fevereiro.

 

Urnas redesenham representação

A eleição de 2026 produziu, portanto, uma mudança que vai além da chegada de novos deputados. Nomes com várias legislaturas, políticos que já comandaram o Estado e parlamentares que ocupavam posições de destaque não estarão nas casas legislativas na próxima legislatura.

Isso não significa necessariamente o encerramento da trajetória política desses nomes. Eles poderão continuar na atividade partidária ou eventualmente ocupar funções que não dependem de eleição. O resultado das urnas, porém, estabelece uma mudança objetiva: deputados que chegaram ao pleito de 2026 exercendo mandato terminaram a disputa sem uma nova cadeira eletiva assegurada.

Até o encerramento da atual legislatura, todos continuam normalmente em seus respectivos mandatos. A troca ocorre em 2027, quando tomam posse os novos deputados estaduais e federais escolhidos pelos eleitores paranaenses.

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