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Milei é o único presidente sul-americano que ainda não reconheceu vitória de Lula

Líderes de 10 países da região parabenizaram o presidente brasileiro reeleito; silêncio do argentino ocorre após apoio a Flávio Bolsonaro e meses de críticas ao petista

Repórter Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Milei é o único presidente sul-americano que ainda não reconheceu vitória de Lula
— Crédito: Divulgação

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O presidente da Argentina, Javier Milei, era o único líder sul-americano que ainda não havia reconhecido oficialmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras até segunda-feira (26), segundo informações divulgadas após o resultado do segundo turno. Enquanto presidentes de outros países da região parabenizaram o brasileiro pela reeleição, Milei manteve silêncio público sobre o resultado.

Lula foi reeleito no domingo (25), com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.

A postura de Milei ocorre em meio ao desgaste nas relações entre os dois países e às manifestações do argentino em apoio a Flávio durante a campanha eleitoral. Nas redes sociais e em declarações públicas, o presidente da Argentina fez críticas a Lula e questionou sua trajetória política.

Líderes da região cumprimentaram Lula
Presidentes e autoridades de países sul-americanos manifestaram reconhecimento ao resultado e parabenizaram Lula. Entre eles estão Rodrigo Paz, da Bolívia; José Antonio Kast, do Chile; Abelardo de La Espriella, da Colômbia; Daniel Noboa, do Equador; Irfaan Ali, da Guiana; Santiago Peña, do Paraguai; Keiko Fujimori, do Peru; Jennifer Geerlings-Simons, do Suriname; Yamandú Orsi, do Uruguai; e Delcy Rodríguez, da Venezuela.

Apesar das diferenças ideológicas entre os governos, parte das mensagens destacou a importância da cooperação regional, das relações diplomáticas e dos vínculos econômicos entre os países.

A relação entre Brasil e Argentina tem peso estratégico para o comércio sul-americano e para o Mercosul. Em 2025, o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas, com mais de US$ 12,8 bilhões em vendas, e também a principal origem das importações do país vizinho, com US$ 18,4 bilhões em produtos, conforme dados citados pelo governo argentino.

Troca de críticas agravou relação entre Lula e Milei
As divergências entre os dois presidentes se intensificaram nos últimos meses. Milei participou de um evento do PL em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e fez ataques a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em declarações públicas, o argentino chamou Lula de “ladrão” e “corrupto” e voltou a questionar decisões judiciais que anularam condenações do presidente brasileiro. Também acusou o Brasil de interferir na política argentina, sem que as alegações apresentadas tenham sido demonstradas no material citado.

O governo brasileiro reagiu diplomaticamente às declarações. O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília e chamou para consultas o representante brasileiro em Buenos Aires, em um episódio que ampliou a tensão entre os governos.
Lula também respondeu às críticas e afirmou que não aceitaria interferências externas na política brasileira.

Relação comercial mantém importância estratégica
Apesar do conflito político entre os presidentes, Brasil e Argentina mantêm relações comerciais relevantes, com integração industrial e participação conjunta no Mercosul. A falta de manifestação de Milei sobre a reeleição de Lula ocorre, portanto, em um contexto no qual os dois países têm interesses econômicos compartilhados.

O reconhecimento dos resultados eleitorais e a continuidade dos contatos diplomáticos são considerados elementos importantes para a relação entre governos vizinhos, mesmo quando há divergências políticas.

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