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MEC aciona Polícia Federal para investigar ameaças contra universidades federais

Ministério da Educação também solicitou providências à AGU após registros de intimidação, ameaças de violência e uso de símbolos nazistas; incêndio na UFPE causou prejuízo estimado em R$ 100 milhões

Valéria Mendes · · 3 min de leitura
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... — Crédito: Divulgação

O Ministério da Educação (MEC) solicitou à Polícia Federal (PF) a investigação de ameaças de caráter político-eleitoral direcionadas a universidades federais, estudantes e professores nos últimos dias. A Advocacia-Geral da União (AGU) também foi acionada para avaliar e adotar as medidas jurídicas cabíveis.

Os ofícios encaminhados pelo ministério ressaltam a gravidade das denúncias, que incluem ameaças de violência, destruição do patrimônio público e utilização de símbolos nazistas para intimidar integrantes da comunidade acadêmica. Os episódios foram relatados ao MEC, especialmente ao longo da última semana.

Entre as instituições mencionadas nos relatos estão a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a Universidade Federal de Jataí (UFJ), a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

Nos documentos, o Ministério da Educação destaca que o período eleitoral exige atenção redobrada à segurança das instituições de ensino superior e à proteção de estudantes, professores e servidores.

“O contexto sensível do período eleitoral amplia a gravidade desses atos, tornando imperativa a salvaguarda da integridade física da comunidade acadêmica e do patrimônio público. Essas ameaças e violências buscam intimidar o debate democrático, perturbar a ordem pública e comprometer o livre exercício das funções constitucionais das instituições de ensino superior”, diz trecho dos ofícios encaminhados.

Incêndio na Universidade Federal de Pernambuco

Um dos episódios que ampliaram a preocupação com a segurança das universidades ocorreu na noite de 7 de outubro, quando um incêndio de grandes proporções atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife.

As chamas destruíram laboratórios e comprometeram pesquisas científicas desenvolvidas ao longo de décadas, incluindo estudos sobre Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), autismo, câncer e Covid-19. O prejuízo estimado pelo reitor da instituição, Alfredo Macedo Gomes, chega a R$ 100 milhões.

O fogo atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo, que abrigava laboratórios das áreas de fármacos, genética e informática. Além dos danos à estrutura física e aos equipamentos, foram perdidos materiais, amostras e dados utilizados em pesquisas científicas.

Segundo o reitor, cerca de 80 dissertações e teses de doutorado estavam relacionadas às atividades desenvolvidas nos laboratórios atingidos. Parte dos dados destruídos havia sido produzida ao longo de aproximadamente 20 anos de trabalho.

Apesar da gravidade do incêndio, não houve registro de vítimas. O prédio atingido foi isolado, e as demais atividades acadêmicas da universidade foram mantidas.

No dia 8 de outubro, a Polícia Federal anunciou a abertura de inquérito para apurar as circunstâncias e as possíveis causas do incêndio. A investigação deverá esclarecer se houve ação criminosa ou se o fogo teve outra origem.

Até o momento, não há confirmação de que o incêndio tenha sido provocado intencionalmente nem de que exista ligação direta entre o episódio e as ameaças político-eleitorais registradas em universidades federais.

A ocorrência reforçou a preocupação das autoridades com a proteção do patrimônio científico e com a segurança das comunidades acadêmicas, especialmente diante dos relatos recentes de intimidação e violência no ambiente universitário.

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