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Kátia Abreu critica campanha de Lula e pede “menos Janja, mais Alckmin”

Ex-senadora e ex-ministra foi aplaudida durante reunião do PT ao questionar a comunicação da campanha e a atuação de Janja

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Kátia Abreu é aplaudida ao criticar campanha de Lula no PT
Kátia Abreu é aplaudida ao criticar campanha de Lula no PT — Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado

A ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu foi aplaudida durante a reunião da cúpula do PT nesta terça-feira (6), em Brasília, ao fazer críticas à estratégia adotada pela campanha de Lula no primeiro turno das eleições. Recém-filiada ao partido, ela questionou a coordenação nacional, a comunicação e a participação da primeira-dama Janja da Silva.

Kátia Abreu, que coordenou a campanha de Lula no Tocantins, afirmou, segundo relatos de participantes, que o comando nacional da campanha é formado por “paulistas sem voto”.

A crítica ocorreu após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Lula. Na avaliação da ex-ministra, a campanha petista adotou uma estratégia de comunicação equivocada.

Kátia critica atuação de Janja

Antes de abordar a participação de Janja, Kátia Abreu fez uma ressalva e afirmou que só entraria no assunto por ser mulher.

Segundo relatos dos presentes, a ex-ministra considerou um erro a primeira-dama cantar músicas gospel nos comícios de Lula, como ocorreu durante o primeiro turno. Outros dirigentes do PT também criticaram a participação de Janja e avaliaram que a iniciativa poderia ser interpretada como uma apropriação da fé evangélica.

A ex-ministra defendeu ainda uma participação maior do vice-presidente Geraldo Alckmin na campanha.

Ao final da fala, Kátia foi fortemente aplaudida pelos cerca de cem participantes que estavam no auditório da sede nacional do PT.

“Menos Janja, mais Alckmin”, pediu.

As críticas à primeira-dama, à comunicação da campanha e ao presidente do PT e coordenador-geral da campanha presidencial, Edinho Silva, estiveram entre os principais pontos discutidos durante o encontro.

PT quer mudar comunicação no segundo turno

Durante a reunião, houve uma avaliação de que a campanha deveria falar mais sobre o futuro do país e menos sobre o legado dos governos de Lula. A avaliação apresentada pelos participantes foi de que o eleitor não escolheria o próximo presidente apenas com base no passado.

Edinho Silva também foi questionado pela escolha das agendas de Lula durante o primeiro turno. Segundo relatos, houve defesa de que o presidente visite mais regiões onde o bolsonarismo tem força, como o Centro-Oeste e o Sul de Minas.

Em determinado momento, a reunião foi interrompida depois que Edinho deixou o auditório por alguns minutos. Os participantes decidiram esperar o retorno do presidente do PT para que ele acompanhasse as manifestações.

Após o encontro, Edinho afirmou que a reunião serviu para alinhar a estratégia da campanha para a reta final da eleição.

“Nós debatemos a linha política desse segundo turno, que, essencialmente, é nós confrontarmos os dois projetos que estão em disputa”, afirmou.

Segundo o presidente do PT, a comunicação da campanha será ajustada para destacar as diferenças entre Lula e Flávio Bolsonaro.

“No primeiro turno esse tipo de confronto você não consegue fazer porque são vários candidatos. No segundo turno não, são dois candidatos, portanto são dois projetos distintos de país, e esse confronto tem que acontecer para o povo brasileiro poder fazer uma escolha”, disse.

Alckmin deve ganhar mais espaço

Edinho Silva também afirmou ser favorável a uma participação maior de Geraldo Alckmin na campanha durante o segundo turno.

Segundo ele, o vice-presidente pode contribuir para ampliar o diálogo da campanha com diferentes setores da sociedade.

Kátia Abreu se filiou ao PT neste ano, depois de passar por partidos como DEM, PP e MDB. Durante a carreira política, foi deputada federal, liderou a bancada ruralista e presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Ela também foi ministra da Agricultura no governo de Dilma Rousseff e manteve uma relação próxima com a ex-presidente.

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