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Câncer de pulmão pode ter mais de 90% de sobrevida em cinco anos quando diagnosticado precocemente

Papa Leão XIV passou por cirurgia para retirada do lobo inferior do pulmão direito; estágio da doença e características genéticas do tumor ainda não foram divulgados

Repórter Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Câncer de pulmão pode ter mais de 90% de sobrevida em cinco anos quando diagnosticado precocemente
— Crédito: Divulgação

O adenocarcinoma de pulmão, tipo de câncer diagnosticado no papa Leão XIV, pode apresentar sobrevida de 90% a 92% em cinco anos quando identificado no estágio mais inicial. A probabilidade diminui conforme a doença avança, podendo chegar a menos de 10% nos casos mais avançados. O Vaticano não informou em qual estágio está o tumor do pontífice, de 71 anos.

Leão XIV foi submetido a uma cirurgia na terça-feira (13), no hospital Gemelli, em Roma, para a retirada de uma lesão identificada durante exames de rotina. O procedimento removeu o lobo inferior do pulmão direito, por meio de uma técnica videoassistida minimamente invasiva. 

Segundo o boletim médico do Vaticano, a operação durou cerca de 90 minutos e ocorreu sem complicações. A previsão inicial era de uma semana de internação.
O estágio do câncer e a análise genética do tumor serão determinantes para definir os próximos passos do tratamento. Enquanto o primeiro indica a extensão da doença, os exames moleculares podem identificar alterações genéticas que permitem o uso de medicamentos específicos.

De acordo com o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e colaborador da Americas Health Foundation, a investigação dessas mutações é parte fundamental da avaliação de pacientes com adenocarcinoma. Os resultados ajudam a determinar se haverá necessidade de tratamentos complementares após a cirurgia.

A descoberta durante exames de rotina, antes do aparecimento de sintomas, pode favorecer o diagnóstico precoce. Entretanto, somente a avaliação completa do material retirado e dos demais exames permitirá estabelecer o prognóstico do pontífice.

Retirada de parte do pulmão
O pulmão direito possui três lobos, enquanto o esquerdo tem dois. A retirada de um deles é um procedimento importante, mas permite que o paciente continue vivendo com o restante do órgão em funcionamento. Antes da operação, a equipe médica avalia a capacidade respiratória para verificar se há reserva pulmonar suficiente.

Na cirurgia videoassistida, os instrumentos são introduzidos por pequenas incisões no tórax, e o cirurgião acompanha o procedimento por uma câmera. O lobo afetado é separado dos tecidos ao redor, com fechamento dos vasos sanguíneos e dos brônquios, estruturas responsáveis pela circulação do sangue e pela passagem do ar.

Após a retirada, o material é encaminhado para análise laboratorial. A avaliação permite verificar as características do tumor e se as margens cirúrgicas estão livres de células cancerígenas, um fator importante para reduzir o risco de recidiva.
O que é o adenocarcinoma de pulmão
O adenocarcinoma se origina em células que revestem estruturas respiratórias e produzem muco. Geralmente, aparece nas regiões periféricas dos pulmões e representa cerca de 40% dos casos de câncer pulmonar.

O tabagismo é o principal fator de risco para a doença. Entretanto, o adenocarcinoma também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram. Nesses casos, fatores genéticos e exposições ambientais, como poluição, gás radônio e amianto, podem estar associados ao desenvolvimento do tumor.

A doença pode evoluir sem apresentar sinais evidentes nos estágios iniciais. Quando surgem, os sintomas incluem tosse persistente, falta de ar, infecções respiratórias recorrentes e perda de peso sem explicação.
A investigação pode começar com uma radiografia de tórax, seguida de tomografia e outros exames, conforme a suspeita clínica.

Sobrevida varia conforme o estágio
O prognóstico depende principalmente do tamanho do tumor, do comprometimento dos linfonodos e da existência de metástases, quando as células cancerígenas atingem outras partes do organismo.

Dados da Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão (IASLC) indicam as seguintes estimativas de sobrevida global em cinco anos:
Estágio IA1: 90% a 92%.
Estágio IA2: 83% a 86%.
Estágio IA3: 77% a 81%.
Estágio IB: 68% a 73%.
Estágio IIA: 60% a 65%.
Estágio IIB: 52% a 56%.
Estágio IIIA: 36% a 41%.
Estágio IIIB: 24% a 26%.
Estágio IIIC: 12% a 13%.
Estágio IVA: 10% a 15%.
Estágio IVB: 0% a 10%.

Os percentuais são estimativas populacionais e não representam uma previsão individual. Os resultados podem variar de acordo com as características do tumor, as condições clínicas do paciente e os tratamentos disponíveis. Além disso, os dados podem não refletir integralmente os avanços mais recentes da imunoterapia e das terapias direcionadas.

Tratamento depende dos resultados
Quando o câncer está localizado, a cirurgia costuma ser a principal estratégia de tratamento. A extensão da retirada depende do tamanho, da localização e das características da lesão.
Após a operação, os resultados da análise patológica e molecular ajudam a definir a necessidade de quimioterapia, imunoterapia ou medicamentos direcionados a alterações genéticas específicas. A radioterapia pode ser indicada em situações selecionadas, conforme a extensão da doença e as condições clínicas.

O acompanhamento também é importante para identificar precocemente uma possível volta do câncer ou o aparecimento de um novo tumor.
No caso de Leão XIV, a ausência de informações sobre o estágio da doença e os resultados da análise molecular impede estimar individualmente as chances de cura ou antecipar a necessidade de novos tratamentos.

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