Anvisa aprova caneta semanal que combina insulina e semaglutida
Kyinsu, da Novo Nordisk, reúne insulina icodeca e semaglutida em uma única aplicação semanal e é indicado para adultos com diabetes tipo 2
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Kyinsu, medicamento da farmacêutica Novo Nordisk que combina insulina icodeca e semaglutida em uma única aplicação semanal. O registro foi publicado no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (28).
O medicamento é indicado para adultos com diabetes tipo 2 que não conseguem controlar adequadamente a doença com insulina basal ou com medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida.
A aprovação contempla seis apresentações do medicamento.
Como funciona o Kyinsu
A combinação reúne dois componentes que atuam de maneiras diferentes no controle da glicemia.
A insulina icodeca tem ação prolongada e ajuda a controlar a glicose entre as refeições e durante o período de sono. Já a semaglutida atua principalmente após as refeições e também está associada ao controle do peso.
Segundo o endocrinologista Júlio Américo Batatinha, doutorando no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a combinação dos dois medicamentos em uma única aplicação semanal pode reduzir o número de injeções e ajudar a controlar efeitos associados à intensificação do tratamento com insulina.
“A combinação em uma única aplicação semanal une mecanismos complementares, o que reduz o número de injeções e ajuda a atenuar o ganho de peso e a hipoglicemia, efeitos tipicamente associados à intensificação do tratamento com insulina isolada”, explica.
A aprovação, porém, não significa que a combinação seja indicada para todas as pessoas com diabetes.
“A indicação depende do quadro clínico, do controle da glicemia, dos tratamentos já utilizados e dos objetivos do paciente”, afirma a endocrinologista Fernanda Parra.
Para quem o medicamento é indicado
A médica cita dois cenários em que a combinação pode ser considerada.
Um deles é o paciente que já utiliza insulina basal, mas continua com a hemoglobina glicada acima da meta definida individualmente. Nessa situação, a associação com um medicamento da classe dos agonistas de GLP-1 pode contribuir para melhorar o controle da glicemia sem simplesmente aumentar progressivamente a dose de insulina.
O segundo cenário envolve pacientes que já utilizam um agonista de GLP-1, como a semaglutida, mas ainda precisam de uma ação adicional da insulina para alcançar o controle adequado da glicose.
A escolha do tratamento depende da avaliação médica e do histórico de cada paciente.
Estudos clínicos
A aprovação do Kyinsu teve como base três estudos clínicos de fase 3 do programa Combine, conduzidos pela Novo Nordisk. Ao todo, os estudos reuniram cerca de 2.500 adultos com diabetes tipo 2 em diferentes estágios do tratamento.
Segundo os dados apresentados pela farmacêutica, o medicamento atingiu os principais objetivos dos estudos.
Na comparação com a insulina icodeca e a semaglutida utilizadas separadamente, a combinação apresentou maior redução da glicemia e maior perda de peso. Os estudos também registraram até 88% menos episódios de hipoglicemia significativa ou grave.
A segurança e a tolerabilidade observadas foram semelhantes às já conhecidas para os dois componentes utilizados separadamente.
Diabetes atinge milhões de brasileiros
O diabetes é uma das doenças crônicas de maior impacto no país. Segundo o Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil tem cerca de 16,6 milhões de adultos vivendo com a doença.
A aprovação do Kyinsu amplia as opções de tratamento disponíveis para pacientes com diabetes tipo 2, mas o medicamento deve ser utilizado conforme a indicação aprovada e com acompanhamento profissional.
A aprovação do registro sanitário também não significa, por si só, que o produto já esteja disponível nas farmácias. A Anvisa mantém em seu Bulário Eletrônico as informações oficiais sobre medicamentos registrados no país.
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