MP pede condenação de Renato Cariani por tráfico e lavagem de dinheiro
Influenciador é acusado pelo MP de associação para o tráfico, tráfico de insumos e lavagem de dinheiro; Cariani responde ao processo em liberdade
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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani por associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à produção de drogas e lavagem de dinheiro. Se a Justiça aceitar integralmente a acusação, a pena pode chegar a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas.
Cariani responde ao processo em liberdade. O Ministério Público também pediu a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes.
Segundo a acusação, o grupo participou de um esquema envolvendo o desvio de produtos químicos que seriam utilizados pelo narcotráfico para a produção de drogas, principalmente cocaína e crack.
O cálculo apresentado pelo advogado criminalista Anderson Almeida considera uma condenação por associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos para fabricação de drogas e outros 59 crimes de lavagem de dinheiro. Com os agravantes considerados pelo Ministério Público, a pena individual poderia variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses.
A definição da pena, porém, dependeria da forma como a Justiça reconhecer a relação entre os crimes. Almeida explicou que o cálculo considera o aumento de dois terços previsto para a continuidade delitiva, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Mesmo que a soma das penas ultrapasse esse período, o advogado ressalta que o limite máximo de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos.
Acusação aponta 59 operações com produtos químicos
Cariani, que tem mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, foi um dos alvos da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023.
A investigação apontou que a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa da qual ele era sócio e sediada em Diadema, na Grande São Paulo, teria sido utilizada para fraudar a comercialização de produtos químicos. Segundo a PF, os insumos eram vendidos formalmente para empresas farmacêuticas, mas acabavam desviados para a produção de drogas.
O Gaeco afirma que a empresa simulou, em 59 ocasiões, vendas de produtos para empresas que não haviam feito os pedidos. Segundo os promotores, Cariani também teria participado da criação de pedidos fictícios usados para justificar a saída dos materiais.
Na denúncia, o Ministério Público cita, entre outros episódios, a retirada de 100 litros de éter etílico e 50 quilos de cloridrato de lidocaína que haviam sido faturados para a AstraZeneca, em fevereiro de 2018.
De acordo com os promotores, a retirada ocorreu fora do horário de expediente e envolveu documentos e informações falsas. A acusação também sustenta que Cariani teria atuado para interferir em uma fiscalização relacionada à empresa.
Mensagens de celular são citadas pelo Gaeco
Outro ponto da acusação envolve mensagens encontradas no celular do influenciador.
Segundo o Gaeco, Cariani mantinha uma relação próxima com o policial civil Anadré Dziuba, que atuava na área de controle e fiscalização de produtos químicos utilizados no refino de drogas.
Os promotores afirmam que Cariani recebia informações sobre diligências, opinava sobre determinadas situações e chegou a indicar empresas que poderiam ser fiscalizadas. Para o Gaeco, as conversas indicariam que ele tinha conhecimento sobre o destino dos produtos comercializados pela empresa.
Em uma das mensagens citadas na denúncia, de abril de 2019, Cariani teria respondido a uma pergunta do policial sobre determinada substância afirmando que ela era utilizada para aumentar o rendimento da cocaína.
O Ministério Público também sustenta que as mensagens demonstrariam que o influenciador conhecia falhas no controle das retiradas de produtos químicos da própria empresa.
Defesa pede absolvição
A defesa de Renato Cariani afirmou que recebeu com naturalidade o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público. Segundo o advogado Aldo Romani Netto, a manifestação faz parte da posição que a acusação mantém desde o início do processo.
O advogado afirmou que o processo entrou na fase de alegações finais da defesa e que serão respondidos os argumentos apresentados pelo Ministério Público com base nas provas produzidas durante a instrução.
A defesa sustenta que as acusações são improcedentes e afirma ter confiança de que Cariani será absolvido após a análise do caso pela Justiça.
As defesas de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira também foram procuradas.
Apesar de pedir a condenação dos três, o Gaeco solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, que também foram citadas durante as investigações da Polícia Federal.
**Com informações do g1
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