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Diretor de 'Cavalo Selvagem Nove' critica líderes políticos e diz que história se repete com 'estúpidos no poder'

Novo filme de Martin McDonagh, estrelado por John Malkovich e Sam Rockwell, aborda o intervencionismo dos Estados Unidos e os desafios da democracia. Ator também comentou o cenário político brasileiro

Valéria Mendes · · 4 min de leitura
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... — Crédito: Divulgação

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O diretor irlandês Martin McDonagh afirmou que a história tende a se repetir quando "homens estúpidos estão no poder", ao comentar as semelhanças entre os acontecimentos retratados em seu novo filme, "Cavalo Selvagem Nove", e as tensões políticas internacionais. A produção, estrelada por John Malkovich e Sam Rockwell, estreou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5) e aborda a atuação de agentes da CIA no Chile às vésperas do golpe militar de 1973.

Em entrevista ao g1, McDonagh explicou que não pretendia estabelecer uma comparação direta entre o período histórico retratado e a atual política externa americana. No entanto, reconheceu que acontecimentos recentes envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela deram novos significados à narrativa.

"Não era para ser um retrato do mundo moderno, mas, depois de pronto, ao assistir com o público, a geopolítica moderna, o que aconteceu com os EUA e a Venezuela, todos esses fatos pareceram emitir um tipo diferente de reflexo", afirmou.

O cineasta acrescentou que os paralelos históricos surgiram naturalmente. "Os ecos de um lugar para o outro estão lá. Talvez porque a história tende a se repetir quando homens estúpidos estão no poder", declarou.

Filme mistura espionagem, humor e reflexão política

A trama acompanha dois agentes veteranos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), interpretados por John Malkovich e Sam Rockwell, enviados ao Chile pouco antes do golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende, em setembro de 1973.

Durante uma missão cercada de incertezas, os personagens seguem para a Ilha de Páscoa, território chileno conhecido pelas gigantescas estátuas de pedra chamadas moais.

No local, os agentes passam a enfrentar questionamentos sobre suas trajetórias, decisões e consequências de suas ações. A narrativa combina humor ácido, melancolia e reflexões sobre a influência americana em outros países.

McDonagh também dirigiu "Três Anúncios para um Crime" (2017) e "Os Banshees de Inisherin" (2022), produções reconhecidas internacionalmente pela mistura de drama, ironia e conflitos humanos.

John Malkovich comenta democracia no Brasil

Em entrevista concedida no início de outubro, pouco depois do primeiro turno das eleições brasileiras, John Malkovich também relacionou os temas do filme às dificuldades enfrentadas pelos regimes democráticos.

Aos 72 anos, o ator afirmou que a democracia exige esforços permanentes e pode ser marcada por conflitos políticos e episódios de violência.

"Democracia, como você bem sabe, nesses últimos dias no Brasil e muito antes, é uma coisa muito disputada, difícil, árdua, às vezes violenta, às vezes homicida. Um desafio muito difícil", declarou.

O comentário ocorreu durante uma conversa sobre uma das passagens mais sombrias do longa, envolvendo uma referência a Patrice Lumumba, líder da independência do Congo e primeiro primeiro-ministro do país após o fim do domínio colonial belga.

Na sequência mencionada pelo ator, o protagonista relembra um diálogo fictício em que Lumumba alerta sobre as consequências de sua morte para a democracia africana. A resposta do agente americano evidencia o tom crítico da produção em relação às intervenções estrangeiras.

Ator defende reflexão sobre erros históricos

Apesar das declarações sobre política, Malkovich contou que não participa das eleições americanas desde 1972, quando o democrata George McGovern foi derrotado na disputa presidencial.

O ator acredita que reconhecer erros históricos é fundamental para compreender o presente, embora tenha demonstrado ceticismo sobre a disposição da sociedade americana para esse exercício.

"Acho que arrependimento e reflexão sobre o motivo do arrependimento é um elemento essencial da vida, e entender o que você fez de errado e o motivo pelo qual errou também", afirmou.

Para Malkovich, a capacidade de reconhecer as consequências das próprias decisões deveria fazer parte de uma reflexão mais ampla sobre o comportamento humano e a atuação das instituições.

Com estreia no Brasil em 5 de novembro, "Cavalo Selvagem Nove" chega aos cinemas em meio a discussões internacionais sobre democracia, soberania nacional e o papel dos Estados Unidos na política de outros países.

A atuação de Malkovich também tem sido apontada como uma das possíveis candidaturas ao Oscar de Melhor Ator de 2027, embora as indicações oficiais ainda não tenham sido anunciadas.

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