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Brasil tem feriado de extremos: frio abaixo de zero no Sul e calor perto dos 40°C no Norte

Massa de ar polar derruba temperaturas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, enquanto Norte e Nordeste enfrentam calor; novo El Niño muito forte pode mudar o padrão de chuva nos próximos meses

Ana Zimermann · · 6 min de leitura
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... — Crédito: Adobe Stock

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O feriado de 7 de Setembro de 2026 colocou o Brasil diante de um contraste típico de um país continental: enquanto cidades do Sul amanheceram com temperaturas negativas e registros de neve, áreas do Norte e do Nordeste enfrentaram calor próximo dos 40°C.

A diferença foi especialmente marcante na Região Sul. Em Santa Catarina, Bom Jardim da Serra chegou a -6,1°C, enquanto São Joaquim registrou -5,9°C e Urupema, -5,4°C. No Rio Grande do Sul, Bom Jesus marcou -3,8°C. No Paraná, Palmas e General Carneiro chegaram a -0,1°C, menor temperatura registrada no Estado até então em 2026. No outro extremo, a previsão para o Norte apontava máximas de 34°C a 37°C em grande parte da região, podendo chegar perto dos 40°C no Tocantins. Em Manaus, a temperatura poderia atingir 38°C nesta segunda-feira. O cenário é resultado principalmente da atuação de uma massa de ar polar associada à passagem de uma frente fria, que provocou uma queda acentuada das temperaturas no Centro-Sul.

No Paraná, frio ganhou força no feriado

Segundo dados divulgados nesta segunda-feira, Palmas chegou a 3,4°C nas primeiras horas da manhã, enquanto Curitiba registrou 5,5°C e Cascavel marcou 4,5°C. Em estações do Sul do Estado, Palmas e General Carneiro chegaram a -0,1°C. A presença de ar frio também favoreceu as condições para geada em diferentes áreas do Paraná, especialmente nas regiões mais elevadas e no Centro-Sul. Para quem aproveita o feriado para viajar, o contraste é importante: enquanto algumas regiões amanhecem com temperaturas próximas ou abaixo de zero, outras áreas do Estado têm condições mais amenas ao longo do dia.

Sul registra neve

Santa Catarina foi o estado que apresentou alguns dos menores registros de temperatura do país. Além das marcas negativas, houve ocorrência de neve em áreas de maior altitude, incluindo Urubici e Bom Jardim da Serra. No Rio Grande do Sul, também houve registros de neve e chuva congelada em municípios da Serra, como Cambará do Sul e São José dos Ausentes.

O frio não deve desaparecer imediatamente. A tendência é de manutenção das temperaturas baixas até terça-feira, com recuperação gradual posteriormente. A partir de quarta-feira, a entrada de uma área de baixa pressão deve favorecer o retorno das chuvas em partes do Sul.

Região Sudeste também sente o frio

A massa de ar polar avançou além da Região Sul e derrubou as temperaturas no Sudeste. Em São Paulo, a estação do Mirante de Santana registrou 10,1°C na madrugada desta segunda-feira, a menor temperatura para um mês de setembro desde 2022. A máxima prevista para a capital era de apenas 13°C, cenário que poderia resultar em uma das tardes mais frias de setembro desde 2000. No Rio de Janeiro, a previsão apontava mínima de 14°C e máxima de 23°C. Em Brasília, porém, o contraste reaparecia: a temperatura poderia chegar a 30°C.

Norte e Nordeste seguem quentes

Enquanto o Sul enfrenta condições de inverno, o Norte mantém temperaturas elevadas. Em Manaus, a previsão para esta segunda-feira indicava mínima de 27°C e máxima de 38°C, com possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas. Palmas poderia variar entre 23°C e 36°C, enquanto Porto Velho teria mínima de 24°C e máxima de 32°C. No Nordeste, o cenário também é de calor. A maior parte da região permanece com temperaturas acima dos 30°C, embora a chegada da frente fria ao sul da Bahia aumente a nebulosidade e a possibilidade de chuva em áreas próximas a Vitória da Conquista e Porto Seguro. O contraste fica ainda mais evidente quando se compara o extremo Sul com o Norte: enquanto cidades catarinenses ficaram abaixo de -6°C, o Norte chegou a registrar previsão de 38°C no mesmo feriado.

E onde entra o El Niño?

O frio intenso deste 7 de Setembro não significa que o El Niño deixou de atuar. O fenômeno climático está associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e altera padrões de circulação atmosférica em diferentes partes do planeta. Seus efeitos, porém, acontecem em escalas temporais e espaciais maiores do que a passagem de uma única massa de ar. E o alerta para os próximos meses é significativo.

O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por INPE, INMET, ANA, CEMADEN, SGB, Defesa Civil e CENSIPAM, aponta mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. Os modelos indicam ainda 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027. Segundo o mesmo boletim, as anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial podem superar 2°C entre a primavera e o verão de 2026.

Mais chuva no Sul

É justamente aqui que o fenômeno ganha importância para o Paraná e os demais estados do Sul. A previsão climática para setembro, outubro e novembro indica chuvas acima da média em áreas da Região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul. Partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul também aparecem com tendência de volumes superiores à média histórica. O INMET já havia indicado, para setembro, tendência de chuva acima da média em áreas do Sul e temperaturas próximas da média na maior parte da região. No Paraná, o leste do Estado aparece com possibilidade de temperaturas médias até 0,6°C acima da climatologia do mês.

Isso ajuda a explicar uma característica importante do cenário climático de 2026: um mês pode ter episódios de frio intenso mesmo dentro de uma estação ou período com tendência de temperaturas médias mais elevadas. Ou seja, uma onda de frio não contradiz necessariamente a tendência climática associada ao El Niño.

Sul terá atenção redobrada

O cenário reforça a necessidade de atenção para uma combinação que pode se tornar frequente nos próximos meses: períodos de chuva volumosa intercalados por entradas de ar frio capazes de provocar quedas bruscas de temperatura. Para o setor agropecuário, a alternância entre excesso de chuva, frio e períodos mais quentes também merece acompanhamento, especialmente durante a transição para a primavera.

Um Brasil de extremos

O feriado de 7 de Setembro deixa, portanto, uma fotografia bastante clara do momento climático brasileiro. No Sul, o ar polar levou temperaturas negativas, geada e neve para áreas de maior altitude. No Sudeste, o frio avançou até São Paulo e Rio de Janeiro. No Centro-Oeste, o cenário foi mais dividido, com influência do ar frio em parte da região e calor persistente em outras áreas. No Norte e no Nordeste, por outro lado, o calor continua predominando, com máximas que chegam à casa dos 40°C em alguns pontos.

O El Niño muito forte projetado para a primavera e o verão não explica sozinho cada episódio de frio ou calor. O que ele faz é alterar o pano de fundo climático, aumentando a probabilidade de determinados padrões de chuva e temperatura. Para o Sul do Brasil, o principal alerta é a tendência de chuvas acima da média, enquanto o país continua sujeito a entradas de ar polar capazes de produzir mudanças abruptas no tempo.

Em outras palavras: o frio deste feriado pode até parecer fora de época, mas está dentro de um cenário climático marcado por fortes contrastes e mudanças rápidas de temperatura — uma característica que deve continuar exigindo atenção durante a primavera de 2026.

 

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