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Brasil abre novos mercados em Bangladesh e Colômbia e amplia oportunidades para o agronegócio

Acordos permitem exportação de material genético bovino e produtos para animais de estimação. Com as autorizações, país soma 721 aberturas comerciais desde 2023; Paraná pode se beneficiar da expansão

Julia Maraschi · · 3 min de leitura
Brasil abre mercados em Bangladesh e Colômbia para o agronegócio
Brasil abre mercados em Bangladesh e Colômbia para o agronegócio — Crédito: Divulgação

O Brasil conquistou duas novas oportunidades comerciais para o agronegócio com a abertura dos mercados de Bangladesh, na Ásia, e da Colômbia, na América do Sul. O anúncio foi feito pelos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE), na quinta-feira (29), após a conclusão de negociações sanitárias com os dois países.

As autorizações abrangem a exportação de material genético bovino e bubalino, animais vivos destinados à reprodução e produtos para animais de estimação. Com os novos acordos, o Brasil alcançou 721 aberturas de mercado para produtos agropecuários desde janeiro de 2023, ampliando as possibilidades de negócios no comércio internacional.

O que o Brasil poderá exportar?

Em Bangladesh, as autoridades sanitárias autorizaram a entrada de sêmen bovino, embriões bovinos e bubalinos produzidos por técnicas de reprodução natural e laboratorial, além de bovinos vivos destinados ao melhoramento genético dos rebanhos.

Na prática, a medida permitirá que produtores do país asiático adquiram material genético brasileiro para aprimorar características dos animais, como produtividade, reprodução e qualidade dos rebanhos.

Bangladesh já representa um importante mercado para o agronegócio nacional. Em 2025, o país importou mais de US$ 2,66 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, principalmente açúcar e derivados, fibras, produtos têxteis e soja.

Já a Colômbia autorizou a importação de produtos mastigáveis desidratados de origem bovina e suína destinados a animais de estimação. São itens utilizados no segmento de alimentação e petiscos para cães e outros animais de companhia.

Em 2025, as compras colombianas de produtos agropecuários brasileiros ultrapassaram US$ 873 milhões, com destaque para café, produtos florestais e mercadorias de origem animal.

Paraná pode conquistar novas oportunidades

A abertura dos mercados também representa uma oportunidade para empresas instaladas no Paraná, especialmente as que atuam na pecuária, no processamento de matérias-primas de origem animal e na fabricação de produtos para animais de estimação.

O Estado possui uma cadeia produtiva consolidada no setor pet. Segundo dados divulgados pelo governo paranaense em 2024, as indústrias locais produziam aproximadamente 300 mil toneladas de rações para cães e gatos por ano, equivalentes a cerca de 7% da produção nacional naquele período.

A atividade também recebeu novos investimentos. Em maio de 2025, uma indústria de alimentos para animais de estimação foi inaugurada em Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba, com investimento de R$ 140 milhões e capacidade de produção de 7 mil toneladas mensais.

Para o Paraná, as novas autorizações podem criar possibilidades de diversificação das exportações, principalmente para empresas que atendam às exigências sanitárias dos países compradores.

Entretanto, a abertura comercial não significa que os embarques já tenham começado. A realização das vendas dependerá de contratos, habilitações e do cumprimento das exigências aplicáveis a cada produto.

Brasil amplia presença no comércio internacional

A estratégia brasileira busca diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência de determinados mercados compradores.

Em 13 de outubro, o governo federal havia anunciado a marca de 700 aberturas comerciais em 99 destinos, incluindo países e blocos econômicos. Com as negociações posteriores, o número chegou a 721.

Os acordos são resultado de tratativas diplomáticas e sanitárias conduzidas pelo Mapa e pelo Itamaraty. Cada abertura corresponde à autorização de acesso de determinado produto a um mercado externo, não necessariamente à entrada do Brasil em um país com o qual ainda não mantinha relações comerciais.

A diversificação ganhou importância diante das restrições comerciais e tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Para o setor produtivo, a ampliação dos destinos pode representar mais alternativas de venda, oportunidades de investimento e possibilidades de geração de empregos. Os resultados efetivos, porém, dependerão da demanda dos compradores e da competitividade das empresas brasileiras.

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